Motivado, Twente demonstra força com elenco renovado
Experimente dar uma olhada no elenco do Twente que disputa o Campeonato Holandês. Bem, melhor não. Provavelmente, você tem coisa melhor e mais importante para fazer. O colunista já fez isso e viu 21 jogadores já utilizados na campanha do time de Enschede na Eredivisie da temporada atual. Mais um dado interessante: desses 21, dez atletas atuaram em todas as nove partidas dos Tukkers pelo campeonato nacional holandês. Isso facilita o entrosamento de um time, convenhamos.
É uma das razões que explicam o bom começo da equipe no Holandês: após nove rodadas, o Twente é líder, com 18 pontos (a pontuação é igual à do PSV, mas a equipe supera os Eindhovenaren no número de gols marcados – 22, contra 21). Um começo que era desejado, após o final de temporada traumático em 2012/13: lembremos, a equipe terminou o primeiro turno disputando firme a ponta, mas teve uma sequência de maus resultados, teve de se consolar com os play-offs por vaga na Liga Europa. E até nisso fracassou.
O sentimento de mudança era evidente. E ele aconteceu até no banco de reservas, por uma razão imprevista: o ex-jogador Alfred Schreuder, que era auxiliar de Steve McClaren e sucedeu o inglês depois da demissão, não tinha o diploma de técnico concedido pela federação holandesa. Resultado: voltou a ser auxiliar, deixando a vaga para Michel Jansen, que também estava na comissão técnica.
Jansen, por sua vez, tinha de montar uma base quase completamente nova. Mihaylov e Douglas, dois personagens bastante conhecidos no Twente, deixaram o clube; Peter Wisgerhof há muito não é o principal zagueiro no elenco do clube; Wout Brama, antes volante e um dos sustentáculos do Twente – até por ser cria da casa -, sofre com a difícil recuperação de um problema renitente no tendão de Aquiles. Willem Janssen, que poderia ser o substituto de Brama, foi emprestado ao Utrecht.
Era em torno de alguns poucos nomes, como Dusan Tadic, Roberto Rosales ou Felipe Gutiérrez, que o Twente teria de ser reconstruído. E o foi, com contratações acertadas e apostas que deram certo. No elenco, dois zagueiros estavam prontos para ser titulares em conjunto. E a dupla formada por Rasmus Bengtsson e Andreas Bjelland tem merecido a confiança. Não só na parte de trás, na qual é a menos vazada da liga, com apenas cinco gols sofridos. Mas na frente também: em nove jogos, Bengtsson já fez quatro gols, ótimo índice para um zagueiro. No gol, Nick Marsman não tem decepcionado, também.
Mas é no meio-campo que está a grande fórmula do sucesso do Twente. Com três novatos em campo, nenhum deles tendo a marcação como maior característica, a velocidade foi empregada para solucionar os problemas na defesa e na armação. E Kyle Ebecilio, vindo do Arsenal, resolve tudo gastando energia junto do ganês Shadrach Eghan. Este, aliás, é o grande destaque do setor: tanto se esforça para melhorar o trabalho da defesa, como também ajuda Gutiérrez no ataque.
Como resultado, nada de se espantar que o ataque tenha começado a funcionar. Principalmente um personagem que já estava em Enschede no ano passado: Luc Castaignos. Contratado junto à Internazionale para tentar ser o homem de referência que o Twente não tem desde Bryan Ruiz, Castaignos era criticado, além da falta de gols, pela falta de empolgação e vontade que demonstrava. Pois vem se esforçando para resolver: além de já ter feito quatro gols, apresenta maior velocidade e se apresenta mais como opção de jogadas (sem contar o inacreditável gol contra a Geórgia, pela seleção sub-21, nas eliminatórias para a Euro da categoria). Isso, claro, além de Dusan Tadic: artilheiro do time, com cinco gols, o sérvio já alcançou o papel de grande destaque na equipe.
Tudo isso já foi suficiente para bons resultados, como goleadas contra Utrecht (6 a 0) e Groningen (5 a 0). Porém, em que pese a goleada por 4 a 1 sobre o Feyenoord, em pleno De Kuip – facilitada pela expulsão de De Vrij, sejamos justos -, a equipe ainda deve um bocadinho contra rivais diretos: empatou em casa com PSV e Heerenveen. Neste sábado, tem a chance de receber o Ajax. E, ganhando, provar que se recompôs bem para seguir em alta na Holanda.
Tarefa (quase) cumprida
Hora de ousar: a Holanda não será cabeça de chave na Copa do Mundo. É muito, mas muito difícil imaginar que o Uruguai deixará a Jordânia aprontar uma surpresa mastodôntica na repescagem por vaga no Mundial do ano que vem, única esperança que restou. Ou seja, crescem as chances de a Oranje cair num grupo da morte, no sorteio de 6 de dezembro, na Costa do Sauípe, na cidade baiana de Mata de São João.
De todo modo, a Holanda fez o dela. Não só pela inesperada e ótima goleada por 8 a 1 contra a Hungria, quando Robin van Persie viveu seu apogeu, fazendo três gols e tornando-se o grande goleador da história da seleção de seu país. Mas principalmente pela atuação segura contra a Turquia: no ambiente de pressão alta do Sukru Saraçoglu, os holandeses foram serenos ao extremo.
Óbvio, o gol precoce de Robben, em cobrança de falta beneficiada pela falha de posicionamento de Volkan Demirel, ajudou nessa calma. Mas a defesa poderia colocar algumas coisas a perigo. Não foi o que aconteceu, até pelo próprio nervosismo dos turcos na hora de colocar a bola nas redes. Como a Holanda não tinha nada a ver com isso, fez 2 a 0. E fechou eliminatórias quase perfeitas. Agora, resta esperar pela sorte – que já foi madrasta nos sorteios da Copa de 2006 e das Euros de 2008 e 2012. Ou, talvez, reste esperar pela façanha da Jordânia. Futebol tem dessas coisas, não tem?



