Holanda

Dois lados

É com a primeira rodada do returno da temporada 2008/09 que a Eredivisie vai encerrando seu ano, neste próximo final de semana. E o cenário, em geral, não se alterou muito, em relação aos anos anteriores: no futebol holandês, a seleção vai bem, mas os clubes vão mal. A bem da verdade, o adjetivo exato para a performance dos holandeses em torneios clubísticos é “decepcionante”.

A temporada anterior terminou sob o signo da novidade: ao invés do tradicionalíssimo Trio de Ferro, a hora era dos clubes médios. Que, graças à boa estruturação para tentar desafios maiores, haviam conseguido resultados surpreendentes, mas nem por isso menos merecidos. Claro, dentre estes clubes, o ano foi do Twente, que conseguiu retornar às competições europeias. E, principalmente, do AZ. Amparados por um time bem entrosado, construído lentamente por Louis van Gaal, os Alkmaarders fizeram uma campanha memorável, para acabar com o jejum de 28 anos sem títulos nacionais.

Todavia, o começo da temporada atual revelou, no mínimo, uma nova alteração no equilíbrio de forças entre os clubes holandeses. Motivados até pela necessidade urgente de reação, após atuações melancólicas, os três grandes do país reagiram. Após a demissão surpreendente de Marco van Basten, restou ao Ajax recomeçar, em busca da reformulação. E deu certo, já que Martin Jol soube reorganizar bem os Godenzonen, sem necessitar de muitos reforços – mesmo que Demy de Zeeuw tenha sido um grande acerto. Bastou testemunhar as incríveis atuações de Luis Suarez para que o sentimento fosse novamente alentador na Amsterdam ArenA.

Também em busca de reanimar o ambiente, o PSV foi atrás de Fred Rutten. E, por enquanto, o treinador também viu dar certo uma mistura entre novos reforços (principalmente Orlando Engelaar) e as boas atuações de gente que já estava em Eindhoven, como Nordin Amrabat, Jonathan Reis e, principalmente, Balazs Dzsudzsák. O Feyenoord, por sua vez, preferiu apostar mais na paixão: Mario Been chegou para comandar o time. E transformou uma equipe demasiadamente apática num time com maior gana. Os problemas financeiros continuam assombrando o Stadionclub, mas a torcida até tem sido paciente, dado o entusiasmo que é visto na equipe de Been.

Por outro lado, a aparente organização dos clubes médios começou a parecer até falsa. Afinal de contas, Groningen e Heerenveen, que também fizeram campanhas satisfatórias na temporada 2008/09, patinam nas últimas colocações, atualmente. Porém, a grande queda veio com o AZ. Já se previa uma pequena queda: afinal, Van Gaal se foi para o Bayern de Munique, e haveria a necessidade de tempo para que Ronald Koeman, o substituto, pudesse se adaptar. Até aí, tudo bem. A questão veio com a falência do DSB, banco patrocinador do clube – e cujo acionista principal, Dirk Scheringa, era o presidente dos Alkmaarders.

Bastou para que uma equipe promissora fosse duramente atingida. A possibilidade de classificação às oitavas de final da Liga dos Campeões, hipótese avaliada como possível, foi se afastando gradativamente. Restava ainda a Liga Europa – hipótese afastada em definitivo pelo momento de protagonismo vivido por Sinan Bolat, que marcou o gol de empate, colocando o Standard Liège. Mais uma decepção: afinal de contas, o AZ também vencia contra os Rouches, na segunda rodada da fase de grupos, até o empate de Moussa Traore, também nos acréscimos.

A Liga Europa até consegue dar a impressão de que as coisas estão melhorando. Afinal de contas, Ajax e PSV conseguiram a classificação sem muitos problemas. Porém, o Heerenveen foi eliminado. E o Twente só conseguiu a vaga nos 16-avos de final na última rodada – para não lembrar outro gol de goleiro, o de Rui Patrício, na segunda fase preliminar da Liga dos Campeões.

E é esta a questão: ainda que a organização venha a passos lentos, os clubes holandeses continuam decepcionando nas competições europeias. Apagar essa imagem também faz parte do caminho para a reestruturação.

O mal começa a querer aparecer

Mas, se a situação é difícil internamente, o futebol holandês ainda passa uma imagem suficientemente boa ao resto do mundo. Mérito, claro, da seleção holandesa. A Oranje fez uma ótima campanha nas Eliminatórias, em que pese a fragilidade de seu grupo. E o time exibiu até brilhantismo em alguns momentos. Além disso, o talento de jogadores como Robben, Sneijder e Van Persie é indubitável. Elementos mais do que suficientes para que a Holanda ainda atraia a atenção e seja considerada uma boa equipe.

O grupo E, chave holandesa na Copa do Mundo exije atenção, sim. Afinal de contas, Dinamarca e Camarões tem ligeira tradição em Copas, além de times com bons talentos individuais. Porém, caso Bert van Marwijk consiga manter no time a seriedade com que conduz seu trabalho, a Holanda mantém-se como franca favorita a conseguir uma das vagas para as oitavas de final, na África do Sul.

Entretanto, alguns problemas começam a querer aparecer. Nesta semana, a imprensa do país começou a repercutir uma declaração de Wesley Sneijder, que disse querer uma reunião com todo o elenco a ser convocado para o próximo amistoso (em março, contra os Estados Unidos), para discutir a relação com a imprensa. Afinal de contas, boatos surgiram, dando conta de um descontentamento geral dos outros jogadores com o meio-campista da Internazionale.

E tais atitudes são bem-vindas. Afinal de contas, são em situações como essa, de boatos que ameaçam virar verdade, que uma equipe começa a se desmilinguir. Tudo o que a Oranje não quer.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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