Clássico é clássico

O duelo entre Feyenoord e Ajax pela liderança da Eredivisie fez jus à maior rivalidade do futebol holandês. O empate por 2 a 2, que manteve os dois times juntos na ponta da tabela (Ajax na frente pelo saldo de gols), teve vários ingredientes de um grande clássico. Era tudo o que se esperava do encontro entre um Feyenoord que se reacostuma à condição de protagonista no campeonato e um Ajax invicto e mais do que recuperado da saída de Henk ten Cate.
Bert van Marwijk armou um meio-campo forte no Feyenoord, com cinco homens. De Guzmán, Sahin e Van Bronkchorst pelo centro, Bruins na ala esquerda e o sul-coreano Lee, enfim titular, pela direita. Na frente, apenas Makaay. O time da casa controlou as ações no primeiro tempo, dominando a posse de bola e se mostrando perigoso em diversas oportunidades. Makaay e Van Bronckhorst chegaram perto, e foi o ex-jogador do Barcelona quem abriu o placar, aos 29 minutos, após jogada de Bruins. O segundo gol só não saiu porque Stekelenburg fez grande defesa em uma finalização de De Guzmán.
A superioridade do Feyenoord e a pressão dos mais de 40 mil torcedores lotando o estádio De Kuip se fizeram sentir sobre os jogadores do Ajax, especialmente o uruguaio Luis Suárez e o espanhol Albert Luque. Eles tiveram um desentendimento que começou em campo e foi parar nos vestiários. Aos 42 minutos, Luque, aparentemente insatisfeito por não ter recebido um passe em cobrança de falta, deu um chute no companheiro, flagrado pelas imagens da televisão.
Os dois jogadores deixaram o campo batendo boca, e nos vestiários partiram para o confronto físico, até que foram separados pelos colegas. Resultado: os dois foram retirados da partida pelo técnico Adrie Koster, e posteriormente seriam multados pelo clube.
Substituir Suárez e Luque foi a melhor coisa que Koster poderia ter feito, não apenas pelo incidente, mas porque os jogadores que entraram – Rommedahl e Bakircioglu – deram outra cara à equipe. O uruguaio e o espanhol não demonstraram nenhuma preocupação defensiva no primeiro tempo, razão pela qual o Feyenoord havia tomado conta do meio-campo.
Na segunda etapa, o Ajax levou apenas sete minutos para empatar. Huntelaar ajeitou para Rommedahl finalizar da entrada da área, deixando tudo igual. Ali, o Feyenoord percebeu que se arrependeria por não ter construído uma vantagem maior nos primeiros 45 minutos. Pouco antes, o time de Roterdã já havia sofrido um duro golpe, com Makaay saindo lesionado e dando lugar ao veterano Mols.
Koster também acertou na terceira alteração. O jovem Siem de Jong entrou no lugar de Van der Wiel aos 19 minutos, e aos 22 marcou o gol da virada, aproveitando um inexplicável passe errado de De Guzmán dentro da área dos anfitriões.
As alterações se voltaram contra o Ajax pouco depois, quando o lateral-direito Ogararu se lesionou em um choque com Van Bronckhorst. Com a cota de substituições esgotada, os visitantes tiveram de atuar com um jogador a menos pelo restante da partida. Maduro foi deslocado do meio-campo para a zaga, e inevitavelmente a pressão do Feyenoord cresceu.
Aos 29 minutos, o árbitro belga Franck De Bleeckere deu uma mão ao Feyenoord ao ver pênalti de Maduro em Mols. As imagens do lance mostram que Mols tropeça nas próprias pernas, sem ser tocado pelo jogador adversário. Makaay, que seria o cobrador, já não estava em campo, e coube a Lucius a responsabilidade de bater o pênalti.
Especialista, Stekelenburg defendeu a cobrança do lateral-direito do Feyenoord, mas De Guzmán foi mais rápido para chegar à bola e se redimir do erro anterior, decretando a igualdade. O Feyenoord se animou e se lançou ao ataque, mas em momento algum reproduziu o bom futebol do primeiro tempo e acabou precisando se contentar com um ponto.
No fim, todos saíram satisfeitos, especialmente porque o PSV vacilou contra o AZ e ficou no empate por 1 a 1, quando uma vitória teria lhe valido a liderança. O time de Eindhoven voltou a provar que terá de melhorar muito para chegar ao tetracampeonato, apesar de estar apenas um ponto atrás dos líderes. Tarefa que caberá ao novo técnico, provavelmente Sef Vergoossen, hoje no Nagoya Grampus Eight, do Japão.
Dia da classificação
A seleção holandesa só precisa vencer Luxemburgo neste sábado, em Roterdã, para confirmar sua vaga na fase final da Eurocopa. A tarefa parece fácil, e de fato é. Mas a história ensina a nunca dar nada como certo. A última derrota da Oranje em casa nas eliminatórias do Europeu foi justamente para Luxemburgo: 2 a 1, em 1963, resultado que classificou os luxemburgueses para a fase seguinte e tirou os holandeses da disputa.
As ausências de Arjen Robben e Robin van Persie, lesionados, devem convencer Marco van Basten a escalar o time no 4-4-2. O técnico, porém, não quer saber de discussão sobre sistemas e números, em um país obcecado pelo 4-3-3. A provável formação inicial tem Van der Sar; Heitinga, Ooijer, Bouma, Emanuelson; Van der Vaart, Sneijder, Van Bronckhorst, Seedorf; Van Nistelrooy, Kuyt.
Caso a Holanda confirme sua classificação, Van der Sar deve pedir dispensa do jogo de quarta-feira contra Belarus. O goleiro do Manchester United tem um acordo de cavalheiros para disputar apenas jogos oficiais pela Oranje, e, como teoricamente seria um mero amistoso em Minsk, ele retornaria a seu clube já no início da semana.
Da lista inicial de 24 convocados, seis foram cortados do jogo deste sábado, mas continuam no grupo para quarta-feira: Timmer, De Cler, Jaliens, De Jong, Maduro e Huntelaar.



