Caminhos descruzados
Nos últimos cinco anos, AZ e Heerenveen protagonizaram alguns momentos importantes no futebol holandês. Pode-se dizer até que os Alkmaarders inauguraram a fase de maior equilíbrio que o esporte vive dentro do país, com o título do campeonato de 2008/09. Já os frísios não conseguiram avançar tanto, mas volta e meia ocuparam boas colocações na Eredivisie, nas últimas temporadas. Além disso, revelavam alguns jogadores que andam seguindo razoavelmente na carreira, como Bas Dost (saindo-se relativamente bem no Wolfsburg) e Luciano Narsingh (titular absoluto do PSV, até a lesão no joelho que o tirou da temporada).
Daí a decepção que ambos causavam, ao estarem na metade de baixo da tabela ao final do primeiro turno do Campeonato Holandês. E a necessidade que tinham de melhorar, no início de 2013. Janeiro encerrado, trabalhos retomados, fica a sensação de que somente um clube tratou de assimilar essa necessidade. Com três vitórias nos três jogos que fez no ano, o AZ conseguiu melhorar a sua situação. Já é o nono colocado. Tem uma sequência de jogos que, excetuando-se o jogo contra o Feyenoord (10 de fevereiro, 22ª rodada), não coloca medo. E, de quebra, vê seus principais personagens continuarem rendendo bem.
Vitesse e VVV-Venlo, derrotados pela equipe no Holandês, e Den Bosch, superado nas quartas de final da Copa da Holanda, na última terça, podem dizer bastante sobre um deles: Jozy Altidore. O norte-americano vive a melhor fase de sua carreira, provavelmente. Na Eredivisie, contra os aurinegros de Arnhem, tascou três gols, e fez mais um contra os Venlonaren.
E, ao converter o pênalti contra o Den Bosch, Altidore puniu da melhor maneira possível a idiotice de parte da torcida adversária, com a repetitiva e nem um pouco sadia provocação de imitar sons de macaco a cada vez que pegava na bola. De quebra, o camisa 12 do AZ ainda lhes deu um tapa com luva de pelica, reagindo elegantemente: “Esses homens têm um problema. Espero que possam se aprimorar como gente. Eles precisam de ajuda”.
Mas a falha de caráter de alguns torcedores não é maior do que a ascensão de outros jogadores do AZ. Como Adam Maher. Há muito considerado uma das maiores revelações do futebol holandês, o meio-campista de 19 anos confirma aos poucos sua capacidade de criar jogadas insinuantes. Com o bônus de marcar gols: nos 4 a 1 sobre o VVV, o jogador de ascendência marroquina marcou um. E, contra o Den Bosch, balançou duas vezes a rede. Com tal desempenho, que lhe rende presença nas convocações de Louis van Gaal para a seleção, Maher pode sonhar com transferências de valores até maiores do que os 6,5 milhões de euros que o PSV ofereceu para tê-lo já.
E sonhar, por enquanto, é o que resta ao Heerenveen. Porque, com uma derrota e um empate nas duas partidas pelo Holandês, o Fean caiu para a 15ª posição. O revés sofrido na 19ª rodada (1 a 0 para o Heracles, em pleno estádio Abe Lenstra) seria cômico, se não fosse trágico: o brasileiro Everton fez 1 a 0 com apenas 45 segundos de jogo no primeiro tempo, o time teve os 89 minutos e 15 segundos restantes para empatar, contou até com falhas do goleiro adversário… e nada. Talvez pelo desfalque de Alfred Finnbogason, goleador da equipe na temporada, um dos únicos motivos para sorrir no clube.
Já na partida contra o Zwolle, na semana passada, Finnbogason voltou – e fez 1 a 0. Era uma vitória que aliviava as coisas. Era, porque o empate dos Zwollenaren, a seis minutos do fim de jogo, enfureceu Marco van Basten. O treinador do Fean – que teve comportamento apoplético durante toda a partida, impensável para alguém que ficou gélido no tenso Portugal x Holanda, na Copa de 2006 – mal podia esconder a raiva, na entrevista coletiva após o empate: “Eu disse que eles deveriam se manter jogando futebol, mas isso não aconteceu. Por quê? Eu queria saber. Isso é muito triste”.
Triste, como ver que, novamente, um dos maiores craques da história da Holanda está sofrendo para fazer um trabalho de sucesso no comando de uma equipe. É ver se o Heerenveen consegue melhorar, com a manutenção de gente cobiçada na janela de transferências, como o meia Filip Djuricic. Para seguir o exemplo do AZ, que agora vê a segunda metade da temporada com mais esperança. Tanto no Holandês quanto na Copa da Holanda – em que enfrentará o Ajax, na semifinal.



