Holanda

Análise da temporada (II): os times de desempenho mediano

Curiosamente, a parte do meio da tabela do Campeonato Holandês revela distorções em relação ao resultado esperado. Claro, times como Heracles e Groningen estão em seu estado natural, ao figurarem entre os seis medianos dentre os 18 participantes. No entanto, houve duas decepções gigantescas: sempre candidatos a figurarem na metade de cima e até a disputarem vaga nas competições continentais, AZ e Heerenveen decepcionaram.

Por outro lado, o Zwolle, que parecia condenado ao rebaixamento, ancorou-se em bons resultados contra times grandes para criar um espírito de disposição, que lhe permitiu subir e garantir mais um ano na primeira divisão. Uma boa surpresa, mesmo entre os clubes que não se destacaram na Eredivisie. Ou que talvez tenham até se destacado, de um modo diferente.

Heracles Almelo

Colocação final: 12º colocado, com 38 pontos em 34 rodadas (superior ao NAC Breda por ter mais gols pró)

Técnico: Peter Bosz

Maior vitória: Heracles Almelo 5×1 Roda JC (13ª rodada)

Maior derrota: Feyenoord 6×0 Heracles Almelo (32ª rodada)

Principal jogador: Lerin Duarte (atacante)

Artilheiro: Everton (10 gols)

Copa nacional: eliminado nas quartas de final, pelo Zwolle

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 5

Às vezes, times sofrem um forte baque durante a temporada. Até possuíam um desempenho regular, mas ele decai ligeiramente com fatores externos, como a perda de um jogador importante. Esse foi exatamente o caso que aconteceu com os Heraclieden. Não que a equipe estivesse voando no turno, longe disso. Mas é fato que o trio de ataque formado pelo brasileiro Everton, Ninos Gouriye e Lerin Duarte estava rendendo bem, entre outros fatores, pela ótima fase que o meio-campista Willie Overtoom vivia. Só que veio a metade da temporada, a janela de transferências, e Overtoom foi-se para o AZ.

Sem o camaronês, restou ao trio de ataque arrumar as próprias jogadas. Até houve êxito nisso, já que os atacantes continuaram rendendo razoavelmente. Prova disso foi a convocação de Lerin Duarte para a seleção holandesa, nos amistosos contra Indonésia e China. Mas os Almelöers perderam a chance de aspirarem a coisas maiores. Além disso, Everton já se bandeou para o Al-Nassr, da Arábia Saudita. E o Heracles chegará para a temporada 2013/14 com mais dúvidas do que certezas.

Zwolle

Colocação final: 11º colocado, com 39 pontos em 34 rodadas

Técnico: Art Langeler

Maior vitória: Zwolle 4×2 ADO Den Haag (34ª rodada)

Maior derrota: Zwolle 0x4 NEC (4ª rodada) e AZ 4×0 Zwolle (33ª rodada)

Principal jogador: Denni Avdic (atacante)

Artilheiro: Denni Avdic e Fred Benson (8 gols)

Copa nacional: eliminado nas semifinais, pelo PSV

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 6,5

Estava absolutamente claro que a tarefa dos Zwollenaren seria lutar contra o rebaixamento, durante todo o Campeonato Holandês. E seria necessário todo o esforço para que a equipe conseguisse fazer isso. Ao final do primeiro turno da liga, a tendência era de que o feito seria muito difícil, já que a equipe patinava entre o 14º e o 16º lugares, sem sair deles quase nunca. E quando oscilara, fora para baixo, na penúltima colocação.

Só que veio a vitória sobre o PSV, em Eindhoven, na 19ª rodada, a primeira feita em 2013. O triunfo sobre o então líder da Eredivisie deu a grande ajuda ao Zwolle: saber que poderia superar suas dificuldades na base da garra. Bastou que a equipe se esforçasse, e que algumas nesgas de talento se vissem pelo elenco (principalmente em Denni Avdic, sueco emprestado pelo Werder Bremen). Com isso, vieram resultados como a vitória sobre o Feyenoord (3 a 2) e o empate sobre o Twente (1 a 1), conseguidos por um time cada vez mais aguerrido.

E a raça premiou o Zwolle com a salvação do rebaixamento sendo garantida a algumas rodadas do fim. Mais do que isso: com Heracles, NAC Breda e NEC sendo derrotados na rodada final, os Blauwvingers foram do 14º ao 11º lugar. Apesar da campanha irregular, essa “sorte” foi um prêmio merecido por tanto esforço para evitar o destino cruel. E esse esforço é a grande lição que fica para a próxima temporada, sob o comando de um novo técnico, Ron Jans.

AZ

Colocação final: 10º colocado, com 39 pontos em 34 rodadas (superior ao Zwolle por ter mais gols pró)

Técnico: Gertjan Verbeek

Maior vitória: AZ 6×0 Utrecht (30ª rodada)

Maior derrota: PSV 5×1 AZ (4ª rodada)

Principais jogadores: Jozy Altidore (atacante) e Adam Maher (meio-campista)

Artilheiro: Jozy Altidore (23 gols)

Copa nacional: campeão

Competição continental: Liga Europa (eliminado nos play-offs, pelo Anzhi-RUS)

Nota da temporada: 6

A conquista do quarto título de sua história na Copa da Holanda foi um exemplo perfeito da alternância de sentimentos com que o AZ encerrou sua temporada. Claro, a comemoração vista no De Kuip, após o 2 a 1 sobre o PSV, premiava vários fatores: o trabalho regular que Gertjan Verbeek conduz há quase dois anos em Alkmaar; a temporada assombrosa de Altidore, provavelmente o melhor jogador norte-americano do ano; a comprovação do talento de Adam Maher, estrela ascendente no futebol holandês… enfim, um título mais do que justo.

E é exatamente por esses fatores que a campanha bastante apagada no Campeonato Holandês é quase imperdoável. O nível dos Alkmaarders era mais do que suficiente para uma campanha bem melhor do que o 10º lugar. E no entanto, a equipe andou até próxima da perigosa zona da Nacompetitie, o play-off contra o rebaixamento. Crise no elenco? Não se soube de nada. Cansaço do modo de trabalho de Verbeek? Difícil imaginar – até houve críticas, mas pouco se falou de demissão.

O único fator que poderia justificar levemente a temporada bem mediana do AZ no Campeonato Holandês é a saída de Moisander, ainda no início do campeonato, que forçou a defesa a se acostumar em jogar sem o finlandês, que era seu ponto de segurança. Mas é pouco. Fica o mistério sobre as razões. E também a sensação de que o AZ precisará mostrar serviço em 2013/14, para apagar a grande decepção só diminuída pela conquista da Copa da Holanda.

ADO Den Haag

Colocação final: 9ª colocado, com 40 pontos em 34 rodadas

Técnico: Maurice Steijn

Maior vitória: NAC Breda 0x3 ADO Den Haag (14ª rodada)

Maior derrota: PSV 7×0 ADO Den Haag (21ª rodada)

Principal jogador: Mike van Duinen (atacante)

Artilheiro: Danny Holla e Mike van Duinen (11 gols)

Copa nacional: eliminado na terceira fase, pelo Groningen

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 6

É padrão do Campeonato Holandês (bem, é padrão de qualquer campeonato mundo afora) ter sempre uma equipe medíocre, na acepção da palavra. Uma equipe que não chega a sonhar em frequentar a ponta da tabela, mas raramente tem motivos para se preocupar com um eventual rebaixamento. E o ocupante desse papel, na temporada 2012/13, foi o ADO Den Haag. Mostras disso já eram dadas no turno, quando a equipe se mantinha firme no oitavo lugar. E assim continuou.

Mesmo com a considerável perda de Jens Toornstra, na janela de transferências de janeiro, o time de Haia continuou tendo atuações sólidas. Danny Holla assumiu o protagonismo que era de Toornstra, no meio-campo; Mike van Duinen se assumiu como uma das boas revelações da Eredivisie, no ataque; e a defesa teve bons valores em Tom Beugelsdijk e Kenneth Omeruo. Não é um time que possa sonhar muito. Mas tampouco teve pesadelos. E o cenário deverá continuar assim na próxima temporada.

Heerenveen

Colocação final: 8º colocado, com 42 pontos em 34 rodadas

Técnico: Marco van Basten

Maior vitória: Heerenveen 3×0 Groningen (9ª rodada)

Maior derrota: PSV 5×1 Heerenveen (12ª rodada)

Principal jogador: Alfred Finnbogason (atacante) e Filip Djuricic (meio-campista)

Artilheiro: Alfred Finnbogason (24 gols)

Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Feyenoord

Competição continental: Liga Europa (eliminado nos play-offs, pelo Molde-NOR)

Nota da temporada: 6

Se a temporada houvesse terminado em janeiro, o Heerenveen seria uma decepção tão grande quanto o AZ. Bem, talvez menor, já que o time da Frísia sempre ocupou posição mediana, historicamente, no Campeonato Holandês. Mas era inegável que o Fean também tinha time para ocupar posição muito melhor do que a parte de baixo da tabela. Até por também ter participado das fases preliminares da Liga Europa. Mas ao contrário do AZ, na Eredivisie, o Heerenveen acordou.

Guiado pelo faro de gol absurdamente apurado de Finnbogason (o islandês fez 24 dos 50 gols dos frísios na liga – 48% dos tentos do time!) e pela habilidade de Djuricic na armação – além de boas contratações, como Joey van den Berg e Yassine El Ghanassy -, o time engatou cinco vitórias consecutivas, entre a 24ª e a 28ª rodada. Bastou para subir a ponto de garantir vaga nos play-offs da Liga Europa. Não se classificou, e nem merecia.

Mas o Heerenveen, pelo menos, aprendeu a lição a tempo de melhorar sua campanha na Eredivisie. E dar a Marco van Basten a chance de provar, em 2013/14, que pode comandar um time que não entre em problemas, que pode formar equipes sólidas. Coisa que nunca conseguiu em sua carreira de treinador.

Groningen

Colocação final: 7º colocado, com 43 pontos em 34 rodadas

Técnico: Robert Maaskant

Maior vitória: Groningen 2×0 Heracles Almelo (15ª rodada)

Maior derrota: PSV 5×2 Groningen (32ª rodada)

Principal jogador: Michael de Leeuw (atacante)

Artilheiro: Michael de Leeuw (11 gols)

Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Ajax

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 6

Às vezes, o futebol é engraçado. O Groningen nunca chegou a passar perigo, nem a passar vexames. No entanto, a torcida criticava bastante o estilo excessivamente pragmático do time de Robert Maaskant. Ainda assim, não havia muito problema entre os jogadores – nem entre estes e o técnico. Mas algo parecia não encaixar. Até que depois do empate em um gol contra o NAC Breda, na 26ª rodada, a gota d’água chegou: a torcida protestou no Euroborg, e Maaskant se insurgiu contra as críticas.

Não demorou muito, e o treinador confirmou que não ficaria no clube após o fim da temporada. E o ambiente desanuviou-se claramente: o Groningen conseguiu um ótimo embalo na parte final da temporada, chegando a ter quatro vitórias consecutivas. Michael de Leeuw, que era a única andorinha a tentar fazer verão no time do norte, ganhou o acompanhamento do uruguaio David Texeira – enquanto Virgil van Dijk firmava-se como revelação da Holanda, na zaga.

Com um clima mais leve, o Orgulho do Norte chegou aos play-offs para a Liga Europa. Mesmo sem a vaga, fica a esperança de que o time mantenha a calma e a aliança com a torcida, sob o comando do promovido assistente Erwin van de Looi.

Semana que vem, a última parte da análise da temporada. Ou não: caso a Jong Oranje consiga avançar à decisão do Europeu sub-21 (e mais do que isso: caso seja campeã), merecerá uma análise à parte. Fica combinado assim.

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