Holanda

AZ e Heerenveen: destinos se cruzam e se diferenciam novamente

“O futebol é como um viaduto: numa hora você está por cima, em outra você está por baixo” tornou-se daquelas “lendas da bola”. Aquele tipo de frase que importa mais do que o autor, como “a bola foi indo, indo… e iu” ou “clássico é clássico e vice-versa”. No entanto, ela descreve perfeitamente como têm sido as trajetórias de AZ e Heerenveen no atual Campeonato Holandês.

Cabe lembrar que a coluna do dia 1º de fevereiro citava os momentos diferentes que os dois times viviam na retomada da Eredivisie. Tendo vencido suas três primeiras partidas em 2013 (duas pelo holandês, uma pela Copa da Holanda), o AZ ganhava a esperança de melhorar uma temporada que vinha sendo decepcionante, fugindo da linha regular dos últimos campeonatos. Já o Heerenveen tivera uma derrota e um empate nas partidas que disputara, caindo para a 15ª posição – última antes da zona de repescagem contra o rebaixamento.

Pois bem. Quase dois meses se passaram. E novamente os dois times vivem momentos distintos na parte final da liga. Mas, agora, em setores opostos da tabela. Primeiro, cabe falar do Heerenveen. Da metade de fevereiro para frente, quando parecia alquebrada emocional e taticamente, a equipe começou a engatar uma sequência de cinco vitórias.

Mais do que isso, começou a interferir decisivamente no campeonato. Entre essas vitórias, emplacou 2 a 1 no Twente, no jogo que marcou o fim da linha de Steve McClaren nos Tukkers. Depois, contra o PSV, outro 2 a 1 do Fean, deixando o Ajax na cara do gol para tirar a liderança dos Eindhovenaren. E, finalmente, na semana passada, um 2 a 0 categórico sobre o Feyenoord, diminuindo um pouco a motivação tremenda que o Stadionclub apresentava.

Com isso, o que era uma campanha empurrada com a barriga virou uma ascensão com chances reais de terminar nos play-offs que dão vaga à Liga Europa, entre o 5º e o 8º colocado. Em 7º lugar, provavelmente o time da Frísia não vai além (a diferença para o Utrecht, 6º, está em dez pontos). Mas sonhar com vaga em competições continentais não é nada mal para quem andava preocupado com o rebaixamento.

O que não significa que o time virou uma máquina. O que ocorreu foi apenas um acerto na escalação. Esta ficou mais firme, mais rotineira. Alguns acertos melhoraram o time, como as boas atuações do atacante belga Yassine El Ghanassy, antes na reserva. Mas a dependência da dupla formada por Alfred Finnbogason e Filip Djuricic ainda é enorme. O islandês Finnbogason é menos falado do que Bony e Pellè, mas não fica atrás na atual Eredivisie quando o assunto é gol: 21 gols em 25 jogos. E Djuricic mostra-se, mais e mais, um armador talentoso. E terá a chance de mostrar isso num time maior: o Benfica já garantiu sua contratação a partir de 2013/14.

Enquanto isso, o AZ é quem leva o ano aos trancos e barrancos. Na 28ª rodada, domingo passado, enfim a equipe de Alkmaar voltou a vencer, após sete rodadas sem motivos para comemoração (cinco derrotas e dois empates). E mesmo o 2 a 1 sobre o Heracles Almelo foi arrancado com certo tom de dramaticidade: durante a maior parte do jogo, o time teve de seguir com dez jogadores, pela expulsão do zagueiro Thomas Lam.

Novamente, é o caso de se pensar se o AZ tem tantos problemas assim para estar apenas na 14ª posição. O time não é imperdoavelmente ruim. Adam Maher é, talvez, a maior revelação do futebol holandês atualmente, mostrando-se um armador veloz fisicamente, e deverá se transferir para um clube maior na próxima janela (fala-se que é a grande meta do Ajax). Jozy Altidore vive a melhor fase da carreira, amadurecendo como atacante em Alkmaar. E, bem ou mal, o time tem algo que o Heerenveen não tem: chance de ganhar alguma coisa na temporada, já que pegará o PSV na final da Copa da Holanda.

Os destinos de AZ e Heerenveen se cruzaram novamente. A ver quem estacionará o carro por cima e por baixo, quando o trânsito parar no viaduto chamado Campeonato Holandês.

Restam quantos?

Em janeiro, foi o AGOVV Apeldoorn. Na semana retrasada, o SC Veendam, 119 anos nas costas, foi o segundo clube da segunda divisão holandesa a anunciar: com 300 mil euros em dívidas, iria enfim se render e anunciar a falência, após alguns anos conseguindo adiá-la. Só 675 mil euros no caixa salvariam o clube aurinegro de Veendam, cidade da província de Groningen.

Eles não vieram, a despeito de várias campanhas pela cidade (a principal delas, organizada pelo ex-jogador Henk de Haan, destaque da história do clube). E o SC Veendam confirmou o triste fim, em sua conta no Twitter, na última terça-feira. Acendeu-se, então, o alerta na KNVB: desde 2010, são quatro clubes que jogavam a segunda divisão quando deixaram o futebol profissional. Só em 2013, já foram dois.

A federação decidiu se mexer. Fará reuniões com os clubes, e pedirá ao ministro holandês das Finanças, Jeroen Dijsselbloem, que minore a bocada do Leão holandês sobre as rendas dos clubes: com lucros de cerca de 150 mil euros mensais, os clubes da Eerste Divisie têm de pagar 60 por cento deles ao imposto de renda do país. Sem dinheiro para pagarem os valores previstos em contrato, surgem as dívidas. E elas levam os clubes à falência.

Se essa história se resolverá, o tempo dirá. O que se sabe é que o “resta um” que vive a Jupiler League novamente fez uma vítima. Com novo líder após os cancelamentos e anulações de jogos do Veendam, o Helmond Sport, a segunda divisão holandesa vive final imprevisto e emocionante. Mas ele podia ser mais seguro financeiramente.

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