Holanda

E continua tudo bem

Há quase dois meses, esta coluna era intitulada “Em casa, tudo bem”. Falava a respeito de como o Anderlecht conseguia um bom começo no Campeonato Belga, com quatro vitórias em quatro jogos, mesmo que tivesse sido facilmente superado pelo Lyon, na terceira fase preliminar da Liga dos Campeões. E, mesmo que o RSCA aparecesse melhor no país, ficaria apenas na Liga Europa. Em suma, era visto como um mero coadjuvante do Standard Liège, bicampeão nacional e participante da fase de grupos da LC.

Pois esses dois meses se passaram, e os Mauves conseguiram manter a boa fase. Enquanto os Rouches deixam de lado, por ora, a Jupiler League, para fazer uma aposta arriscada na classificação para as oitavas de final da Liga dos Campeões, o time comandado por Ariel Jacobs continua nadando de braçada na Bélgica. Não só permanece na liderança do campeonato, mas já apresenta cinco pontos de vantagem sobre o Club Brugge, vice-líder.

É bem certo que a derrota para o Dínamo Zagreb, em casa, fez com que a equipe ficasse numa situação limítrofe, na Liga Europa. É a vice-líder do grupo A, com
oito pontos – mas não poderá perder para o já classificado Ajax, fora de casa. Caso aconteça, terá de esperar que o Dínamo Zagreb não vença o Timisoara. Todavia, para o nível do torneio continental, o time é razoável e pode cumprir a tarefa necessária.

Talvez, o grande mérito resida na rápida recomposição da equipe, após as perdas de Wasilewski e Polak. Evidentemente, houve certo trauma na remontagem das peças do 4-2-3-1 com que Ariël Jacobs faz a escalação. E isso causou a derrota para o Sint-Truiden, na rodada seguinte ao clássico contra o Standard, quando houve as graves contusões dos dois atletas supracitados. Mas Guillaume Gillet, pela direita, e Bakary Sare, como parceiro de Lucas Biglia na marcação do meio-campo, conseguiram integrar-se facilmente.

E, fora essas alterações, os titulares costumeiros prosseguiram com boas atuações. A começar pelo gol. Se antes, era considerado apenas um “tampão” até o retorno de Daniel Zitka, hoje Sylvio Proto já pode ser considerado o goleiro titular do Anderlecht. Finalmente, o nativo de Charleroi ganhou a chance que tanto esperava para comprovar seu talento – e pode, sim, virar adversário de Gillet e Bailly na disputa da titularidade do gol, na seleção belga.

Na linha de quatro zagueiros, Mazuch, Juhasz e Deschacht mantêm o grande entrosamento. E, na armação das jogadas de ataque, a dupla Boussoufa-Suarez teve seu trabalho diminuído pelo crescimento de Jonathan Legear. Mas é na finalização que está a grande revelação dos Paars-Wit. Se era apenas uma esperança para o futuro, tendo jogado parcos minutos nos jogos extras que definiram o campeonato da última temporada, hoje Romelu Lukaku já se mostra como uma promessa com boas chances de virar realidade.

Com apenas 16 anos de idade, Lukaku atuou em 13 dos 16 jogos, sendo sete como titular – e marcou oito gols, estando na vice-artilharia do campeonato, um gol atrás de Milan Jovanovic. Já até exige que Ariël Jacobs declare aos jornais que não será transferido na próxima janela de transferências, conforme dito, nos últimos dias, ao Het Laatste Nieuws.

Enquanto o Standard continua atraindo mais atenções, quando se fala do futebol belga de clubes, o Anderlecht vai fazendo o seu papel. E, com as limitações naturais, o faz bem. Já é o campeão de inverno, e está próximo de garantir seu lugar nos play-offs. Nada mal para um coadjuvante.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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