Chegou a hora?

19 minutos do segundo tempo. Era um cruzamento básico, rasteiro. Dificilmente daria em alguma coisa. Por mais que o Partizan estivesse empolgado, após empatar a partida de ida dos play-offs da Liga dos Campeões, contra o Anderlecht, aquele ataque seria inócuo. Até porque Jan Lecjaks estava na bola, e a afastaria para escanteio. Infelicidade do jovem tcheco de 20 anos de idade: ele acabou dando, contra a própria vontade, um voleio para as redes de Sylvio Proto. O Partizan virava o jogo.
Felizmente para Lecjaks, o gol não teve influência alguma no placar. Afinal de contas, dois minutos depois de uma jogada que entra facilmente para a lista dos “golaços” contra -, o brasileiro Kanu fez bom passe para Roland Juhász empatar o jogo. E deixar a situação do Anderlecht ótima: afinal de contas, qualquer vitória bastará no Constant Vanden Stock, na próxima terça, para colocar os Mauves na sonhada fase de grupos da Liga dos Campeões, após quatro anos.
E será justo. Afinal de contas, ao longo da última temporada, o Anderlecht aproveitou-se da queda do Standard Liège (e da incapacidade do Club Brugge em alcançá-lo) para tornar-se um time seguro, com uma base bem definida. Na defesa, o torcedor já aprendeu a decorar a linha formada por Mazuch, Deschacht, Juhász e, agora, Lecjaks – substituto de Jelle van Damme. No meio, Mbark Boussoufa é o centro de criação das jogadas que Romelu Lukaku terá a missão de concluir. Tudo isso, tendo coadjuvantes valiosos, como o polivalente Guillaume Gillet.
Além disso, há o fator “destino”, que colaborou com os Paars-Wit desta vez. Se, na temporada passada, quando também alcançou os play-offs, o time teve de encarar o Lyon e foi destroçado (5 a 1 na ida, 3 a 1 na volta), encarar o Partizan, agora, parece um desafio muito mais acessível para a equipe.
De mais a mais, na Jupiler League, a equipe parece bem mais regular do que seus rivais. Se o Standard ainda pena com empates e o Club Brugge tem derrotas pouco recomendáveis nas três rodadas do Campeonato Belga, os Mauves mostram uma regularidade maior. Se tiveram o empate contra o Charleroi, conseguiram nada menos do que duas goleadas (4 a 1 contra o Eupen e 4 a 0 contra o Germinal Beerschot). O que os deixa em terceiro lugar, até agora, com boas condições de chegar à ponta em breve.
No entanto, ainda há alguns travos que impedem o Anderlecht de ser considerado franco favorito. A atuação contra o Partizan foi bastante irregular, e uma vitória que parecia certa transformou-se num empate algo decepcionante. Ainda assim, pela aparente vantagem de decidir a classificação em casa e ter um time melhor, dá para imaginar que, enfim, a resposta à pergunta que intitula esta coluna será sim.
Futuro dourado?
Genaro Snijders (21 anos), Wiljan Pluim (21 anos), Davy Pröpper (18 anos), Marco van Ginkel (17 anos) e Alexander Büttner (21 anos). Média de idade de 19,6 anos. Era este o meio-campo do Vitesse que foi a campo contra o Ajax, pela segunda rodada da Eredivisie. Era a prova de que apostar em jovens virara a única opção do time de Arnhem, já que a crise financeira afligia duramente o clube.
Este era o cenário, pelo menos até a última segunda-feira. Foi quando o anúncio veio: um empresário georgiano, Merab Jordania, havia comprado o Vitesse, tornando-se o primeiro estrangeiro a ser dono de um clube na Eredivisie. Quem? Merab Jordania. Um ex-jogador e ex-técnico de seu país, que já havia tentado comprar o Beveren, da Bélgica, e até o AZ.
Foi o bastante para animar os Arnhemmers. Jordania já chegou trazendo dois jovens compatriotas, Giorgy Chanturia e Valeri Kazaishvili. Porém, as promessas de Jordania são grandes. Para começar, o empresário disse estar cobiçando Kakha Kaladze. Além disso, suas relações com um certo Roman Abramovich são boas. Daí para surgirem sugestões de que o dono do Chelsea possa estar por trás da compra do Vitesse, é um pulo. Não tão grande quanto o pulo que o Vitesse sonha dar, rumo a um futuro dourado como o amarelo de sua camiseta.



