Holanda

Calma

Na mesma terça-feira em que a delegação holandesa que viajou à Euro 2012 desembarcou, humilhada, no aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, o site do diário “Algemeen Dagblad” fazia a enquete natural, numa campanha ruim como a que a Oranje fez em campos ucranianos. A pergunta, claro, era se Bert van Marwijk deveria ficar à frente da seleção.

E o resultado era até surpreendente. Ao contrário do que possa parecer, a opinião não era maciça a favor da queda do técnico nascido em Deventer. 51 por cento desejavam a demissão, enquanto 49 por cento recomendavam a manutenção de Van Marwijk. Ou seja, o abalo eliminação vexatória na fase de grupos foi tão grande que nem se sabe o que fazer.

A federação anunciou que dará a decisão em 6 de julho. Até lá, talvez tenha a cabeça mais fria para ver que demitir Van Marwijk seria uma atitude impensada e altamente prejudicial. O treinador pecou durante a Euro, óbvio: demorava para alterar o time durante os jogos, não conseguiu se impor perante os egos cada vez mais incontidos de quem era preterido… No entanto, atualmente, não tem substitutos à altura.

A única opção possível seria, quem sabe, Frank de Boer. Mas o ex-capitão da Oranje começou a carreira recentemente. Até há precedentes: Frank Rijkaard tinha apenas sido auxiliar de Guus Hiddink antes de ser escolhido, em 1998, e Marco van Basten tinha apenas comandado equipes de base do Ajax antes de tornar-se treinador da seleção, em 2004. Ainda assim, Frank ainda parece ter trabalho a fazer no Ajax. Precisaria ganhar mais cancha.

E tirando Frank, os outros grandes treinadores holandeses (Van Gaal, Hiddink, o supracitado Rijkaard) aparentam estar em baixa; Dick Advocaat acaba de ir para o PSV; Ronald Koeman, outro nome cogitado, fez apenas um bom trabalho com o Feyenoord, e não se sabe o que ocorrerá em 2012/13; e nomes como Ron Jans, Gertjan Verbeek e John van den Brom não passam de promessas, ainda. De mais a mais, Van Marwijk tem um trabalho bem desenvolvido. Ele sofreu um grande baque, mas ainda pode ser prosseguido.

Claro, há setores que devem mudar. Um deles é a defesa. Com 32 anos, Mathijsen tem continuação duvidosa na Oranje. Pior: nenhum de seus potenciais substitutos oferecem mais qualidade técnica. Douglas, que deverá ser usado assim que sua naturalização completar um ano, oferece mais força no jogo aéreo, e tem um pouco mais de técnica (um pouco, bom ressaltar). No entanto, às vezes perde a cabeça sem necessidade, pelo ímpeto indomável em campo. E Ron Vlaar, como se viu na Euro, não é muito melhor do que Mathijsen.

Outro problema fica no meio-campo. Com a aposentadoria de Van Bommel (já prevista após a Euro, e ainda mais clara após as declarações deste), Kevin Strootman é o nome para substituí-lo. Mas Schaars faz exatamente o mesmo papel de MvB no Sporting, e não seria opção ilógica.

Na armação, Van der Vaart apresentou-se bem afetado com o fato de não ter sido titular na Euro, embora tenha dito que deseja estar na Copa. Perto dos 32 anos, Kuyt é outro sujeito cuja forma física deverá decair com o passar do tempo, prejudicando o seu trabalho na marcação da saída de bola. Ou seja, dúvidas sobre dois nomes – um deles, útil na frágil marcação.

Ainda assim, há Robben, Sneijder, Van Persie, Huntelaar. Todos decepcionantes na Euro, mas que oferecem condições para se acreditar na melhora. No gol, Stekelenburg deixou o jogo contra Portugal como um dos poucos salvos, com boas defesas: embora tenha Vorm e Krul em seus calcanhares, o nativo de Haarlem ainda se mostra bom goleiro, mesmo que às vezes seja irregular. E há jogadores que pedem passagem: os irmãos Luuk e Siem de Jong, Theo Janssen (se melhorar), Wijnaldum, Narsingh…

Sintetizando: a Holanda deu vexame na Euro. Mas não há porque ser apocalíptico. Ter calma é necessário para que a classificação altamente possível à Copa não passe a correr perigos. 

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