Holanda

Defesa que todos passam

Primeiro cenário: intervalo do jogo entre Ajax e PAOK, partida de volta da terceira fase preliminar da Liga dos Campeões. A equipe de Amsterdã sai do primeiro tempo, no estádio Toumba, em péssima situação: perdendo por 1 a 0, resultado que a elimina, novamente, antes dos play-offs. Porém, a reação no começo da etapa final é admirável: em pouco mais de dez minutos, a equipe vira para 3 a 1.

Mas tudo quase vai por água abaixo aos 11 minutos, instante imediatamente posterior ao terceiro gol, quando Dimitrios Salpingidis chega em boas condições, livre, pela esquerda, e chuta forte para fazer o segundo gol do PAOK na partida – e tornar novamente limítrofe a situação dos Godenzonen.

Situação que poderia ter ficado definitivamente dramática, quando Vurnon Anita cometeu pênalti sobre Boussaidi, aos 32. Mas Maarten Stekelenburg salvou a equipe, defendendo a cobrança de Vladimir Ivic. O sérvio, todavia, não desistiu, e foi premiado com o gol do 3 a 3, nos acréscimos – em falha de Stekelenburg, que não evitou que a bola fosse passada ao atacante.

Esta descrição do jogo que deu ao time de Martin Jol uma vaga nos play-offs da Liga dos Campeões já serve para mostrar como a defesa retornou para a temporada 2010/11 precisando melhorar muito. Algo incompreensível, para um setor que teve performance elogiável na Eredivisie passada (nos jogos em casa, sofreu somente quatro gols, batendo um recorde histórico não só do clube – temporada 1971/72 -, mas também do campeonato).

Caso o susto tivesse ficado na partida contra o PAOK, em que a eliminação sempre esteve a um passo de acontecer, ainda seria compreensível: afinal, o time ainda se ajustava – ainda que uma eliminação ainda nas fases preliminares da LC fosse sinônimo de vexame. Porém, a primeira rodada da Eredivisie apresentou novas turbulências indesejáveis. E, novamente, após o time ter aberto uma vantagem confortável à frente do placar.

Contra o Groningen, fora de casa, a equipe já estava fragilizada pela ausência do principal jogador – Suárez esteve suspenso. Mas Martin Jol teve ótima surpresa, na primeira partida em que Mounir El Hamdaoui vestiu a camisa dos Ajacieden: em duas jogadas semelhantes, o atacante marroquino mostrou grande habilidade, ao finalizar com chutes sinuosos, feitos com a parte externa do pé, que foram no canto, indefensáveis para Luciano. Parecia que, assim como na temporada 2009/10, o Ajax daria o pontapé inicial em sua campanha com um 2 a 0 no Euroborg.

Aí, vem o segundo cenário. 26 minutos do segundo tempo. Andreas Granqvist recebe a bola, pela direita da grande área, e cruza. Ninguém completa para o gol de Stekelenburg, mas, na linha de fundo, pela esquerda, Dusan Tadic pega a sobra, livre. E cruza para o complemento de Tim Matavz, que manda a bola para as redes e diminui a vantagem do Ajax. E a vitória seria esquecida aos 41 minutos, quando, em escanteio cobrado por Tadic, Nicklas Pedersen cabeceou para empatar o jogo.

Em questão de quatro dias, o Ajax tivera duas vitórias próximas jogadas fora, por erros de sua defesa. Isto, fora falhas individuais que resultaram em jogadas de ataque do adversário – como contra o PAOK, quando Van der Wiel (que ainda precisa recuperar a melhor forma, desde sua volta) recuou uma bola de modo errado, e Salpingidis chutou por baixo de Stekelenburg, que ainda teve rapidez para defender, em cima da linha.

E a solução, curiosamente, surgiu de onde não se esperava. Sem clube desde a dispensa do PSV, no fim da temporada passada, André Ooijer quase acertou com o AEK Larnaca, do Chipre. Até que ocorreu o que o defensor de 36 anos assim descreveu: “Martin Jol me telefonou, para dizer que eu poderia ser de grande utilidade para o Ajax. Ele veio com uma conversa definitiva, sobre meu papel no grupo, entre outras coisas.” E assim o camisa 13 da seleção holandesa na Copa do Mundo acertou um contrato por um ano.

Sim, é certo que a experiência de Ooijer pode ajudar. Além disso, na única partida que fez pela Oranje no Mundial, o nativo de Amsterdam conseguiu passar por uma prova de fogo. Escalado às pressas, no lugar de Mathijsen, contundido no aquecimento, Ooijer teria de enfrentar o Brasil. Começou mal, dando espaços demais – como o que possibilitou a Felipe Melo dar o ótimo passe para que Robinho abrisse o placar. Mas o defensor se recuperou, entrosou-se com Heitinga e, no fim, teve sua atuação elogiada.

Porém, Ooijer tem falhas. É um zagueiro reconhecidamente lento, verdadeiro convite a adversários mais tentadores. E não se sabe como ele estará, após algum tempo na reserva, no PSV. Mas vale a aposta, de qualquer modo. Para que, assim, ele possa acalmar Alderweireld (ou Vertonghen). E que essa calma passe a todos os outros defensores, de modo a corrigir um defeito pouco recomendável, se o Ajax quer ir a algum lugar na temporada.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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