E a crise continua

Sim, o PSV voltou a evoluir a olhos vistos dentro do cenário holandês – sendo, talvez, o melhor clube do país na década, com o tetracampeonato e a semifinal da Liga dos Campeões. Isso, já tendo uma tradição, com títulos de Copa Uefa, Copa dos Campeões e tudo o mais. No entanto, os Eindhovenaren podem até tentar, mas ainda não conseguiram virar protagonistas do maior clássico da Holanda. Apesar dos pesares, Ajax e Feyenoord ainda são os personagens do De Klassieker, o jogo mais esperado da temporada.
Porém, tornou-se comum – principalmente de 2007 para cá – ver os Boeren imperarem no futebol holandês, ao passo que os Godenzonen e o Stadionclub ficam apenas condenados a baterem palmas e remoer o fracasso. Pois isso começa a acontecer, novamente, na temporada atual. Pelo menos, foi o rumo apontado pela 16ª rodada da Eredivisie. Afinal de contas, o PSV deu sorte típica de líder: tropeçou, mas manteve-se na liderança pelos tropeços dos outros adversários.
E, mesmo no tropeço, o PSV acabou prejudicando um rival direto. Afinal, empatou em 0 a 0 com o Ajax, numa partida tensa em Amsterdã. Nem tanto pelas chances: o time da capital pressionou mais no começo, enquanto os PSV'ers ganharam força no decorrer da partida, mas ninguém foi competente o suficiente para balançar as redes. Mas tenso pelas discussões entre os jogadores que se formavam a cada falta mais dura (e foram muitas) – culminando com o ato impensado e curioso de Suárez (mais nas curtas).
Todavia, arrancar um empate fora de casa acabou sendo bom para o PSV. Porque o Twente, vice-líder, acabou sendo prejudicado. Vencia o AZ em casa, mas a expulsão de Douglas, ao puxar Maarten Martens, desarrumou irremediavelmente a defesa dos Tukkers. Com a falta nas proximidades da área, Rasmus Elm bateu – e fez o gol de empate dos Alkmaarders. No segundo tempo, o paraguaio Celso Ortiz marcou pela primeira vez com a camisa do time de Alkmaar. 2 a 1. Em pleno Grolsch Veste. Após um ano, 11 meses e 20 dias, o Twente voltava a perder em casa pelo Holandês. E perdia a chance de alcançar o PSV. Que já tem três pontos de vantagem para o Twente, quatro para o Groningen, seis para o Ajax… de fato, o time de Fred Rutten já começa a querer disparar.
O Ajax, por sua vez, vai tendo uma sequência que pode ser mortal para suas pretensões de acabar com o jejum de seis anos na Eredivisie: tropeçou nos últimos três jogos pelo torneio (derrota para ADO Den Haag e AZ, e o empate). De fato, o momento é mais do que propício para que Johan Cruyff continue a pedir mudanças no organograma do clube, que pode igualar dois recordes negativos: caso fique sem marcar contra o VVV, chegará à quarta partida consecutiva sem gols, algo que só aconteceu ao time entre 15 de outubro e 6 de novembro de 2005. E, se na partida seguinte, em casa, contra o NEC, a equipe também passar em branco, será a maior sequência sem balançar as redes na história do clube na Eredivisie (três jogos).
Isso, sem contar a humilhação imposta pelo Real Madrid na Amsterdam ArenA, pela Liga dos Campeões. Evidentemente, a vitória dos Merengues, mesmo fora de casa, era o resultado mais previsível. O que não se esperava era a forma como a derrota viria: um 4 a 0 inapelável, com os jogadores madridistas fazendo de gato e sapato uma defesa que teve péssimo desempenho (a não ser por Stekelenburg, que fez algumas boas intervenções). Não se viu melhor descrição da situação dos Ajacieden do que a feita na manchete principal da edição da revista Voetbal International desta semana: “Anarquia na ArenA”.
Agora, virando-se para a outra parte do tabela, o Feyenoord continua a sua via-crúcis. O jogo contra o Groningen foi mais um daqueles em que o time foi digno – e nada mais. Resultado: 2 a 0 para o Orgulho do Norte (que, por sinal, ultrapassou o Ajax na tabela, indo ao terceiro lugar). E a queda para o 16º lugar, a posição mais baixa do Stadionclub na tabela desde a temporada 1989/90. Poucos poderiam ser mais claros em suas declarações do que o capitão Ron Vlaar: “Precisamos vencer os jogos”.
Enfim, se continuam fazendo o clássico mais tradicional da Holanda, Ajax e Feyenoord também seguem em tempos difíceis. É preciso melhorar, ou continuarão vendo o PSV, de camarote, ir além na Holanda.



