Holanda

Chegou a vez da Valônia

O título belga conquistado pelo Standard Liège no último fim de semana acabou com um jejum de 25 anos não apenas do clube, mas de toda a região francófona da Valônia, a menos favorecida do país. Depois de 1983, quando ‘Les Rouches’ se sagraram campeões pela oitava vez, o troféu foi exclusividade dos clubes do norte da Bélgica, que inclui os Flandres (comunidade flamenga) e a região da capital Bruxelas. Dezenove dos 24 títulos – incluindo os últimos cinco – foram divididos entre Anderlecht e Club Brugge, e os outros ficaram com Beveren (1984), Mechelen (1989), Lierse (1997) e Racing Genk (1999 e 2002).

A confirmação do título veio com três rodadas de antecipação, graças à vitória por 2 a 0 sobre o Anderlecht. O Standard foi beneficiado pelo tropeço do Club Brugge, que não saiu do 0 a 0 diante do Gent e permitiu que a diferença chegasse a dez pontos. Ironicamente, os gols da equipe de Liège foram marcados pelo congolês Dieumerci Mbokani, que havia sido campeão com o Anderlecht na temporada passada. Foi o suficiente para levar ao delírio o público que lotou o estádio Maurice Dufrasne, o ‘caldeirão de Sclessin’, uma partida que tinha ingressos esgotados desde fevereiro.

A arrancada do Standard para o título foi marcada pelas manifestações públicas de apoio do primeiro-ministro belga Yves Leterme, torcedor assumido da equipe. “Comecei a torcer quando o time foi tricampeão, entre 1969 e 1971, mas tem sido difícil”, admitiu recentemente. A declaração de Leterne, comandante político de um país dividido social e culturalmente, aumentou a responsabilidade do time que perdeu a liderança para o Brugge na 12ª rodada, recuperou na 24ª e não perdeu mais. Agora, a luta é para fechar o campeonato invicto, algo que nenhuma equipe conseguiu nos últimos 42 anos.

No início da campanha, o Standard deu a impressão de que levaria o título pela força de seu ataque: venceu os quatro primeiros jogos, marcando quatro gols em cada um. No entanto, o diferencial dos Rouches foi uma defesa de alto nível. Foram apenas 17 gols sofridos em 31 jogos, e nenhum nos últimos cinco. Apenas em uma ocasião, no empate por 2 a 2 com o Mechelen, em outubro, o time teve sua meta vazada mais de uma vez.

O bom desempenho defensivo deve orgulhar o técnico Michel Preud’homme, elo entre a conquista de 2008 e a de 1983, quando era goleiro da equipe. Preud’homme, muito lembrado pela ótima participação na Copa de 1994, quando foi reconhecido como o melhor goleiro do mundo, participou da montagem do elenco do Standard como diretor esportivo antes de assumir como treinador, em 2006, substituindo Johan Boskamp.

“Se você quer uma definição da palavra ‘herói’, pergunte a um cidadão de Liège o que é Michel Preud'homme”, resumiu um jornal local após a conquista.

Preud’homme colheu os frutos por decisões corajosas, como dar a liderança do time, com tarja de capitão e tudo, ao meia Steven Defour, que completou 20 anos na semana passada. Defour acabou eleito o melhor jogador de 2007 na Bélgica, e antes do jogo contra o Anderlecht recebeu o prêmio das mãos de ninguém menos que Zinedine Zidane.

O meio-campo do Standard conta ainda com outros jovens talentosos, como o volante Marouane Fellaini, de 20 anos, e o meia-direita Axel Witsel, de 19, formado no clube. Fellaini vem atraindo o interesse de grandes clubes, como o Real Madrid, e a direção terá de fazer um grande esforço para segurá-lo.

Quatro jogadores brasileiros contribuíram para a conquista do Standard. O lateral-direito Marcos Camozzato, ex-Internacional, e o lateral-esquerdo Dante Bonfim, ex-Juventude, Lille e Charleroi, foram titulares durante praticamente toda a campanha. O zagueiro Frederico Burgel Xaviel, ex-colorado como Camozzato, teve participação limitada. O atacante Igor de Camargo, que já obteve a cidadania belga, revezou-se entre o banco e a titularidade, devido ao bom rendimento de Mbokani e do sérvio Milan Jovanovic, artilheiros da equipe.

Para a próxima temporada, além de defender o título nacional, o time de Preud’homme espera fazer um bom papel na Europa, alcançando a fase de grupos da Liga dos Campeões. Em agosto, os Rouches disputam a terceira fase preliminar. O maior empecilho para as chances de sucesso pode ser a provável saída de jogadores para a seleção olímpica.

Diablotins no caminho do Brasil

O sorteio dos grupos para os Jogos Olímpicos de Pequim colocou a Bélgica frente a frente com o Brasil logo na estréia, dia 7 de agosto, véspera da cerimônia de abertura. A boa notícia para os Diablotins é que a possibilidade de classificação no grupo C é real, já que a fraca Nova Zelândia (10/8) e a anfitriã China (13/8) são as outras seleções que compõem a chave.

A seleção principal da Bélgica atravessa um momento difícil, depois de perder a vaga para três grandes competições consecutivas, e a classificação para a Copa do Mundo de 2010 é questão de honra. Assim, o técnico da seleção olímpica, Jean-François de Sart, terá de negociar com René Vandereycken, comandante da equipe maior, a participação de jogadores que estiverem nos planos para o início das eliminatórias, em setembro. A federação belga não esconde seu pensamento de que, por mais que as Olimpíadas sejam um objetivo importante, elas não oferecem qualquer retorno financeiro. “Apenas” as medalhas.

De qualquer forma, foi descartada a possibilidade de não convocar atletas de times envolvidos nas fases preliminares das competições européias. O clube que se recusar a liberar jogadores não poderá utilizá-los no período das Olimpíadas, e nem nos cinco dias anteriores e posteriores aos Jogos. Assim, De Sart pode pensar em reproduzir o meio-campo do Standard, aproveitando o entrosamento entre Defour, Fellaini e Witsel.

O defensor Nicolas Lombaerts, do Zenit St. Petersburg, será uma ausência sentida. Ele sofreu uma grave lesão no joelho e só deve voltar aos campos em outubro. Há boas chances de o meia Maarten Martens, do AZ, ser convocado como um dos jogadores acima de 23 anos. Martens, nascido em 1984, participou da campanha no Europeu sub-21 que classificou a Bélgica para as Olimpíadas.

Será possível ter uma idéia melhor do elenco durante o período de treinamentos que De Sart comandará entre os dias 19 e 25 de maio, em Malta. No dia 21 de julho, a equipe se reúne para dar início à preparação. Após o amistoso contra a Holanda, dia 23 de julho, em Genk, serão anunciados os 22 convocados: os 18 que serão inscritos nos Jogos Olímpicos e os quatro que ficarão prontos em caso de baixa. O embarque para a China está previsto para 26 de julho.

Corrida pela LC na Holanda

Assim como no ano passado, o PSV desperdiçou uma grande vantagem e só foi confirmar o título na última rodada. Agora, os outros que briguem nos play-offs por um lugar na terceira preliminar da Liga dos Campeões para a próxima temporada. Nos dois últimos anos, o Ajax se deu melhor na disputa, mas fracassou na LC e caiu antes da fase de grupos.

Nas semifinais do play-off, o time de Amsterdã enfrentará o Heerenveen, que terminou em quinto lugar. Do outro lado da chave estão o NAC Breda, terceiro colocado, e o Twente, quarto.

Os dois vencedores decidem a vaga para a LC. O perdedor deste confronto já está garantido na Copa Uefa. Os dois derrotados nas semifinais também se enfrentam, para definir quem fica com a segunda vaga na Uefa e quem terá uma última chance contra o vencedor do outro play-off, que reúne os times de 6º a 9º lugar.

Como o vencedor da decisão da Copa da Holanda entre o Feyenoord (sexto) e Roda (nono) terá uma vaga, o Utrecht, 10º colocado, também jogará o play-off. Groningen (sétimo) e NEC (oitavo) são os outros participantes.

A final da Copa é a chance para o Feyenoord de ter alguma alegria no ano de seu centenário, depois de fazer outra campanha aquém das expectativas na Eredivisie. É com essa credencial que o técnico Bert van Marwijk assumirá a seleção holandesa. 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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