Holanda
Crise? Onde?
7 de fevereiro de 1992. Embora já existisse o Mercado Comum Europeu (ratificado no tratado de Roma, em 1957), pode-se dizer que esta foi a data de fundação de uma crise influente nos dias de hoje. Afinal de contas, nela, dez países europeus decidiram, em comum acordo, a criação da União Europeia – e da sua unidade monetária, o euro.
Que, agora, está em séria discussão. Tanto pela situação aflitiva que vivem países integrantes da União – Grécia, Espanha, Portugal e Itália são apenas os exemplos mais conhecidos – como pela insatisfação cada vez mais latente da Alemanha, habitual motor econômico do continente, em continuar levando os parceiros nas costas.
E o que tem tudo isso a ver com estas mal traçadas? Simplesmente porque o tratado foi assinado na cidade holandesa de Maastricht. Ou seja, Maastricht foi a terra onde surgiu o euro. E é de lá que está vindo o time que mostra melhores chances de ascender ao Campeonato Holandês, em 2013/14: o MVV, que lidera a segunda divisão com certa vantagem.
Mesmo que acabem caindo de produção ao longo da temporada, os Sterrendragers já estão garantidos na disputa de uma vaga na Eredivisie. Afinal de contas, cabe lembrar: o campeão da Eerste Divisie tem o acesso garantido, mas as duas possíveis vagas ficam para a Nacompetitie. Disputada entre os vencedores dos quatro períodos do campeonato normal (dois de nove rodadas, dois de oito) e os quatro melhores colocados abaixo desses vencedores, é um mata-mata, no qual os dois finalistas enfrentam 16º e 17º colocados da primeira divisão. Quem ganhar, fica com as vagas na Eredivisie.
Dito isso, cabe comentar as razões da boa campanha do MVV. Que residem, principalmente, na boa defesa do time treinado por René Trost, fortalecida pelas aquisições na janela de transferências. Começando pelo gol, onde o belga Bram Castro enfim ganha o ritmo de jogo que não tinha desde a ótima passagem pelo Roda JC. Castro trouxe comando a uma defesa que já tinha gente experimentada, como os laterais Sjors Verdellen e Sjoerd Winkens.
Não impressiona, logo, que o time tenha a defesa mais forte da Eerste Divisie: apenas dez gols sofridos em doze rodadas, junto do Fortuna Sittard. E até ajuda a explicar a ótima campanha: nove vitórias, dois empates e uma derrota, que só veio na 11ª rodada (1 a 0 para o Sparta Rotterdam). Mas seria pouco, se não fosse o bom desempenho do ataque. Não que haja um destaque: nenhum dos atacantes figura entre os artilheiros da segunda divisão. Mas é exatamente esta coesão que ajuda o MVV a despontar.
No meio-campo, Nathan Rutjes (outro reforço para a temporada) arma as jogadas, para que o trio de atacantes finalize. E até mesmo o número de gols marcados indica que os três não são nada egoístas: Danny Schreurs tem sete gols, Mark Veldmate tem cinco, e Malcolm Esajas tem quatro. Não bastasse o desempenho elogiável dos avantes, o belga Leroy Labylle, vindo do Standard Liège, ainda é muito utilizado: mesmo sem ser titular, entrou em dez dos doze jogos da campanha. Tem apenas um gol na temporada, mas pode entrar no time ao menor descuido de Veldmate, Esajas ou Schreurs.
E, ao contrário da moeda que teve nascimento em sua cidade, o MVV afasta o cenário de crise, atualmente, sonhando com um retorno à Eredivisie, que não joga desde 1999/2000 – o exato ano em que o euro entrou em circulação. Mas, agora, ao contrário da unidade monetária, o futebol é que ganha importância em Maastricht.
Organizando a casa
Sem Sneijder, sem Van Persie (cortado no final de semana, por lesão na coxa), com Huntelaar colocado no banco. A Holanda estava com seu poder de ataque bem diminuído para o amistoso contra a Alemanha, último do ano. Por sorte, o Nationalelf também foi atingido pelas perdas de Mesut Özil e Miroslav Klose. Resultado: uma partida que tinha tudo para ser o acerto de contas dos humilhantes 3 a 0 em Hamburg, no ano passado, virou um insípido 0 a 0 em Amsterdã, com uma bola na trave chutada por Marco Reus como único lance digno de nota.
De todo modo, valeu para que Louis van Gaal pudesse fazer mais experiências à frente da seleção. Com Stekelenburg fora de combate e Krul ainda se recuperando de lesão no cotovelo, Kenneth Vermeer ganhou sua primeira oportunidade no gol da seleção adulta – embora não possa ter sido avaliado, pela falta de perigo constante. Van Ginkel, destaque do Vitesse na atual temporada, também teve sua chance, substituindo Afellay no segundo tempo.
Ainda assim, como já dito, a partida foi insignificante demais para que se possa tirar qualquer conclusão. Infelizmente, um jogo que poderia mostrar quão benéfica (ou maléfica) tem sido a renovação que Van Gaal empreende dentro da Oranje foi mais um amistoso inútil. De todo modo, o técnico passou os quase seis meses em que já está à frente da seleção batava arrumando a casa. Quem sabe 2013 traga respostas mais concretas à derrocada vista após a eliminação na Eurocopa.



