Holanda

…E começa outra vez

Era uma vez um time que nunca quis ser muita coisa. Um time aurinegro (camisa igual à do Peñarol). Até revelou alguns jogadores famosos, como Cocu e Makaay, mas nunca conquistou a primeira divisão, nem mesmo na fase amadora do futebol holandês. Sequer conquistou uma Copa da Holanda – chegou três vezes à final, a última vez há 21 anos. Como maior feito, somente nove participações na Copa Uefa. E a construção de um moderno estádio, o Gelredome, para a Euro 2000 – que, aliás, será de grande valia (leia mais nas Curtas).

Ainda assim, o Vitesse tem uma certa tradição na Eredivisie. Nunca foi grande, mas, apesar dos pesares, há vinte temporadas não sabe o que é ser rebaixado. Só que, há algumas temporadas, sofre com campanhas na parte de baixo da tabela. É forçado a se desfazer de jogadores importantes (como o goleiro Piet Velthuizen) e tem trocado constantemente de técnicos. Entre 2008 e atualmente, foram cinco: Hans Westerhof, o interino Edward Sturing, Theo Bos, o também temporário Hans van Arum e, finalmente, Albert Ferrer.

Só que, a bem da verdade, os Arnhemmers já pretendiam chegar, na última temporada, ao lugar agora ocupado pelo Twente. Tudo graças ao surgimento de um homem misterioso. Bem, nem tão misterioso assim: foi o clube ser ameaçado de falência, em meados do ano passado, que logo chegou o homem para tentar salvar o Vitesse. Ex-presidente da federação de futebol da Geórgia, seu país natal, o empresário Merab Jordania já assumiu o clube com valentia: “Eu ajudarei a comissão técnica da equipe com dinheiro e conselhos, pois assim conseguiremos melhores resultados. Eu tenho relações muito boas com grandes clubes internacionais.”

Claro, causou suspeita, até pelo histórico suspeito do georgiano, já preso em seu país uma vez, em 199. A federação holandesa até quis ouvir o novo dono e presidente do Vitesse. Ainda mais porque o que se dizia é que Jordania era muito próximo de um certo Roman Abramovich. No entanto, Jordania quis dar tranquilidade ao time. Esta durou pouco: sem conseguir tirar o time das posições de baixo da tabela, Theo Bos foi demitido.

Aí é que se viu a tentativa de Jordania em tentar fazer do Vitesse um time mais notável, em termos nacionais. Tirando do Cambuur Leeuwarden Stanley Menzo para ser auxiliar técnico, o empresário ainda contratou Albert Ferrer para comandar o time. Além disso, vários jogadores de Chelsea e da base do Barcelona chegaram para o clube. No primeiro caso, vieram Slobodan Rajkovic e Nemanja Matic; no segundo, Martí Riverola e Jordi Lopez. Sem contar o italiano Luca Caldirola, que a Internazionale também cedeu. Tudo isso, por empréstimo. A não ser pela vinda do atacante marfinense Wilfried Bony, que demorou a estrear, por contusões.

E… nada. O Vitesse continuou patinando. E terminou a temporada num decepcionante 15º lugar, o primeiro acima da zona da Nacompetitie. Pior: os jogadores emprestados deixaram o clube, como era esperado. E Jordania, novamente, preferiu mudar tudo do início. Sobrou para Albert Ferrer, que caiu.

O investimento foi direto para John van den Brom, que chega a bordo de uma campanha absolutamente elogiável com o ADO Den Haag. E algumas tímidas aquisições foram feitas, como os brasileiros Alex e Anderson. Resta saber se o clube de Arnhem saberá ter paciência para fazer o que quer. Enquanto as temporadas terminam e começam outra vez, parafraseando aquela cançoneta.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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