Holanda

Até que enfim

A compreensão poderia ser um pouco mais fácil. Vamos lembrar: após as 30 rodadas ocorridas na fase regular, os seis primeiros colocados têm sua pontuação dividida pela metade (em caso de pontuação ímpar, será considerado o primeiro número par à frente) e disputam um hexagonal final, em formato de liga, cujo vencedor conquistará o título do Campeonato Belga.

E, enfim, chegou a hora dele ocorrer. A última rodada da primeira fase ocorreu nesta quarta, e os seis times foram selecionados. Bem, melhor seria dizer dois times: Anderlecht, Club Brugge, Gent e Standard já estavam com as vagas asseguradas. Os últimos classificados foram escolhidos de modo bem equilibrado: Kortrijk e Racing Genk terminaram com o mesmo número de pontos do Cercle Brugge, mas passaram, por terem maior número de gols pró.

Voltando à interminável discussão sobre o formato de disputa: a polêmica causada por ele é tamanha que já é tema de discussão dos próprios candidatos à sucessão de Ivan de Witte, presidente do Gent, no comando da Pro League. Para a maioria deles, o retorno ao formato de pontos corridos, com 18 clubes, é a melhor opção. Roland Duchâtelet, dono do Standard e um dos concorrentes, vai além: traz de volta o debate sobre a adoção da BeNeLiga, unindo os campeonatos Belga e Holandês.

Mas, por enquanto, essa conversa fica suspensa. Agora, é hora de vermos as possibilidades dos seis candidatos ao título belga. De quebra, analisar quem pode sonhar com lugar na Liga Europa, ao disputar o Playoff II. E qual clube amargará a queda à EXQI League, entre Westerlo e Sint-Truiden. Enfim, chegou a hora da decisão na Bélgica – começando em 30 de março, já que Kortrijk e Lokeren decidem a Copa da Bélgica neste final de semana.

PLAYOFF I – HEXAGONAL PELO TÍTULO

ANDERLECHT

1º colocado na fase regular, com 67 pontos

Os Mauves continuam com o melhor time da Bélgica. Prosseguem com uma vantagem segura na liderança da Jupiler Pro League. Entretanto, necessitam ter mais cuidado no hexagonal. As últimas rodadas da fase regular apresentaram tropeços pouco auspiciosos, como empates contra Lierse e Sint-Truiden. Além disso, algumas contusões começaram a vitimar o elenco.

Uma delas, com efeito imediato: Behrang Safari, constante escolha como lateral direito, fraturou a clavícula e deve ficar de fora da fase final. E Matías Suárez, grande destaque da temporada, perdeu o jogo contra o Zulte Waregem, por problemas no joelho. Todavia, há Gillet, Biglia, Jovanovic, Mbokani… Enfim, elenco e capacidade para justificar o favoritismo e levar o título não falta aos de Parc Astrid.

CLUB BRUGGE

2º colocado na fase regular, com 61 pontos

Pode um time querer ser campeão, ainda, se o próprio técnico já admite que o título ficará no colo do arquirrival? Pois é, foi isso que Christoph Daum falou, abertamente, nesta semana. No entanto, é bom não levar muito em conta as palavras do técnico alemão: faz parte do jogo mandar mais favoritismo para as costas do líder. De mais a mais, os Blauw-en-Zwart mostram um leve crescimento, da metade da temporada até aqui.

Reforços como Jordi Figueras, na lateral esquerda, e novatos como Mushaga Bakenga, no ataque, têm saído a contento e são constantemente utilizados. Lior Refaelov, por sua vez, virou dono do meio-campo: joga por si e, às vezes, por Vadis Odjidja-Ofoe. Joseph Akpala tem sido razoável no ataque. Se não foi possível alcançar o Anderlecht, é um desempenho mais motivado do que o de temporadas passadas. E, ora bolas, seis pontos não são inalcançáveis. Por mais difícil que seja, o fim do jejum de seis anos não é impossível como Daum faz crer.

GENT

3º colocado na fase regular, com 56 pontos

Os Búfalos já estiveram melhores na temporada, é verdade. Na mudança de turnos, podiam ser considerados os grandes adversários do Anderlecht na disputa da liderança. Ainda assim, dá para dizer que o time de Trond Sollied continua bastante confiável. Performances regulares são a tônica da equipe. Basta olhar para a continuidade dos destaques da equipe: jogadores como Bernd Thijs e Tim Smolders raramente deixam a desejar. E, aos poucos, surpresas começaram a aparecer. Como o jovem holandês Sergio Padt, no gol, que tomou o lugar de Boeckx 
para não mais largar. Caso o título continue distante como parece, é o clube melhor preparado para conseguir a vaga na terceira fase preliminar da Liga Europa.

STANDARD

4º colocado na fase regular, com 51 pontos

Eis aí uma equipe para a qual todo prognóstico parece arriscado. Os Rouches nunca conseguiram empolgar definitivamente durante a temporada. Numa parte dela, chegaram até a correr o risco de sequer se classificarem para o hexagonal. Além disso, o time depende demais das atuações de Mohamed “Mémé” Tchité, no ataque. Pior: um dos coadjuvantes principais, Gohi Bi Cyriac, não joga mais nesta temporada, com lesão no joelho. 

E, ainda assim, o time de Liège não é carta fora do baralho. Sim, título é objetivo mais distante. Ainda assim, o time exibiu o melhor desempenho belga nas competições europeias – não foi muito, é verdade, mas chegou às oitavas de final da Liga Europa. No meio-campo, Jelle van Damme aos poucos assume o papel que lhe cabia desde sua chegada: o de líder da equipe. E, bem ou mal, o time manteve-se entre os principais do campeonato. Resultado: não é possível descartar o Standard.

RACING GENK

5º colocado na fase regular, com 46 pontos (60 gols pró)

A corda ficou no pescoço do Genk durante boa parte da temporada. O clube oscilou demais, e estava fora das seis primeiras posições até a última rodada da primeira fase. Falava-se até que um mau resultado contra o Gent, no jogo derradeiro, seria o fim da linha para Mario Been – até porque Franky Vercauteren, o técnico do título na temporada passada, já foi demitido do Al-Jazira.

No entanto, a equipe mostrou brio. Venceu os Búfalos por 3 a 1, de virada. E conseguiu, pelo menos, adiar a eclosão de alguns problemas. De mais a mais, há atletas ainda confiáveis, como Jelle Vossen e, principalmente, Kevin de Bruyne, já comprado pelo Chelsea. O problema é a defesa, muito inconstante e sem liderança (Vanden Borre, o suposto líder, é irregular). De todo modo, se houver desastre, ele já é menor.

KORTRIJK

6º colocado na fase regular, com 46 pontos (39 gols pró)

O time de Hein Vanhaezebrouck era (ainda é, diga-se de passagem) a principal surpresa na Jupiler Pro League, com ótima campanha, dando prosseguimento ao excelente 2010/11, quando também teve lugar no hexagonal pelo título. No entanto, haviam poucos destaques. O forte era o coletivo. E ele caiu, na metade final da temporada regular. O que deixou a perigo a classificação entre os seis candidatos ao título.

No entanto, Erwin Zukanovic, o único jogador a ser ressaltado no elenco, ganhou mais um companheiro nas últimas rodadas. Emprestado pelo Anderlecht, o atacante sérvio Dalibor Veselinovic começou a receber chances no time titular. E não decepciona. Ao contrário: marcou um belíssimo gol, na penúltima rodada, no domingo passado, contra o Gent. Sem contar que há uma final de Copa da Bélgica para disputar, contra o Lokeren. Ou seja: apesar da queda, 2011/12 ainda tem ótimo saldo.

PLAYOFF II – PELA VAGA NA LIGA EUROPA

Melhor seria dizer “pela vaga que dá direito a disputar uma vaga na Liga Europa”. Porque os oito clubes, divididos em dois grupos de quatro, terão um longo caminho até conseguirem lugar na segunda fase preliminar da competição continental. Os vencedores de cada grupo fazem uma “final”, em ida e volta. E o vencedor enfrenta o quarto colocado do hexagonal pelo título, para, só então, obter a sonhada vaga.

E ela já tem, de saída, três fortes competidores. O maior deles é o Cercle Brugge. A equipe de Bob Peeters teve desempenho elogiável, e chegou a estar perto de um lugar no hexagonal final. Ainda assim, uma queda nas rodadas finais não foi perdoada. Mas, ainda assim, é o grande favorito a conquistar lugar no Grupo A, tendo como rival o Mechelen. No Grupo B, o Lokeren sai na frente (e também está na final da Copa da Bélgica), mas Beerschot e Mons o observam de perto.

PLAYOFF III – CONTRA A QUEDA

A bem da verdade, Westerlo e Sint-Truiden mereciam a queda. Afinal de contas, ambos fizeram temporadas típicas de times marcados para cair: troca de técnico, times de nível técnico paupérrimo… Ainda assim, é possível dizer que os Kempeneers estão em condições melhores para a melhor de cinco jogos diretos. Conseguiram três pontos de bônus, por terem ficado na penúltima posição. E demonstram mais motivação do que os Canários, que parecem apenas esperar o inevitável rebaixamento, ao invés de lutar contra ele. 

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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