Holanda

Aos 33 anos, Cillessen decide voltar para sua cidade natal e assina com o NEC Nijmegen

Cillessen teve muitos problemas de lesão no Valencia e, pensando em Copa do Mundo, terá mais sequência na Eredivisie

Jasper Cillessen possui uma reputação entre os principais goleiros da Holanda / Países Baixos neste século. O camisa 1 soma 63 aparições pela seleção principal, além de ter defendido clubes como Ajax, Barcelona e Valencia. Até por essa fama, chama atenção o próximo passo na carreira do arqueiro de 33 anos: ele assina com o NEC Nijmegen, modesto figurante na Eredivisie. Com muitos problemas de lesão, Cillessen teve dificuldades para encontrar um novo destino e resolve retornar à sua cidade natal, para a equipe onde iniciou sua trajetória. Poderá ficar mais perto de Louis van Gaal para disputar mais uma Copa do Mundo. O Valencia recebe €1 milhão pelo negócio, apenas uma pequena fração dos €35 milhões desembolsados em 2019.

A relação de Cillessen com o NEC é umbilical. O goleiro chegou ao clube em 2001, quando tinha apenas 12 anos. Passou por diferentes níveis nas categorias de base e teve uma ascensão bastante rápida na equipe principal. Titular na Eredivisie 2010/11, o arqueiro assinou com o Ajax na temporada seguinte, aos 22 anos. Foi nesta época que ganhou a primeira convocação para a seleção holandesa principal, embora não tenha saído do banco durante um amistoso contra o Brasil em abril de 2011.

O Ajax auxiliou Cillessen em sua relevância no futebol europeu. Ainda passou pelo segundo quadro e ficou no banco de Kenneth Vermeer, mas ganhou a posição em 2013/14. Foi o momento certo para despontar rapidamente na seleção e virar uma figura importante na Copa de 2014. Era o período mais bem sucedido do arqueiro, que se tornou o dono da posição na equipe nacional e emendou boas temporadas com os Ajacieden. Aproveitando o renome, Cillessen se transferiu ao Barcelona em agosto de 2016. Mas, desde então, sua caminhada foi marcada por altos e baixos.

Ao longo de três temporadas pelo Barcelona, Cillessen atuou muito pouco. Foi o indiscutível reserva de Marc-André ter Stegen. Apesar disso, mantinha seu posto na seleção intacto. A mudança para o Valencia em 2019 garantia mais minutos em campo, mas isso não foi tão certo. As lesões e as fases reticentes se acumularam. Exceção feita à primeira temporada, o goleiro sequer se estabeleceu como titular absoluto. Também perdeu espaço na seleção e foi um polêmico corte às vésperas da Euro 2020, ao ser infectado pelo coronavírus.

Neste momento, Cillessen até se envolveu numa controvérsia relacionada ao NEC. O goleiro apareceu nas comemorações do acesso à primeira divisão em 2021 e teria sido infectado nesse momento, algo que ele negaria. De qualquer maneira, a ligação permanente com o NEC ficava expressa. E numa janela de transferências em que não apareceram tantas propostas favoráveis, o arqueiro decide retornar ao seu antigo clube. Deve aparecer na metade inferior da tabela, mas poderá recuperar seu ritmo e permanecer às ordens da seleção.

Mesmo com os problemas no Valencia, Cillessen continuou nas últimas convocações de Louis van Gaal. Está claro como o treinador mantém o goleiro em alta conta, inclusive pela relação construída na Copa de 2014. E, considerando a carência da Oranje em relação aos goleiros, não surpreenderá se Cillessen constar entre os presentes para o Mundial de 2022. Para tanto, não fará diferença a falta de projeção de seu novo clube.

O NEC estreou na Eredivisie com derrota, batido pelo Twente por 1 a 0 dentro de casa. O elenco dirigido por Rogier Meijer é bastante modesto, com relevância inegável de Cillessen nas perspectivas de permanência na primeira divisão. Resta saber se essa decisão do veterano encaminhará o fim de sua carreira ou ainda permitirá outra passagem por um clube de mais peso.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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