Holanda

Vitesse consegue destaque com mais “protagonistas”

No ano passado, o Vitesse já fez ótima campanha no Campeonato Holandês. Empurrado pela sustentação financeira que o mecenato de Merab Jordania dava, a equipe de Arnhem fez boas contratações, chegou a sonhar com o título, e garantiu vaga na terceira fase preliminar da Liga Europa. No entanto, a preparação rumo à Eredivisie 2013/14 deu um incômodo tom de fim de festa.

Desgastado por alguns problemas com Merab Jordania, o técnico Fred Rutten saiu; alguns jogadores cedidos pelo Chelsea retornaram a Stamford Bridge, como Tomas Kalas, fora a ida de Marco van Ginkel para o clube inglês; e o sonho de participar da Liga Europa não passou da derrota para o Petrolul Ploiesti, da Romênia. Mas o principal fator a causar ligeira descrença era a saída de Wilfried Bony.

Embora inevitável, pelo ótimo desempenho (31 gols em 30 jogos, no Holandês 2012/13), perder o marfinense era perder o principal homem dentro de campo, perder alguém que poderia manter o clube aurinegro como um perigoso concorrente a outros adversários – e até aos clubes grandes. Ficava a pergunta: haveria queda brusca em 2013/14?

Pelo visto, a resposta é negativa. Porque, na marcha do holandês doido que rege a Eredivisie da temporada atual, é a vez do Vitesse ocupar a ponta, momentaneamente. Mas o melhor aspecto que a boa campanha traz é ver que a equipe conseguiu se recompor da saída de Bony. Ao invés de depositar todas as suas esperanças de ataque em somente um atleta, a equipe soube mudar seu estilo para dar um desempenho mais homogêneo ao ataque.

Isso é notável até mesmo no esquema tático mais comum sob o comando de Peter Bosz: ao invés de um 4-5-1 travestido de 4-2-3-1, Bosz coloca a equipe para jogar sob um 4-3-3, com pontas bem abertos (o típico esquema holandês). Isso já faz com que o ataque se torne mais forte. Mas de nada adiantaria o esquema se não fossem os jogadores. E eles têm exibido boas atuações. Aqui na Trivela, já se falou sobre Lucas Piazon – mais precisamente, nesta página. Mas há mais nomes.

Um bom exemplo é Guram Kashia. Até esta temporada, o lateral direito georgiano era apenas um coadjuvante no time, cumprindo seu papel discretamente. Mas tem demonstrado versatilidade, ao poder atuar na lateral e no miolo de zaga, fazendo parceria com Jan-Arie van der Heijden – e abrindo espaço para Kelvin Leerdam, opção mais confiável de ataque pela direita. Não é à toa que Leerdam é vice-artilheiro do Vitesse no Holandês, com quatro gols.

Falando em ataque, não é só Lucas Piazon que está fazendo bom papel com a camisa aurinegra. Na disputa para ver quem seria o homem-gol da equipe, Mike Havenaar se mostrou mais disposto e atento do que Jonathan Reis. E o japonês de ascendência holandesa tem correspondido: marcou quatro gols, e ocupa a posição centralizada entre o trio de atacantes, enquanto Piazon vem pela esquerda e o equatoriano Alex Renato Ibarra, pela direita.

No meio-campo, se perdera a companhia de Marco van Ginkel, Theo Janssen viu, enfim, a esperada afirmação de Valeri Qazaishvili como uma importante opção no setor. O georgiano mostra algum talento para chegar de surpresa no ataque. E até para arriscar de fora, como se viu no gol da importante vitória sobre o Ajax, em plena Amsterdam ArenA, na 11ª rodada.

Qazaishvili, Havenaar, Lucas Piazon, Kashia, Leerdam… quem chegou até aqui (pelo que agradeço) já sacou que o Vitesse deixou de depender tanto de um jogador quanto dependia de Bony na temporada passada. Nas duas próximas rodadas, enfrenta o Cambuur e o Go Ahead Eagles, adversários relativamente fáceis. Vencê-los pode transformar o time num ocupante definitivo das primeiras posições da tabela, à beira do final do primeiro turno. Nada mal, num campeonato maluco como o Holandês.

E havia o que aprender…

Como dito na semana passada, os amistosos contra Japão e Colômbia pareciam pouco úteis para a seleção holandesa. E o jogo contra os nipônicos estava nessa toada: embora a equipe de Alberto Zaccheroni tenha começado impondo pressão no ataque, a Laranja fizera 2 a 0 com certa facilidade. Até o penúltimo minuto do primeiro tempo, quando Yuya Osako diminuiu a vantagem holandesa.

No segundo tempo, então, uma queda de produção que já era preocupante ficou alarmante. Entrando em campo no intervalo, Shinji Kagawa tornou a vida da defesa holandesa um inferno, apelando para rápidas triangulações com Yasuhito Endo e Keisuke Honda – este, autor do gol de empate. Pior: a saída de Nigel de Jong enfraqueceu a marcação holandesa no meio-campo. Daley Blind não obteve êxito ao ser improvisado no setor, a insegurança dos jogadores ficou escancarada, e a virada japonesa só não veio por falta de pontaria.

Felizmente, houve melhora holandesa nesse setor contra a Colômbia: mesmo atuando com um a menos desde os 35 minutos do primeiro tempo (aliás, expulsão desnecessária, a de Lens), o time conseguiu controlar relativamente bem o respeitável ataque adversário. Teve de renunciar ao ataque após as lesões de Siem de Jong e Van der Vaart, é certo. Mas conseguiu levar o jogo do seu modo, chegando ao 0 a 0 que fez a Holanda tornar-se a única seleção europeia sem derrotas em 2013.

E justamente em dois amistosos que aparentemente nada tinham a oferecer, a Holanda viu: é capaz de melhorar a sua defesa, sobre a qual ainda pairam desconfianças. Mas precisa fazer isso antes da Copa. E precisa encontrar um antídoto contra ataques rápidos. Caso contrário, um cenário como o de um “grupo da morte” pode ser fatal para a Oranje.

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