Holanda

Coisas boas e ruins

“É muito difícil para Robin. E também para o seu clube, bem como para nós. A experiência com ele sendo o único atacante teve de ser jogada no lixo, depois de oito minutos.” Assim reagiu Bert van Marwijk ao rompimento parcial dos ligamentos do tornozelo esquerdo do atacante do Arsenal, que diminuiu bastante o poder do novo ataque da Holanda – e, portanto, o interesse que poderia haver nos amistosos contra Itália e Paraguai.

No jogo frente à Azzurra, em Pescara, o time até começou bem o primeiro tempo. Mas, aí, veio a jogada infeliz, em que Van Persie torceu o tornozelo, numa dividida com Chiellini. E não passou disso: uma jogada infeliz. O carrinho não foi dado com a intenção de machucar, e o defensor da Juventus não é um jogador violento. Portanto, palavras como as de Kuyt (“Algumas vezes, quando você joga um amistoso, deve ter mais respeito e cuidado com os outros”) soam exageradas. Até porque o italiano se justificou, dizendo que o próprio atingido pela jogada achou que a dividida era o único recurso que lhe restava.

De qualquer modo, a saída de Robin terminou de dilapidar uma Oranje que já tinha seu poder de ataque bastante prejudicado, pelas más condições físicas com que Robben e Sneijder se apresentaram – o primeiro mal chegou a treinar com o elenco, e foi dispensado antes mesmo dos amistosos; o segundo ainda tentou se recuperar de problema na coxa, mas fracassou e também foi cortado. E todas as lesões significaram mais um problema para Van Marwijk. Porque, caso não seja possível contar com os três melhores jogadores da seleção, na atualidade, os substitutos não mostram ser capazes de merecer a confiança.

Prova disso foi a atuação de Huntelaar, o substituto de Van Persie contra a Itália. Desnecessário dizer que o atacante enfrenta grandes dificuldades no Milan, e que não se adaptou ao futebol italiano – a “indicação” ao Bidone d'Oro terminou de provar isso. Mas a esperança era de que o nativo de Drempt pudesse mostrar um pequeno ritmo contra alguns jogadores com que já se acostumou a encontrar, nos jogos da Serie A.

Não aconteceu: o camisa 9 milanista teve a mais apática e deficiente de suas 29 partidas pela Oranje. E parte da torcida, temerosa de um desastre que possa acontecer na Copa, já acha que “Hunter” pode nem estar entre os 23 que irão à África do Sul. Para piorar a situação do atacante, Van Nistelrooy não fez disfarce e se colocou novamente à disposição do treinador (ver mais nas Curtas).

Contusão à parte, a Oranje trouxe mais perigo no primeiro tempo, a partir de jogadas envolvendo Kuyt e Elia. Mas não abriu o placar, e levou mais pressão da Itália na etapa final. Nada que tirasse o sono, diga-se de passagem. Porque, além do time de Marcello Lippi não haver sido tão mais insinuante assim, a linha de quatro marcadores teve uma importante alteração – que pode indicar, até, uma alternativa a Van Marwijk.

Sem o titular Ooijer, contundido, a dupla de zaga foi formada por Heitinga e Mathijsen. E o resultado foi bom. Com maior agilidade do que o defensor do PSV, Heitinga conseguiu conter o ataque italiano, provando que, realmente, joga melhor no miolo da defesa, como zagueiro central, do que como lateral direito. Tendo como certo que Mathijsen é titular absoluto do setor (foi o único jogador a atuar em todos os minutos dos 11 jogos que a seleção fez no ano), dá para se dizer que o ponto fraco da Oranje ganhou uma possibilidade de melhora.

De quebra, como titular do Ajax e fazendo uma temporada regular, Stekelenburg já começa a diminuir os pedidos pelo retorno de Van der Sar ao gol. Não que o goleiro dos Godenzonen esteja perfeito – quesitos como a reposição de bola ainda exigem boa melhora -, mas já é um ponto a mais de tranquilidade, que o faz merecer a vaga de titular que ocupa.

No entanto, os problemas persistem, nas duas laterais. Van der Wiel ainda necessita aprimorar sua marcação, já que por seu lado foram criadas as maiores jogadas de perigo de Itália e Paraguai. Finalmente, Van Bronckhorst tem sua lentidão apontada como um provável mapa da mina aos adversários. Mas como tirar do time, sem mais nem menos, o seu capitão, com 35 anos?

Além disso, mesmo que a equipe tenha conseguido melhorar o desempenho defensivo (não tomou gol nos últimos cinco jogos que fez em 2009), ainda há pedidos para experimentações, como a convocação de Ron Vlaar, que voltou a ter ritmo de jogo no Feyenoord. E, mais para a frente, o desafio é deixar de depender tanto do quarteto formado por Van Persie, Sneijder, Robben e Van der Vaart. Todos atletas de inegável qualidade, mas com suspeitas sobre a condição física. São com estas dúvidas que Bert van Marwijk terá de esperar até março de 2010.

E continua ótimo

Já é sabido que Dick Advocaat chegou à seleção da Bélgica impondo respeito e exigindo alto profissionalismo dos jogadores. E, se o holandês pode parecer muito duro fora de campo (pois é exatamente por esse motivo que é apelidado “O Pequeno General”), no gramado os resultados começam a surgir. Nos dois amistosos com que fechou 2009, a Bélgica deu mostras de que pode reencontrar a alma que pareceu perdida, na maior parte do ano.

Principalmente no amistoso contra a Hungria, em Genk. Contra uma equipe que fez ótima campanha nas Eliminatórias, os Diabos Vermelhos converteram o ânimo novo em um 3 a 0 categórico. Por mais que os comandados de Erwin Koeman tenham trazido certo perigo nos primeiros momentos, a equipe belga logo se acertou e controlou a maioria do jogo. E, contra o Catar, o ritmo acelerado não diminuiu: 2 a 0.

Além de provar como a equipe está mais vivaz em campo, os resultados (e o ambiente visto na seleção) exibiram duas certezas. Uma, aliás, derivada da outra. Após ter pressionado Fellaini por um melhor comportamento, Advocaat foi de encontro a Kompany, desta vez. O zagueiro chegou atrasado à preleção, antes do jogo contra os húngaros: foi para a reserva. Depois, viajou para acompanhar os funerais de sua avó, e não telefonou ao técnico. Foi cortado da partida contra o Catar. E perdeu dois jogos em que poderia ser titular.

Tais vaciladas de alguns jogadores abrem mais espaço para experiências de Advocaat. Por exemplo, Sepp de Roover, que teve sua primeira partida pela Bélgica. Ou Eden Hazard, há muito tempo considerado “revelação”, mas que agora pode virar titular, de fato. E, com todas as experiências, a Bélgica já exibe um time que dá mais esperanças para a Euro 2012.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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