Holanda

Com negociações, Vitesse deixa clara a ligação com Chelsea

Já se disse aqui mais de uma vez: embora nada tenha sido descoberto sobre sua aparição e sua atuação no Vitesse, o georgiano Merab Jordania tem um ar de sujeito que não é flor que se cheire. Enfim, parece alguém de quem não se compra nem um carro usado. Primeiramente, por seu histórico conturbado no futebol de seu país natal: foi presidente da federação entre 1998 e 2002, tendo renunciado temporariamente ao cargo por discordâncias de outros membros da direção. Em 2003, tornou-se técnico da seleção. No final daquele mesmo ano, no meio de uma “operação mãos limpas” guiada pelo presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, Merab foi preso, ficando detido por alguns meses.

Pensa que acabou? Pois continua: em 2005, logo após deixar a federação, Jordania foi novamente preso, em razão de suspeitas de suborno. Depois de nova libertação, Merab fundou uma empresa, a MJ-Georgia, que lidava com transferências e compras de direitos de transmissão de sorteios. Não que fosse inexperiente no assunto: no final da década de 1990, já intermediara a ida de vários jogadores para a… Holanda. Como Shota Arveladze e Georgi Kinkladze, que foram para o Ajax. Ou Archil Arveladze, irmão de Shota, para o NAC Breda.

Mas voltemos à história de Merab Jordania. Por meio da empresa que abrira, começou a se ligar a vários clubes, para administrá-los. Tentou a Islândia, onde encerrara sua carreira como atleta. Depois, veio para a Bélgica, onde esteve no Mechelen. Mas não houve muito sucesso. Até que apareceu o Vitesse, em séria crise, necessitando de alguém para solucionar suas dívidas. Jordania disse presente. E comprou o clube, em agosto de 2010. Pouco depois, confirmou: era o testa de ferro de um milionário russo, Shalva Chigrinskiy.

Como dono de uma fortuna de US$ 2,3 bilhões, surgida de (adivinhe) privatizações das estatais petrolíferas da antiga União Soviética, Chigrinskiy repete a história de… é, desse mesmo, Roman Abramovich. Desnecessário dizer a ligação de Abramovich com o futebol. Mas é necessário dizer que Abramovich tornou-se amigo de… Merab Jordania. Daí, explica-se algo que é cada vez mais visível, nesta janela de transferências que está correndo: a relação entre Vitesse e Chelsea.

Ela já estava delineada desde a temporada 2010/11, quando o zagueiro sérvio Slobodan Rajkovic, ligado ao Chelsea, com empréstimos a PSV e Twente, foi-se para Arnhem. Também em 2010, o mesmo caso aconteceu com outro zagueiro sérvio, Nemanja Matic – que ali chamou a atenção do Benfica, que negociou com o Chelsea e o contratou, em 2011. Naquele ano, o tcheco Tomas Kalas, pertencente ao clube de Stamford Bridge, é que foi cedido ao Vitesse, por empréstimo.

No ano passado, foi a vez de mais dois jogadores jovens dos Blues seguirem para a Holanda: o lateral esquerdo Patrick van Aanholt e o atacante Gaël Kakuta – sim, exatamente o mesmo que o Chelsea teria aliciado, enquanto estava ligado ao Lens-FRA, resultando numa suspensão do jogador por quatro meses, em 2007.

Pois bem: na preparação para 2013/14, foi confirmado que Van Aanholt e Kakuta seguirão emprestados por mais uma temporada. Mas, no Chelsea, José Mourinho terá a função de renovar o elenco dos Blues. Para isso, reforçou-se com… o próprio Vitesse. Kalas, por exemplo, já foi reintegrado e será incluído no elenco do Chelsea. De quebra, um egresso da base do Vitesse, Marco van Ginkel, é uma das contratações do clube inglês para a temporada.

Claro, o técnico português tratou de elogiar o novo reforço – com justiça, diga-se de passagem: “Van Ginkel é muito talentoso. Ainda não foi tão longe quanto Schürrle, mas é um jogador com muito potencial. Certamente precisará de tempo de jogo, e o terá. Ele tem muito talento, e está mais do que preparado, fisicamente. É um atleta por natureza”.

Van Ginkel, de fato, é aposta das mais válidas. Titular absoluto da equipe que jogou o Europeu sub-21, também já teve suas convocações para a Oranje adulta. E provavelmente irá à Copa do Mundo, em caso de classificação nas eliminatórias. Mas o volante técnico e promissor é, indiretamente, uma mostra de como o Vitesse virou uma espécie de “parceiro oficioso” do Chelsea.

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