Holanda

AZ trocou de técnico e continua muito bem, obrigado

Em geral, um mantra de pessoas que defendem planejamento e organização no futebol é que demitir técnico em meio a um campeonato é um verdadeiro tiro no escuro. Um risco que não deve ser corrido, pois acarreta mudanças de métodos, de planos, faz com que os jogadores tenham de se reacostumar com um novo comandante. Enfim, a pregação geral é de que alterações de treinadores só devem ser feitas entre uma temporada e outra.

Pois bem, o AZ decidiu desobedecer tal lógica e demitiu Gertjan Verbeek, que já estava há três anos no clube. Daí, após algum tempo com o costumeiro interino Martin Haar ocupando a lacuna, o clube de Alkmaar decidiu arriscar, contratando Dick Advocaat, desempregado desde a saída do PSV. E vem se dando bem: no meio do samba do holandês doido que é a Eredivisie, os Alkmaarders já engataram três vitórias consecutivas. Lógico, beneficiaram-se da irregularidade dos concorrentes para assumirem a liderança do torneio.

E é aí que o clube alvirrubro dá mostras de que até mesmo uma demissão no meio de uma temporada pode ser, sim, bem pensada. Embora tenha habilidade no trato com jovens, até formando um time promissor, Gertjan Verbeek já dava sinais de desgaste no tratamento do elenco. E o desempenho apagado no Holandês da temporada 2012/13, com um 10º lugar e ameaças periódicas de rebaixamento, só aumentava essa má impressão. Ao invés de colaborar para o fim da crise, o título da Copa da Holanda deixou ainda mais a sensação de que era possível ter feito mais.

Além disso, embora seja dos melhores técnicos holandeses no trabalho com jogadores jovens, Verbeek também impõe ritmo duríssimo em treinos – foi essa a razão de sua malograda passagem pelo Feyenoord, ao entrar em rota de colisão com os veteranos do Stadionclub que pediam um ritmo mais leve. No AZ, aparentemente, esse ritmo pesado alcançou o seu limite. Bastou para que, mesmo após uma vitória contra o PSV (2 a 1, pela oitava rodada), o diretor técnico Earnie Stewart anunciasse a demissão de Verbeek.

Houve o hiato de que se falou, com Martin Haar segurando as pontas, até o retorno de Dick Advocaat, anunciado em 16 de outubro. Curiosamente, nas mesmíssimas condições de sua primeira passagem: também substituindo um técnico (Advocaat chegou ao AZ pela primeira vez em 2009, no lugar do demitido Ronald Koeman) e assinando contrato até o final da temporada. A diferença é que o “Pequeno General”, agora, parece mais concentrado, ao contrário de há três anos, quando tinha de conciliar o clube com a seleção da Bélgica.

Advocaat já está numa fase crepuscular da carreira, mais próximo da aposentadoria. E o próprio assumiu que não estava nos planos comandar uma equipe holandesa: “É uma surpresa para mim estar sentado aqui. Eu provavelmente esperaria a oferta para treinar uma seleção, também não queria trabalhar na Holanda, mas aí o AZ veio e o bichinho me picou”. De todo modo, o veterano técnico de 66 anos encontrou um grupo razoável para se trabalhar.

A principal falha da temporada passada, afinal, foi consertada. Jeffrey Gouweleeuw, reforço vindo do Heerenveen, faz uma dupla de zaga mais segura com Jan Wuytens, também contratado para a atual temporada (junto ao Utrecht), e isso contribui para o goleiro costarriquenho Esteban Alvarado não sofrer tantos gols. No meio-campo, o bom reforço que foi Nemanja Gudelj se uniu à volta esperada de Maarten Martens, vitimado por várias contusões durante os últimos anos. Com isso, a armação das jogadas não sentiu o baque da saída de Adam Maher.

No ataque, se o americano Altidore se foi, outro americano chegou com tudo. Bem, na verdade, norte-americano de ascendência islandesa: Aron Jóhannsson nasceu em Mobile, cidade do Alabama, há 22 anos (será há 23 anos, no próximo domingo). Filho de islandeses, Jóhannsson voltou para a Islândia com três anos de idade e lá foi criado. Mas voltou aos Estados Unidos para estudar, num programa de intercâmbio. Não só se readaptou, como decidiu jogar pela seleção estadunidense há pouco tempo.

Já convocado por Jürgen Klinsmann, Jóhannsson demonstra boa fase no AZ, sendo artilheiro da equipe no Holandês, com sete gols. Com boas atuações também no time dos EUA (quatro jogos, um gol), o atacante vindo do AGF Aarhus, da Dinamarca, é o destaque de um AZ que soube se reinventar, apelando para sua capacidade em encontrar bons jogadores a custo baixo. E que mostrou: mudanças de técnicos, às vezes, são necessárias em meio à temporada para que um time reencontre o rumo.

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