Holanda

Análise da temporada (I): os rebaixados e quem se salvou

Sinceramente, com o final do Campeonato Holandês da temporada 2012/13 tendo Ajax, PSV e Feyenoord como os três primeiros colocados, pode parecer que a Eredivisie voltou a ser um torneio monótono – como esta coluna até temeu, no guia para a temporada passada. Bem, desde que o Ajax venceu o PSV fora de casa, na 30ª rodada, e partiu para o título, até ficou monótono, mesmo. Contudo, antes disso, a disputa do título holandês chegou a envolver cinco clubes.

E mesmo nas posições mais baixas da tabela, a irregularidade de alguns clubes tornou o campeonato até mais atraente do que ligas de ponta na Europa. Por isso, houve motivos para se ter alguma esperança no desenvolvimento interno do futebol holandês. Isso é mostrado nesta primeira das três partes da análise da temporada da Eredivisie: equipes como o NEC poderiam ter ido melhor, mas caíram por péssimas sequências de resultados. E o NAC Breda, quase condenado a cair, ressurgiu. Confira.

Willem II

Colocação final: 18º colocado, com 19 pontos em 34 rodadas (rebaixado)

Técnico: Jurgen Streppel

Maior vitória: Willem II 3×1 Heerenveen (15ª rodada)

Maior derrota: Willem II 2×6 Twente (5ª rodada)

Principal jogador: Aurélien Joachim (atacante)

Artilheiro: Aurélien Joachim (6 gols)

Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo Dordrecht

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 3,5

Imagine alguém indo para o matadouro – e sabendo que dificilmente terá salvação. Situação aparentemente dramática. Ou, se não dramática, bem fatalista. Aparentemente, não foi o caso do Willem II. Os Tricolores sabiam que eram francos candidatos ao rebaixamento. Fizeram o que podiam para evitar isso, mas o que podiam era bem pouco. Então, trataram de jogar com a maior dignidade possível, tranquilamente.

Algumas vezes, o time até ofereceu alguma dificuldade (na 29ª rodada, o PSV só transformou o empate por 1 a 1 numa vitória por 3 a 1 nos quinze minutos finais da partida). E viu algumas boas atuações individuais, principalmente do luxemburguês Aurélien Joachim. Mas o nível baixo da equipe tornava a queda inevitável. Tudo bem: Jurgen Streppel até renovou contrato por dois anos. Afinal de contas, a vida é assim mesmo.

VVV-Venlo

Colocação final: 17º colocado, com 28 pontos em 34 rodadas (rebaixado na Nacompetitie)

Técnico: Ton Lokhoff

Maior vitória: VVV-Venlo 4×1 Willem II (12ª rodada)

Maior derrota: VVV-Venlo 0x6 PSV (7ª rodada)

Principal jogador: UcheNwofor (atacante)

Artilheiro: Uche Nwofor e Edwin Linssen (8 gols)

Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo GoAhead Eagles

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 3

Não foi por falta de aviso. Já havia duas temporadas, os Venlonaren só salvavam-se do rebaixamento na Nacompetitie. Precisariam melhorar bastante, para evitar a queda. Na primeira metade da temporada, embora houvesse alguns espasmos e algumas boas atuações (Nwofor, Van Haaren, Wildschut, Linssen), a equipe seguiu a mesma toada dos últimos campeonatos, ficando entre as últimas colocações.

Novamente, o VVV foi deixando o barco correr. E a despeito de alguns resultados surpreendentes, como a vitória por 1 a 0 sobre o Vitesse na última rodada, os aurinegros jogaram as fichas em mais uma Nacompetitie. Mas o Go Ahead Eagles, que já havia sido o algoz na Copa da Holanda, eliminando-os nos pênaltis, enfim tratou de concretizar um rebaixamento há muito anunciado. Que o VVV tenha aprendido a lição.

Roda JC

Colocação final: 16º colocado, com 33 pontos em 34 rodadas

Técnico: Ruud Brood

Maior vitória: Roda JC 4×1 Groningen (25ª rodada)

Maior derrota: PSV 5×0 Roda JC (2ª rodada)

Principal jogador: Sanharib Malki (atacante)

Artilheiro: Sanharib Malki (17 gols)

Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo PEC Zwolle

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 4

Se o VVV-Venlo não conseguiu vencer a sorte dessa vez, ela passou para o Roda JC. Na comum irregularidade que a equipe de Kerkrade vive nas últimas temporadas (há dois campeonatos, a equipe se classificou para disputar os play-offs por vaga na Liga Europa), foi época de dureza. Ruud Brood nunca conseguiu fazer a equipe apresentar desempenho que desse alguma segurança. Até porque a defesa era fonte de incertezas: ao mesmo tempo em que tinha o razoável goleiro Filip Kurto, tinha o instável Danilo Pereira.

Mas, para a sua sorte, o Roda tinha um salvador. O seu nome é Sanharib Malki. Marcando vários gols na temporada – chegou a passar três rodadas consecutivas deixando a esférica no filó adversário -, o sírio justificou além do necessário o status de destaque que ocupa na equipe. Com a ajuda de alguns reforços que chegaram, como Frank Demouge, bastou para salvar o Roda, na Nacompetitie. Fica o desafio de provar que o susto serviu de lição, e parar com a roda-viva das últimas temporadas.

NEC

Colocação final: 15º colocado, com 37 pontos em 34 rodadas

Técnico: Alex Pastoor

Maior vitória: PEC Zwolle 0x4 NEC (4ª rodada)

Maior derrota: Ajax 6×1 NEC (2ª rodada)

Principal jogador: Ryan Koolwijk (meio-campista)

Artilheiro: Melvin Platje (9 gols)

Copa nacional: eliminado na segunda fase, pelo Feyenoord

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 4,5

O que faz um final ruim de temporada… os Nijmegenaren não foram uma equipe ruim durante o Holandês. Ficaram numa média aceitável. No meio-campo, Koolwijk apresentou qualidade na saída de bola, enquanto Leroy George e Melvin Platje davam alguma rapidez ao ataque. Tanto é que a equipe terminou o turno num respeitável 7º lugar. E a rotina vinha sendo a mesma. Pelo menos, até a 24ª rodada.

Porque aí, a equipe sofreu a duríssima sequência de 10 partidas sem vitória. E delas, em nove o NEC saiu de campo derrotado. Com tal sequência, não havia como sonhar com Liga Europa, mesmo. E o perigo da repescagem contra o rebaixamento só fez crescer. A pontuação já era segura para evitá-la, mas o susto passado foi absolutamente desnecessário. Um fim de temporada para se esquecer.

RKC Waalwijk

Colocação final: 14º colocado, com 37 pontos em 34 rodadas

Técnico: Erwin Koeman

Maior vitória: RKC Waalwijk 4×0 Utrecht (12ª rodada) e RKC Waalwijk 4×0 ADO Den Haag (28ª rodada)

Maior derrota: RKC Waalwijk 0x4 NAC Breda (20ª rodada) e Heracles Almelo 4×0 RKC Waalwijk (31ª rodada)

Principal jogador: Jeroen Zoet (goleiro)

Artilheiro: Teddy Chevalier (8 gols)

Copa nacional: eliminado na terceira fase, pelo Zwolle

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 4,5

O RKC poderia ter feito uma campanha para ficar algumas posições acima. Entretanto, já sofria com a irregularidade no final do turno. E acabou piorando um pouco mais com o returno: de seis derrotas após 18 rodadas, foi para 15, em todo o campeonato. O perigo de rebaixamento só foi controlado pelas vitórias esporádicas e pelos empates, que também vieram em grande quantidade.

Claro, houve boas surpresas entre os Católicos. Não bastasse ir bem quando escalado no meio-campo, Florian Jozefzoon ajudou no ataque, roubando a titularidade de Teddy Chevalier, que até já rescindiu contrato com o clube. Mas o ponto mais confiável foi no gol, onde Jeroen Zoet consolidou-se como revelação holandesa na posição. Mas o empréstimo terminou, e Zoet voltou ao PSV. E o time da Valônia fica com um horizonte nada otimista pela frente.

NAC Breda

Colocação final: 13º colocado, com 38 pontos em 34 rodadas

Técnico: John Karelse (até a 9ª rodada), Adri Bogers (entre a 10ª e 13ª rodadas) e Nebojsa Gudelj (desde a 14ª rodada)

Maior vitória: RKC Waalwijk 0x4 NAC Breda (20ª rodada) e NAC Breda 4×0 Willem II (27ª rodada)

Maior derrota: NAC Breda 1×6 PSV (18ª rodada)

Principal jogador: Jelle ten Rouwelaar (goleiro)

Artilheiro: Anthony Lurling (6 gols)

Copa nacional: eliminado nas oitavas de final, pelo Heracles Almelo

Competição continental: nenhuma

Nota da temporada: 6

Não, o centenário comemorado em 2012 não teve títulos. Mas houve uma coisa que deve dar muito orgulho aos Bredanaren: o espírito de luta que o NAC demonstrou na segunda metade da temporada. A equipe apática do turno, quase condenada ao rebaixamento, deu lugar a um grupo aguerrido, que já começou 2013 engatando três vitórias consecutivas. Claro, de nada adiantaria se não houvesse algum talento. E ele veio.

Na defesa, o brasileiro Eric Botteghin se sobressaiu no miolo de zaga. No meio-campo, Nemanja Gudelj assumiu o papel de armador, fazendo as jogadas para o veterano Anthony Lurling concluir. Todavia, se há um protagonista na reação, ele é Jelle ten Rouwelaar. Desde 2007 no clube, e desde 2008 atuando em cada minuto do NAC Breda na Eredivisie, o goleiro consolidou-se como líder da equipe. E motivou-a na reação para escapar do rebaixamento. Foi pouco, quase nada, mas foi bonito.

Na semana que vem, o meio da tabela. Até lá.

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