Holanda

Análise – Holanda

Você pediu. Você comentou – mais de 30 leitores pitacaram na última coluna, provável recorde dela, desde os tempos em que Cassiano Ricardo Gobbet, fundador desta Trivela, a assinava. E ficou decidido, por você, que as próximas duas colunas fariam uma detalhada retrospectiva dos campeonatos Belga e Holandês, antes de mergulharmos de cabeça na participação da Holanda na Eurocopa (diga-se de passagem, e o corte de Emanuelson, hein?).

Pois bem, comecemos com a análise detalhada da Eredivisie. Pode parecer que o campeonato foi cansativo e chato: Ajax bicampeão, o Trio de Ferro ocupando as três primeiras posições… mas só uma visão superficial daria essa impressão. Até as últimas rodadas, seis times chegaram a estar interessados no título. E todos eles eram capazes de conquistá-lo.

Por vias tortas, Ajax, Feyenoord e PSV conseguiram ocupar as três primeiras posições, pela primeira vez desde a temporada 2003/04 da Eredivisie. Mas, sem mais delongas, vamos tentar explicar, time por time, porque esta foi um dos melhores Campeonatos Holandeses dos últimos tempos. E, antes de mais nada: obrigado pelos comentários, de coração. O colunista não imaginava que fosse lido por tanta gente.

Ajax
Colocação final: campeão, com 76 pontos em 34 jogos
Técnico: Frank de Boer
Maior vitória: Ajax 6×0 Heracles Almelo (28ª rodada)
Maior derrota: Ajax 0x2 Utrecht (20ª rodada)
Principal jogador: Jan Vertonghen (zagueiro)
Artilheiro: Siem de Jong (13 gols)
Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo AZ
Competição continental: Liga dos Campeões (eliminado na fase de grupos) e Liga Europa (eliminado na segunda fase)
Nota da temporada: 9

Já se comentou várias vezes, nesta coluna, sobre o Ajax. E a conclusão final não é muito diferente: o time foi atrapalhado pelos problemas internos que a briga pelo poder causou. Uma vez livre deles, o ambiente ficou mais sereno. E bastou nova reação impressionante (13 vitórias nos 13 últimos jogos) para alcançar o bicampeonato. Mas ela provavelmente não viria se a equipe não conseguisse manter uma base que já joga junta há alguns anos. Nem se alguns atletas, como Vertonghen e Siem de Jong, não tivessem feito a melhor temporada de suas carreiras.

Além disso, a base Ajacied voltou a prover satisfatoriamente o time com jovens: Van Rhijn, que entrou em dificuldade e evoluiu continuamente, foi a prova disso. Voltando a ter o saudável hábito de superioridade na Holanda, o Ajax tem, agora, a missão de apresentar essa evolução também nas competições continentais. Mas precisa deixar de lado os problemas internos. O bicampeonato deixou a lição: sem eles, o clube é capaz de crescer.

Feyenoord
Colocação final: vice-campeão, com 70 pontos em 34 jogos
Técnico: Ronald Koeman
Maior vitória: Feyenoord 4×0 De Graafschap (6ª rodada) e Feyenoord 4×0 VVV-Venlo (9ª rodada)
Maior derrota: Groningen 6×0 Feyenoord (11ª rodada)
Principal jogador: John Guidetti (atacante)
Artilheiro: John Guidetti (20 gols)
Copa nacional: eliminado na terceira fase, pelo Go Ahead Eagles
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 9,5

Pouco antes do início da temporada, o Feyenoord viveu mais alguns capítulos da crise que o afligia há tempos. Sem clima com os jogadores, Mario Been foi demitido. Ronald Koeman chegou, em baixa, precisando retomar uma carreira combalida por trabalhos ruins em Valencia e AZ. Também modestas foram as contratações: a ênfase iria na utilização da base. Perdendo jogadores que carregavam o time em 2010/11, como Wijnaldum, Leroy Fer e Castaignos, o Stadionclub parecia se preparar para viver uma temporada melancólica, como as anteriores. Nesta coluna, mesmo, supunha-se que um lugar no play-off por Liga Europa já seria ótimo. Mas o que se viu foi uma das temporadas mais empolgantes da história recente do futebol holandês. A base, que supunha-se “verde” demais, resultou numa equipe aguerrida, para a qual não existia bola perdida. Nada mais ao gosto da torcida do Feyenoord.

Só que, ao mesmo tempo, houve o talento. O talento de Guidetti, que desembestou a fazer gols, foi o homem do time, virou o xodó da torcida. O talento de Bakkal, outra contratação, que deu um toque de técnica ao meio-campo. O talento de Cabral, sempre pronto a dar velocidade ao meio-campo. O talento de Clasie, que mostrou raça e capacidade de sair jogando. Outros coadjuvantes, como Mulder e Vlaar, mais experientes, comandaram a garotada. Koeman soube levar o elenco de modo amistoso, calmo. O resultado: um time que nunca se abateu com resultados ruins. Que voltou a fazer do De Kuip uma fortaleza. Que superou os grandes rivais, como PSV e Ajax. E que, finalmente, levou o Feyenoord de volta à Liga dos Campeões. De fato, poucas surpresas poderiam ser mais agradáveis.

PSV
Colocação final: 3º colocado, com 69 pontos em 34 jogos
Técnico: Fred Rutten (até a 25ª rodada) e Phillip Cocu
Maior vitória: PSV 7×1 Roda JC (7ª rodada)
Maior derrota: PSV 2×6 Twente (24ª rodada)
Principal jogador: Dries Mertens (atacante)
Artilheiro: Dries Mertens (21 gols)
Copa nacional: campeão
Competição continental: Liga Europa (eliminado nas oitavas de final, pelo Valencia)
Nota da temporada: 8

Se o Feyenoord empolgou pela vontade, o PSV viveu a situação inversa. A equipe de Eindhoven podia se orgulhar de ter o melhor elenco da Holanda, além de ter feito contratações bem recomendáveis (Strootman, Wijnaldum, Matavz). E, durante boa parte da temporada, foi séria candidata ao título. E trazia dois dos grandes jogadores da Eredivisie: Strootman exibia qualidade técnica no meio-campo, e Mertens, bastante insinuante pela ponta esquerda, não deixava saudades de Dzsudzsák.

 

Porém, o início do ano trouxe uma semana aziaga: em apenas três jogos (dois pelo Holandês, um pela Liga Europa), 13 gols sofridos. Pronto: Fred Rutten, que já sairia ao final da temporada, teve a demissão antecipada. A defesa sofreu alterações. O time caiu de produção. E deixou a briga pelo título. Claro que o PSV não perdeu completamente o prumo: conseguiu classificação à Liga Europa. Mas, pelo que se esperava, restou um gosto amargo de decepção em De Herdgang.

AZ
Colocação final: 4º colocado, com 65 pontos em 34 rodadas
Técnico: Gertjan Verbeek
Maior vitória: ADO Den Haag 0x6 AZ (20ª rodada)
Maior derrota: Heerenveen 5×1 AZ (15ª rodada)
Principal jogador: Adam Maher (meio-campista)
Artilheiro: Jozy Altidore (15 gols)
Copa nacional: eliminado nas semifinais, pelo Heracles Almelo
Competição continental: Liga Europa (eliminado nas quartas de final, pelo Valencia)
Nota da temporada: 8

Na avaliação da metade da temporada do Campeonato Holandês, esta coluna dizia que, mesmo na liderança, o AZ teria um segundo turno desafiador, no qual precisaria lutar para manter a primeira posição. Não conseguiu. O que não significa que a temporada foi perdida. Afinal de contas, os Alkmaarders simplesmente fizeram o que já vinham fazendo nas últimas temporadas: mantiveram lugar entre os bons clubes da Eredivisie.

Aliás, foram até melhores, porque mantiveram-se na disputa do título até poucas rodadas antes do fim. De mais a mais, o bom trabalho (mais um) de Gertjan Verbeek se beneficiou da grande temporada de jogadores como Maher, Altidore, Rasmus Elm e Esteban. De quebra, ainda terminou a temporada em melhor situação do que o Twente, outro médio que vinha se apresentando entre os melhores clubes holandeses. Ou seja, mesmo que o título sonhado não tenha vindo, a temporada mostrou que o AZ está no caminho certo.

Heerenveen
Colocação final: 5º colocado, com 64 pontos em 34 rodadas
Técnico: Ron Jans
Maior vitória: Excelsior 0x5 Heerenveen (16ª rodada)
Maior derrota: Heerenveen 0x5 Ajax (29ª rodada)
Principal jogador: Bas Dost (atacante)
Artilheiro: Bas Dost (32 gols)
Copa nacional: eliminado nas semifinais, pelo PSV
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 8

Pela estrutura razoável do clube e as temporadas boas que vinha fazendo, dava para se supor que a 12ª colocação do ano passado era apenas uma circunstância para o Orgulho da Frísia. E a Eredivisie recém-terminada comprovou isso. O elenco era muito semelhante ao de 2010/11, mas a regularidade exibida foi muito maior. Além disso, determinados jogadores, que já haviam apresentado alguma qualidade, explodiram definitivamente nesta temporada. Foi o caso de Bas Dost, que já era cobiçado Holanda afora, e, com os 32 gols em 34 jogos, começou a ser cogitado como reforço para clubes médios europeus.

Mas não só: com bastante eficiência, aliada à habilidade técnica, Luciano Narsingh foi outro importante atacante no time de Ron Jans. No meio-campo, Filip Djuricic começou a assumir mais fortemente o papel de armador. E até novidades, como Daryl Janmaat e Jeffrey Gouweleeuw, satisfizeram na zaga. A temporada atual recuperou o papel do Heerenveen como time bem estruturado. A ver se o clube dá o salto que espera em 2012/13, com Marco van Basten como técnico.

Twente
Colocação final: 6º colocado, com 60 pontos em 34 rodadas
Técnico: Co Adriaanse (até a 17ª rodada) e Steve McClaren
Maior vitória: Utrecht 2×6 Twente (15ª rodada) e PSV 2×6 Twente (24ª rodada)
Maior derrota: VVV-Venlo 4×2 Twente (34ª rodada)
Principal jogador: Luuk de Jong (atacante)
Artilheiro: Luuk de Jong (25 gols)
Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo PSV
Competição continental: Liga Europa (eliminado nas oitavas de final, pelo Schalke 04)
Nota da temporada: 7,5

O Twente foi mal na temporada atual? Não necessariamente. Os Tukkers continuam tendo alguns dos melhores jogadores da Eredivisie: Luuk de Jong, vice-goleador do campeonato, Leroy Fer, Douglas, Mihaylov. Entretanto, até agora, a mudança de técnico é pouco compreensível. Porque, sob Co Adriaanse, a equipe chegou ao final do turno na segunda posição, com o título na alça de mira. E, sob Steve McClaren, o time apresentou uma irregularidade que prejudicou suas expectativas.

Pior: ela se acentuou nas últimas rodadas, justamente quando o Twente mais precisava se fortalecer para brigar pelo título. O resultado: após três temporadas, a equipe ficou fora das três primeiras posições. E, nos play-offs por vaga na Liga Europa, foi derrotada pelo RKC, só conseguindo lugar na Liga Europa pela vaga vinda a partir do troféu “Fair Play”. Nem a Copa da Holanda, vencida em 2010/11, esteve próxima. Mesmo sem ser vergonhosa, a temporada poderia ter sido bem melhor para o Twente.

Vitesse
Colocação final: 7º lugar, com 53 pontos em 34 jogos
Técnico: John van den Brom
Maior vitória: Vitesse 5×0 Roda JC (6ª rodada)
Maior derrota: Vitesse 0x4 Feyenoord (13ª rodada)
Principal jogador: Wilfried Bony (atacante)
Artilheiro: Wilfried Bony (12 gols)
Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo Heerenveen
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7,5

Pela pompa com que Merab Jordania assumiu o comando do clube, podia se supor que o Vitesse seria mais um daqueles clubes que tentaria disputar o título sem mais nem menos, com base apenas em um elenco reforçado por um montante generoso de euros. Isso ainda pode acontecer. Mas não foi agora. As contratações foram modestas, apostando mais na juventude (como Alex Ibarra, boa revelação) ou em jogadores com margem de evolução (como Wilfried Bony, que teve desempenho satisfatório e já é presença frequente na seleção da Costa do Marfim).

Além disso, atletas que já estavam nos Arnhemmers, como Van Ginkel e Büttner, fizeram temporada razoável. Tudo isso colaborou para mais um bom trabalho de John van den Brom, que pode levar mais um clube médio à Liga Europa, pelo segundo ano consecutivo – tudo depende da decisão dos play-offs, na qual os aurinegros enfrentam o RKC (final neste domingo). Além disso, dá mais sustentação ao projeto de fazer o Vitesse evoluir. Se Merab Jordania continua megalomaníaco, o Holandês deixou seu projeto mais realista. E isso é bom sinal.

NEC
Colocação final: 8ª colocação, com 45 pontos em 34 jogos
Técnico: Alex Pastoor
Maior vitória: NEC 4×0 Groningen (23ª rodada)
Maior derrota: AZ 4×0 NEC (3ª rodada)
Principal jogador: Lasse Schone (meio-campista)
Artilheiro: Lasse Schone (11 gols)
Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo PSV
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7

Os Nijmegenaren terminaram a temporada precisando evoluir: estavam na 15ª posição, apenas uma acima da zona da Nacompetitie. E o fizeram. De certa forma, a equipe realizou aquilo que dela se espera, no returno: perdeu dos grandes, mas teve desempenho igual ou melhor do que os times de igual escalão. Melhor: por vezes, apresentou atuações exemplares. Como no 1 a 0 sobre o Vitesse, no clássico da Géldria, encerrando um jejum de 32 anos sem vitórias. Ou nos 3 a 1 sobre o Twente. Ou nos 4 a 0 sobre o Groningen.

Para isso, colaboraram alguns fatores. Como a ascensão de Leroy George, que virou peça importante no ataque. Ou a regularidade maior da defesa, enfim consolidada nas laterais, com Zoltán Szelési e Kevin Conboy. E, finalmente (mas, talvez, como mais importante), a manutenção de Lasse Schone como principal armador, com regularidade que valeu ao dinamarquês justa transferência para o Ajax, em 2012/13. Nada mais natural, logo, que a ascensão vista tenha rendido vaga nos play-offs da Liga Europa – e uma das cinco melhores campanhas do returno. Se a tarefa do NEC era reagir, ela foi bem cumprida.

RKC
Colocação final: 9ª colocação, com 45 pontos em 34 rodadas
Técnico: Ruud Brood
Maior vitória: RKC 5×2 Roda JC (33ª rodada)
Maior derrota: RKC 0x4 Twente (9ª rodada)
Principal jogador: Evander Sno (meio-campista)
Artilheiro: Rick ten Voorde (9 gols)
Copa nacional: eliminado pelo Go Ahead Eagles, nas oitavas de final
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 8

Há exatos vinte anos, um clube recém-subido da segunda divisão holandesa não consegue vaga em competições europeias, logo em sua primeira temporada de volta à divisão de elite – a última vez foi com o Vitesse, em 1989/90. Pois o RKC está perto de conseguir tal feito: no momento em que estas linhas são escritas, o time acaba de empatar o jogo de ida da decisão por lugar na Liga Europa, contra o Vitesse. De certa forma, cumpriu o que prometeu, com o ótimo começo de Eredivisie: foi uma das boas surpresas da temporada.

Os Católicos foram outra equipe a conseguir afastar rapidamente o perigo do rebaixamento no returno. Valendo-se do fator casa (o time chegou a ficar cinco partidas sem perder no Mandemakers) e do visível crescimento de jogadores como Jeroen Zoet, goleiro titular da seleção holandesa sub-21, e Evander Sno, chefe das ações no meio-campo, a equipe de Ruud Brood teve até zebras de que se orgulhar, como um 2 a 1 sobre o PSV. Reforços, como Krisztián Nemeth, entraram bem na equipe. E o time da Valônia, agora, tem a missão de manter-se razoável, sem Ruud Brood, que sai após quatro anos de trabalho. Quem sabe, deixando o RKC na Liga Europa. Nada mal.

Roda JC
Colocação final: 10ª colocação, com 44 pontos em 34 rodadas
Técnico: Harm van Veldhoven
Maior vitória: Roda JC 7×0 Excelsior (17ª rodada)
Maior derrota: PSV 7×1 Roda JC (7ª rodada)
Principal jogador: Sanharib Malki (atacante)
Artilheiro: Sanharib Malki (25 gols)
Copa nacional: eliminado na terceira fase, pelo Ajax
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 7

Sabe aquele clube que passou completamente despercebido na temporada? Que não protagonizou nenhum vexame, mas também não se mostrou capaz de fazer coisa que valha? Pois bem, eis o retrato acabado do que foi o clube de Kerkrade nesta Eredivisie. Nunca chegou a empolgar, mas sempre esteve longe da ameaça do rebaixamento. A equipe manteve-se no lugar onde estava ao final do primeiro turno: disputando lugar no play-off para a Liga Europa.

No entanto, a má campanha do final da temporada regular (nos últimos sete jogos, quatro derrotas, sendo três nas últimas três rodadas) acabou com as chances do time de Harm van Veldhoven – aliás, de saída, pelo esgotamento natural após três anos de um trabalho satisfatório. Mas houve coisas boas: a solidez da base, que pouco mudou entre as temporadas. E, principalmente, os gols do sírio Sanharib Malki, terceiro maior goleador da Eredivisie. A estrutura já está montada para que Ruud Brood chegue e mantenha o Roda JC na situação segura em que ele está.

Utrecht
Colocação final:
11ª colocação, com 43 pontos em 34 rodadas
Técnico: Erwin Koeman (até a 9ª rodada) e Jan Wouters
Maior vitória: Utrecht 3×0 AZ (22ª rodada)
Maior derrota: Utrecht 2×6 Twente (15ª rodada)
Principal jogador: Edouard Duplan (meio-campista)
Artilheiro: Edouard Duplan, Nana Asare, Jacob Mulenga e Alexander Gerndt (7 gols)
Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo De Graafschap
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 6

Pelo modo como os Utregs terminaram o turno, o rebaixamento era algo temível, embora ainda evitável. O time jovem batia cabeça, e Jan Wouters era um interino tentando apagar o fogo. Bem, as coisas não melhoraram muito: para uma equipe que sonhava prosseguir entre os clubes médios que aspiram a participações esporádicas em torneios europeus, terminar em 11º é uma mostra de que as perdas (Vorm e Van Wolfswinkel, principalmente) fizeram a equipe baquear.

Felizmente, o estrago foi menor do que se previa. A segunda metade da temporada viu o crescimento de alguns jogadores, como Duplan e Gerndt. Teve algumas atuações boas contra times grandes – caso do 2 a 0 sobre o Ajax, em plena Amsterdam ArenA (por sinal, última derrota daquele que terminaria campeão), e do 3 a 0 sobre o AZ, talvez a melhor partida da equipe na temporada. E, entre mortos e feridos, salvaram-se todos em Utrecht. Hora de avaliar como fazer melhor.

Heracles
Colocação final: 12ª colocação, com 40 pontos em 34 rodadas
Técnico: Peter Bosz
Maior vitória: Heracles 7×0 VVV-Venlo (15ª rodada)
Maior derrota: Ajax 6×0 Heracles Almelo (28ª rodada)
Principal jogador: Willie Overtoom (meio-campista)
Artilheiro: Glynor Plet (10 gols)
Copa nacional: vice-campeão
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 6,5

A rigor, o Heracles poderia ter terminado em uma posição melhor no Holandês. Tinha talento para isso: atacantes como Everton e Darl Douglas são até razoáveis, no nível da Eredivisie. O time, mediano, apresentou alguma evolução no returno. Entretanto, algumas falhas esporádicas da defesa (principalmente do goleiro Pasveer) e a perda de Glynor Plet, que foi repor a lacuna deixada por Marc Janko no Twente, atingiram em cheio um time que já era mediano.

Eredivisie deixada em banho-maria, havia a Copa da Holanda. E os Almeloers acreditaram nela. Foram avançando. A vitória sobre o AZ, nas semifinais, representou um dos grandes momentos da história recente dos alvinegros. Evidentemente, o PSV era um rival forte demais, e a decisão da KNVB Beker escancarou isso: 3 a 0 foi até pouco. Mas foi a campanha no torneio de mata-mata da Holanda que levantou um pouco o moral do Heracles, num ano em que a equipe não fez mais do que era possível.

NAC Breda
Colocação final: 13ª colocação, com 38 pontos em 34 rodadas
Técnico: John Karelse
Maior vitória: NAC Breda 4×0 ADO Den Haag (23ª rodada)
Maior derrota: ADO Den Haag 3×0 NAC Breda (15ª rodada) e Excelsior 3×0 ADO Den Haag (18ª rodada)
Principal jogador: Alex Schalk (atacante)
Artilheiro: Alex Schalk e Robbert Schilder (6 gols)
Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo Vitesse
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 5

O NAC Breda, costumeiramente, é uma equipe que não dá passos maiores do que as pernas. Sequer sonha com o título, mas também não costuma sofrer com ameaças de rebaixamento. Pelo menos, era assim até a temporada atual. Porque, em alguns momentos, os Bredanaren andaram perigosamente perto da zona da Nacompetitie.

Conseguiram se recompor. O time voltou a aparecer bem em algumas partidas, como no 3 a 1 contra o PSV. Se Ömer Bayram caiu de produção, o jovem Alex Schalk ascendeu. Levou junto jogadores no meio-campo, como Kees Luijckx e Robbert Schilder. No gol, Jelle ten Rouwelaar comandou a defesa, como sempre costuma fazer. E o NAC, enfim, evitou o mal que se aproximava. Só que a temporada deixou um tom de que uma sacudidela é necessária no ambiente do Rat Verlegh.

Groningen
Colocação final: 14ª colocação, com 37 pontos em 34 rodadas
Técnico: Pieter Huistra
Maior vitória: Groningen 6×0 Feyenoord (11ª rodada)
Maior derrota: PSV 6×1 Groningen (14ª rodada)
Principal jogador: Dusan Tadic (meio-campista)
Artilheiro: David Texeira (8 gols)
Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo AZ
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 4,5

De time otimamente posicionado na disputa por um lugar na Liga Europa a equipe com aparência de decadente. De equipe motivada a time preguiçoso. Pode-se dizer que o Groningen fez o caminho inverso ao que se esperava dele, ao final do primeiro turno. Nunca foi ameaçado verdadeiramente pelo rebaixamento, mas fez o pior returno possível. De fato e de direito.

Pior é saber que alguns jogadores apresentaram bom desempenho. Como Leandro Bacuna, que consolidou-se como uma boa revelação do time. Ou, principalmente, Dusan Tadic, meio-campista que sabia finalizar bem – tanto é que foi “premiado” com transferência para o Twente, na próxima temporada. David Texeira, por sua vez, fez alguns gols. Ainda assim, o time foi caindo. Claro, Pieter Huistra acabou sendo demitido, como punição. Merecida. O Groningen deveria ter feito mais. Dura decepção nesta Eredivisie.

ADO Den Haag
Colocação final: 15º colocado, com 32 pontos em 34 jogos
Técnico: Maurice Steijn
Maior vitória: ADO Den Haag 3×0 NAC Breda (15ª rodada)
Maior derrota: ADO Den Haag 0x6 AZ (20ª rodada)
Principal jogador: Jens Toornstra (meio-campista)
Artilheiro: Lex Immers
Copa nacional: eliminado na terceira fase, pelo Vitesse
Competição continental: Liga Europa (eliminado na terceira fase preliminar, pelo Omonia Nicosia-CHP)
Nota da temporada: 4

A tentativa de manter Maurice Steijn, auxiliar de John van den Brom na ótima campanha em 2010/11, foi para conservar o bom trabalho que o antecessor deixara. Tarefa que já se revelava distante, apesar de a equipe manter-se na metade da tabela. Mas a forte impressão de decepção continuava, apesar de o elenco continuar praticamente o mesmo.

Só que o perigo de uma queda para a Nacompetitie foi assustadoramente alto. No segundo turno, o time foi melhor apenas do que o Groningen. Começou a cair perigosamente nas últimas rodadas – perdeu as últimas cinco partidas. Salvou-se porque alguns jogadores exibiram boas performances, vez por outra, como Lex Immers, Jens Toornstra e o goleiro Gino Coutinho. Mas a temporada atual pareceu ser a décima segunda badalada para a Cinderela chamada ADO Den Haag.

VVV-Venlo
Colocação final: 16º colocado, com 31 pontos em 34 jogos (jogando a chance de permanência, na Nacompetitie)
Técnico: Glen de Boeck (até a 17ª rodada) e Ton Lokhoff
Maior vitória: VVV-Venlo 4×1 RKC (10ª rodada) e De Graafschap 4×1 VVV-Venlo (22ª rodada)
Maior derrota: Heracles 7×0 VVV-Venlo (15ª rodada)
Principal jogador: Michael Uchebo (atacante)
Artilheiro: Yanic Wildschut (7 gols)
Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo Heerenveen
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 4,5

Os Venlonaren não deixam de ser uma razoável surpresa. Terminaram o turno em condições ruins, até mais próximos da queda. Mas decidiram agir. Ton Lokhoff estreou, no segundo turno, tendo novas opções à sua disposição, conseguidas com empréstimos aqui e ali: o Twente cedeu Steven Berghuis, para o ataque, Ismo Vorstermans veio do Utrecht para ser o parceiro de Maya Yoshida na zaga…

Paralelamente, alguns jogadores cresceram de produção, como Michael Uchebo, Yanic Wildschut, Robert Cullen e Barry Maguire. Houve uma boa sequência, de quatro vitórias consecutivas. O bom final, com duas vitórias nos três últimos jogos – a despeito da performance medrosa contra o Ajax, no jogo do título deste. Mas a Nacompetitie estava salva. O primeiro desafio foi superado de modo eletrizante: 4 a 3, no último minuto, contra o Cambuur Leeuwaarden. E, com um 2 a 1 fora de casa contra o Helmond Sport, a permanência por mais um ano está quase garantida. De certo modo, admirável. Mas sorte não dura para sempre.

De Graafschap
Colocação final: 17º colocado, com 24 pontos em 34 rodadas (rebaixado, na Nacompetitie
Técnico: Andries Ulderink (até a 22ª rodada) e Richard Roelofsen
Maior vitória: De Graafschap 3×0 Utrecht (29ª rodada)
Maior derrota: Feyenoord 4×0 De Graafschap (6ª rodada) e AZ 4×0 De Graafschap (16ª rodada)
Principal jogador: Rydell Poepon (atacante)
Artilheiro: Michael de Leeuw (10 gols)
Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Heracles
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 3,5

Alertava-se, aqui nesta coluna, na análise sobre o turno, que os Superboeren precisavam se cuidar. Tinham um time com algumas boas atuações individuais, mas não conseguiam engrenar. Até havia tempo para a reação, mas ela precisava ser rápida. O que ocorreu foi o inverso: o time de Doetinchem afundou-se na crise. Chegando a ocupar a lanterna, Andries Ulderink não resistiu e caiu. Restou a Richard Roelofsen, técnico da equipe B, tentar apagar o incêndio.

Algumas figuras cresceram de produção, como Poepon, De Leeuw e El Hassnaoui. O time conseguiu sair da lanterna e ganhou a “segunda chance” na Nacompetitie. No entanto, pesou um dos principais defeitos: o péssimo desempenho em casa (o De Graafschap foi a pior equipe da temporada, em jogos como mandante – em 17 jogos, 13 derrotas). Um empate sem gols, contra o Den Bosch, fora de casa. Outro, em Doetinchem, com 1 a 1. E a queda. Poderia ter sido evitada, mas foi até natural, pelo desânimo visto no returno.

Excelsior
Colocação final: 18º colocado, com 19 pontos em 34 rodadas (rebaixado)
Técnico: John Lammers
Maior vitória: Excelsior 3×0 NAC Breda (18ª rodada)
Maior derrota: Roda JC 7×0 Excelsior (17ª rodada)
Principal jogador: Roland Alberg (meio-campista)
Artilheiro: Roland Alberg (6 gols)
Copa nacional: eliminado pelo GVVV, na terceira fase
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 2

Os Kralingers passaram o segundo turno alternando-se com De Graafschap e VVV-Venlo para ver quem ainda teria esperanças de se manter na Eredivisie, jogando a Nacompetitie, e quem teria de amargar a queda direta. Após um bom tempo disputando a saída da última posição com o time de Doetinchem, pesou o segundo turno terrível do time de John Lammers: apenas duas vitórias, como no primeiro turno.

E o mais duro é saber que o Excelsior até melhorou em relação ao turno: afinal de contas, não foi o pior time das últimas 17 rodadas, superando ADO Den Haag e Groningen – o que, na verdade, depõe contra estes. Ainda assim, ficou abaixo de seus adversários diretos na luta contra o rebaixamento. E nenhum jogador pode ser considerado como destaque, como alívio na luta inglória. Que, apesar das variações, terminou como se esperava: com o retorno à Eerste Divisie, após duas temporadas.

 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo