Como tem passado?

O Campeonato Belga retornará em 14 de janeiro, com a 20ª rodada da fase de classificação – que contará, inclusive, com o clássico entre Anderlecht e Club Brugge. Até aqui, no entanto, a Jupiler League anda nivelada por baixo, como se esperava. O próprio líder serve de exemplo: o Anderlecht não conseguiu ganhar do OH Leuven, que subiu nesta temporada, e perdeu para o Mechelen, que também faz campanha decepcionante. E diga-se que a equipe do Constant Vanden Stock anda em ótima fase, como a campanha na Liga Europa revela.
Mesmo assim, a equipe das redondezas de Bruxelas continua favorita ao título. Mas está em alerta: é perseguida de perto pelo Gent, que ensaia, enfim, mostrar mais concretamente a sólida evolução que experimenta nas últimas temporadas. O Club Brugge, ainda mediano, tem condições de melhorar e chegar mais proximamente à disputa da liderança. No entanto, todas essas expectativas terão de ser reavaliadas após a definição dos play-offs pelo título e pela Liga Europa.
Aliás, o presidente da liga, Ivan de Witte, que preside o Gent, sinalizou com a interessante medida de diminuir o número de clubes da primeira divisão para 14 – e a EXQI League, segunda divisão, teria apenas 10. Segundo De Witte, a medida seria razoável, tendo em vista a pequena extensão territorial da Bélgica e os problemas financeiros de alguns clubes. Faz muito sentido. Mas só daria certo se o regulamento confuso abrisse caminho para a volta da disputa normal em pontos corridos.
Todavia, isso é assunto para daqui a algum tempo. Por enquanto, é melhor a coluna fazer a retrospectiva da primeira parte da temporada para todos os times da Jupiler League. Confira.
Anderlecht
Posição: 1º lugar, com 40 pontos (12 vitórias, 4 empates e 3 derrotas)
Técnico: Ariël Jacobs
Destaque: Matías Suárez
Objetivo do início: título
Perspectiva: como no ano passado, é o favorito ao título. Pelo menos, até o hexagonal
Como na temporada passada, os Mauves lideram a fase regular. Têm nos calcanhares um rival (agora, o Gent), que não deixa o time descansar. E isso é de extrema valia. Pois o bom elenco que Ariël Jacobs tem em mãos mantém a atenção. Jogadores como Suárez e Gillet rendem muito bem. Há a ótima campanha na Liga Europa – ser o único clube com 100 por cento de aproveitamento na fase de grupos é algo notável. Enfim, a fase é boa pelos lados de Parc Astrid, como há algum tempo não era. No entanto, as últimas rodadas de 2011 revelaram irregularidade: vitórias difíceis, e tropeços repetidos, como os empates diante de Mons e OH Leuven. Esse fator já tirou o título no hexagonal passado, em 2010/11. Os roxos e brancos precisam estar alertas para evitarem novo final infeliz.
Gent
Posição: 2º lugar, com 39 pontos (12 vitórias, 3 empates e 4 derrotas)
Técnico: Trond Sollied
Destaque: Bernd Thijs
Objetivo do início: Vaga na Liga dos Campeões
Perspectiva: brigará pelo título
Já se sabe, há algum tempo: o projeto do Gent, enquanto clube, é bem consistente. A base é sólida, jogando junta há algum tempo. As campanhas já renderam participações na Liga Europa e títulos da Copa da Bélgica. Mas, agora, somente com a Jupiler League na alça de mira e a participação no terceiro hexagonal seguido, parece que os Búfalos estão diante da maior chance em muito tempo para conquistarem o primeiro título nacional dos seus 147 anos. Fica o desafio de manter a ótima campanha, para aproveitar eventuais tropeços do Anderlecht. E, no hexagonal, o time tem a obrigação de se impor como favorito desde o começo.
Club Brugge
Posição: 3º lugar, com 37 pontos (11 vitórias, 4 empates e 4 derrotas)
Técnico: Christoph Daum
Destaque: Bjorn Vleminckx
Objetivo do início: título
Perspectiva: um pouco mais atrás dos líderes, mas também pode levantar o troféu
A coluna supunha que a saída algo surpreendente de Adrie Koster trazia o risco de os Azuis-e-Negros desabarem. Mas Christoph Daum chegou. E seu esquema conservador ajudou a resolver o problema que causou a demissão do antecessor: a fragilidade defensiva. A linha de quatro defensores comumente escalada por Daum cresceu de desempenho, e deve melhorar ainda mais com a recente chegada do seguro Jorgacevic, vindo do Gent, para o gol. Nabil Dirar arma bem as jogadas, e, no ataque, Vleminckx virou a referência, como esperado – contando ainda com a ajuda de Akpala. E revelações surgiram, como Jimmy de Jonghe. Mas o desempenho, como um todo, ainda é mediano. O Brugge dá a impressão de precisar ficar mais encorpado, se quiser acabar com o jejum de sete anos.
Kortrijk
Posição: 4º lugar, com 33 pontos (10 vitórias, 3 empates e 6 derrotas)
Técnico: Hein Vanhaezebrouck
Destaque: Erwin Zukanovic
Objetivo do início: vaga na Liga Europa
Perspectiva: faz boa campanha, e tem tudo para disputar o hexagonal
Os alvirrubros não são considerados um clube com perspectivas de crescimento, como Gent ou mesmo Racing Genk. Mas, de vez em quando, cumprem campanhas que merecem
aplauso. Foi assim há duas temporadas, quando o trabalho que fez, levando o time ao hexagonal final, trouxe Georges Leekens de volta à seleção belga. Então, Hein Vanhaezebrouck voltou ao cargo deixado exatamente para Leekens entrar. Contando com uma boa atuação na janela de transferências antes da temporada (e com o rendimento satisfatório dos que já estavam no elenco, como Mustapha Oussalah, além das ótimas surpresas que foram Czvitkovics e Zukanovic), Vanhaezebrouck faz um bom trabalho. E os Kerels têm ótima oportunidade para repetir uma boa temporada. Quem sabe, até sonhando com lugar em competições europeias.
Standard Liège
Posição: 5º lugar, com 31 pontos (8 vitórias, 7 empates e 4 derrotas)
Técnico: José Riga
Destaque: Mohamed Tchité
Objetivo do início: título
Perspectiva: deve ir ao hexagonal, mas tem de acabar com a irregularidade se quiser o título
O Standard tem um elenco razoável, nada brilhante – ainda mais depois das saídas de Defour e Witsel. Mas com nível bom o suficiente para conseguir avançar à segunda fase da Liga Europa e para solucionar um começo turbulento, entrar no sexteto que ficará para disputar o título e lá se manter. Todavia, o time que José Riga comanda depende demais de “Meme” Tchité. E, de mais a mais, a despeito da defesa poder ser considerada boa, alguns resultados apontam a irregularidade supracitada – como a derrota para o adversário direto Kortrijk, por 2 a 0. E mesmo que ainda esteja na zona do hexagonal, a equipe de Sclessin não vence há quatro rodadas. Se quiser sonhar com o título, o time razoável no papel terá de sê-lo também dentro de campo.
Racing Genk
Posição: 6º lugar, com 30 pontos (8 vitórias, 6 empates e 5 derrotas)
Técnico: Mario Been
Destaque: Jelle Vossen
Objetivo do início: título
Perspectiva: disputará vaga no hexagonal final com o Cercle Brugge
A eliminação na fase de grupos da Liga dos Campeões não foi surpreendente. Mas esperava-se uma campanha mais honrosa do Genk na Jupiler League, algo que mantivesse
o status de atual campeã. Não é o que tem acontecido. A equipe não foi bem na primeira metade da fase regular. Tem sofrido com as perdas no elenco – como a de Ogunjimi (a imprensa falou que Jelle Vossen, o destaque do time, também quer sair, mas o atacante negou). Apenas no final de 2011 se aprumou um pouco, e conseguiu entrar mais seriamente na disputa por uma vaga no hexagonal final. E vencer o adversário direto Cercle Brugge, enfim, deu a posse transitória do sexto lugar. No entanto, o Racing Genk decepciona. E nada indica que irá além de uma briga por Liga Europa, seja disputando o título, seja jogando os playoffs entre 7º e 14º.
Cercle Brugge
Posição: 7º lugar, com 30 pontos (8 vitórias, 6 empates e cinco derrotas – perde para o Racing Genk no número de gols pró)
Técnico: Bob Peeters
Destaque: Oleg Iachtchouk
Objetivo do início: vaga na Liga Europa
Perspectiva: como esperado, faz campanha segura, e até merece mais o lugar no hexagonal
Há muito tempo, o time menor de Bruges merecia uma campanha como a que faz atualmente. É um clube que não sofre com solavancos: nunca chegou perto do título, mas o rebaixamento também não foi uma ameaça constante. Com uma base formada por jogadores há muito tempo no clube (como o próprio destaque, Oleg Iachtchouk, além do goleiro Bram Verbist, os zagueiros Bernt Evens e Hans Cornelis e o meia Arnar Vidarsson) e o bom trabalho que Bob Peeters faz, o Cercle promete disputar vaga no hexagonal final até a última rodada. E tem boas chances de conquistá-la.
Mons
Posição: 8º lugar, com 27 pontos (7 vitórias, 6 empates e 6 derrotas)
Técnico: Dennis van Wijk
Destaque: Jérémy Perbet
Objetivo do início: escapar do rebaixamento
Perspectiva: faz campanha acima das expectativas. Cuidando-se, brigará por Liga Europa
Para um time que subia da EXQI League, a campanha do Bergen (o nome do Mons para a parte flamenga da Bélgica, que fala holandês) supera completamente as expectativas.
Dois reforços vindos para a atual temporada, Chris Makiese e Ibou Sawaneh, colaboram para a boa campanha do time. Mas o destaque é Perbet, sem dúvida. Não só o atacante
não retornou ao Lokeren, como é simplesmente o artilheiro da Jupiler League: 16 gols em 18 jogos. Porém, de nada adiantaria se não fossem resultados surpreendentes (o
time arrancou empates contra Anderlecht e Gent). Os Dragões fazem por merecer a posição que ocupam. E, se se esforçarem um pouco mais, podem até sonhar com o
hexagonal. Não passa de sonho, por engano. Mas permanecer na divisão de elite também era um sonho – e está bem próximo de ser realizado.
Beerschot
Posição: 9º lugar, com 25 pontos (6 vitórias, 7 empates e 6 derrotas)
Técnico: Jacky Mathijssen
Destaque: Hernán Losada
Objetivo do início: vaga na Liga Europa
Perspectiva: deve cumprir o que se esperava sem muitos problemas
Talvez a campanha do time de Antuérpia seja a mais discreta entre os 16 times da Jupiler League. Não protagonizou grandes vexames, nem grandes surpresas positivas ao longo das 19 rodadas disputadas. Por mais contratações que tenham sido feitas (por exemplo, a de Stijn Stijnen), a equipe realiza uma campanha em que não faz mais do que se esperava dela. Mas, graças às boas atuações de gente como Ibrahima Sidibé e Losada, os Ratos deverão conseguir o lugar nos playoffs por vaga na Liga Europa. E cumprir a expectativa do início da temporada é uma maneira de ter sucesso, salvo engano.
Mechelen
Posição: 10º lugar, com 21 pontos (5 vitórias, 6 empates e 8 derrotas)
Técnico: Marc Brys
Destaque: Julien Gorius
Objetivo do início: vaga na Liga Europa
Perspectiva: até tentará a vaga desejada, mas poderia estar em melhor situação
Se não houvesse o Racing Genk, até se poderia dizer que os aurirrubros são a maior decepção do campeonato. O time conta com um elenco experiente e já entrosado. Fez contratações promissoras, na teoria, como Kevin Vandenbergh e Jaime Ruiz. E há duas temporadas ensaiava ocupar um lugar entre os seis que disputam o título após a fase regular. Não é o que tem acontecido: o KaVé sofreu até uma derrota vexatória, o 6 a 2 para o Gent. E ter vencido o líder Anderlecht não significa que o time esteja bem. Disputar vaga na Liga Europa é até o previsto. Mas, em que pese o bom desempenho de Gorius e David Destorme, esperava-se mais dos Malinwa.
OH Leuven
Posição: 11º lugar, com 20 pontos (5 vitórias, 5 empates e 9 derrotas)
Técnico: Ronny van Geneugden
Destaque: Derick Ogbu
Objetivo: escapar do rebaixamento
Perspectiva: tem resultados surpreendentemente positivos, mas tem de ser mais regular
Como se sabe, os Leuvenaren subiram nesse ano. E também têm um saldo positivo, a exemplo do Mons, companheiro de acesso. Ainda precisam tomar mais cuidado, pois sofrem com a irregularidade. Já tiveram sequências invictas (quatro partidas) e somente com derrotas (três). Já sofreu 6 a 1 do Gent, mas não perdeu do Anderlecht (2 a 1 no primeiro jogo, e empate sem gols no segundo) e venceu o Club Brugge, há duas rodadas. Todavia, a equipe apresenta muito esforço em campo – e até algum talento, no caso de Derick “Chuka” Ogbu e Bjorn Ruytinx. Esforço que até merece ser recompensado com a permanência na Jupiler League.
Lokeren
Posição: 12º lugar, com 20 pontos (4 vitórias, 8 empates e 7 derrotas)
Técnico: Peter Maes
Destaque: Benjamin de Ceulaer
Objetivo: vaga na Liga Europa
Perspectiva: precisa melhorar para afastar de vez o fantasma do rebaixamento
Os Tricolores poderiam até ser considerados decepções, pois vinham de participação no hexagonal final em 2010/11. No entanto, não se pode esquecer que vivem montanha-russa em suas campanhas: no campeonato retrasado, ficaram na 14ª posição, primeira acima da zona de rebaixamento/repescagem, e, em 2008/09, veio a sétima colocação. E a campanha atual dá a impressão de que o bom desempenho do ano passado foi literalmente excepcional, no sentido de ter sido uma exceção. A despeito de alguns jogadores confiáveis, como De Ceulaer ou o goleiro “Copa” Barry (mas esse último nem é surpresa), o Lokeren dá a impressão de que não poderá ir além dos playoffs por Liga Europa. E é bom tomar cuidado com a zona do rebaixamento.
Lierse
Posição: 13º lugar, com 17 pontos (3 vitórias, 8 empates e 8 derrotas)
Técnico: Chris Janssens
Destaque: Mohamed Elgabas
Objetivo: vaga na Liga Europa
Perspectiva: está no limite, como em 2010/11. Se se descuidar, terá de fugir do rebaixamento
Os Pallieters até prometiam melhorar, após o sufoco da última temporada. Contudo, a exemplo de 2010/11, continuam negando fogo e se revelando uma equipe ruim. Incapazes de manter a leve reação observada sob o comando de Trond Sollied, na última temporada, o elenco ainda atua abaixo da média, sofrendo com o excesso de empates e derrotas. Mesmo contando com alguns atletas que têm margem de crescimento, como o egípcio Elgabas, Daylon Claasen e o goleiro Kawashima (além de veteranos como Sonck, Maric e o angolano Flávio), o clube de Lier precisa melhorar, se não quiser repetir o ano passado e entrar no play-off da Liga Europa pela porta dos fundos.
Zulte Waregem
Posição: 14º lugar, com 15 pontos (2 vitórias, 9 empates e 8 derrotas)
Técnico: Francky Dury
Destaque: Giuseppe Rossini
Objetivo: vaga na Liga Europa
Perspectiva: temporada decepcionante. Corre sério risco na luta contra a queda
O Essevee tratou de tentar sacudir a péssima temporada tão logo 2011 terminou. Dispensou o técnico Darije Kalezic e conseguiu tirar Francky Dury da seleção sub-21 da Bélgica, trazendo-o de volta ao cargo que ocupou por nove anos, entre 2001 e 2010. Fez bem: Dury talvez saiba como reanimar um elenco cujos jogadores conhecem bem. Porque a responsabilidade pelo mau desempenho cabe mais aos próprios atletas – e inclua-se aí reforços que mostraram pouco até agora, como Moussa Maazou e Habib Habibou. Sendo assim, resta ao clube esperar por melhoras imediatas. Ou preocupar-se em não entrar na zona da queda.
Westerlo
Posição: 15º lugar, com 13 pontos (3 vitórias, 4 empates e 12 derrotas)
Técnico: Jan Ceulemans
Destaque: Shlomi Arbeitman
Objetivo: vaga na Liga Europa
Perspectiva: sofrendo com as perdas, o time decepciona. Deve disputar o play-off contra o rebaixamento.
No guia da atual temporada, esta coluna alertava para a turbulência que os Kempeneers sofriam. Jogadores importantes na boa campanha da última temporada, como Paulo Henrique e Jaime Ruiz, deram adeus. Outros atletas foram deixando o clube, como Christian Brüls, outro destaque. E os reforços ainda não emplacaram. O resultado é um time que só pode se fiar em Dekelver e Arbeitman, o único contratado a ter vingado em Het Kuipje. Se há alguma esperança, é que o clube já corre atrás de reforços, como Reynaldo, que foi emprestado pelo Anderlecht. E que isso baste para fazer o clube disputar os play-offs pela Liga Europa. Ou, pelo menos, para entrar mais forte nos duelos contra o rebaixamento.
Sint-Truiden
Posição: 16º lugar, com 12 pontos (2 vitórias, 6 empates e 11 derrotas)
Técnico: Franky van der Elst
Destaque: Reza Ghoochannejhad
Objetivo: escapar do rebaixamento
Perspectiva: a mágica de 2009/10 se acabou. O rebaixamento é bem provável
Está claro: o time que conseguiu fazer parte do hexagonal pelo título em 2009/10, a primeira temporada após o retorno à elite, é coisa do passado. Jogadores-chave, como Mignolet, Odoi e Sidibé, se foram. E os remanescentes não repetem nem de perto as façanhas de outras épocas – em que pesem os gols de Reza Ghoochannejhad, a única coisa boa da primeira parte da temporada. Sobrou para o técnico: Guido Brepoels, que trouxe os Canários de volta à elite, deu lugar a Franky van der Elst. E o histórico ex-meia, que jogou quatro Copas pela Bélgica (esteve em todas entre 1986 e 1998), ainda não deu mostras de que pode resolver a situação. Mesmo que o rebaixamento ainda não seja o destino inevitável, é o mais provável para o Sint-Truiden.



