Análise da temporada (Holanda) – Parte II

A análise sobre como foi a temporada 2008/09 para o futebol holandês começou na semana passada, com a coluna esquadrinhando os cinco últimos colocados do campeonato. Agora, é hora dos seis que ficaram “no meio da tabela” – mas nem por isso fizeram temporadas “médias”. Alguns, como o Vitesse, passaram por apuros; outros, como o NAC Breda, conseguiram prêmios pelas boas performances.
Sparta Rotterdam
Colocação final: 13º colocado, 35 pontos em 34 jogos
Técnico: Foeke Booy
Maior vitória: Sparta Rotterdam 4×0 Volendam (11ª rodada), Sparta Rotterdam 4×0 NAC Breda (13ª rodada) e Sparta Rotterdam 4×0 Ajax (33ª rodada)
Maior derrota: AZ 6×0 Sparta Rotterdam (5ª rodada)
Principal jogador: Joey Godee (atacante)
Decepção: Iderlindo Moreno Freire (meio-campista)
Artilheiro: Rydell Poepon (9 gols)
Copa nacional: Eliminado nas oitavas-de-final, pelo NEC Nijmegen
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 5
O Sparta Rotterdam talvez possa ser comparado ao Heracles Almelo, nesta Eredivisie. Também foi absolutamente regular, mesmo na parte de baixo da tabela. Talvez, tenha corrido um pouco mais de perigo do que os Almeloers. Afinal, chegou a cair para uma perigosa 15ª posição, a última acima da zona da Nacompetitie. Mas conseguiu se segurar, graças a um time relativamente bem montado por Foeke Booy, e que tem até bons talentos, como Godee, Poepon, Dele Adeleye e Falkenburg. No gol, o brasileiro Cássio, emprestado pelo PSV, não decepcionou. É ver como o clube se sai na próxima temporada, agora com Frans Adelaar no banco – Foeke Booy foi para o Utrecht, onde será diretor técnico.
Willem II
Colocação final: 12º colocado, 37 pontos em 34 jogos
Técnico: Andries Jonker (até 23ª rodada) e Alfons Groenendijk
Maior vitória: Willem II 3×0 Groningen (12ª rodada)
Maior derrota: Ajax 7×0 Willem II (30ª rodada)
Principal jogador: Frank Demouge (atacante)
Decepção: Kiki Musampa (meio-campista)
Artilheiro: Frank Demouge (14 gols)
Copa nacional: Eliminado na terceira fase, pelo Roda JC
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 5,5
Os Tricolores não souberam aproveitar a boa fase que tiveram. Antes do fim do turno, a equipe de Andries Jonker estava firme na disputa por vaga nos play-offs para a Liga Europa. Além disso, Frank Demouge era um dos atacantes mais perigosos da Eredivisie, então. Porém, Jonker, mesmo pensando em deixar o cargo de treinador para se concentrar na direção técnica, preferiu se fiar na esperança de que a boa fase prosseguisse.
O resultado: um começo de segundo turno terrível, com a equipe acumulando tropeços. A fonte de gols de Demouge secando. Jonker tendo de sair às pressas, deixando a batata quente nas mãos de Alfons Groenendijk, seu auxiliar. Assim, uma equipe que tinha condições de sonhar com mais do que conseguiu no final acabou decaindo. Chance perdida.
NEC
Colocação final: 11º colocado, 42 pontos em 34 partidas
Técnico: Mario Been
Maior vitória: NEC 6×1 Volendam (14ª rodada)
Maior derrota: Roda JC 3×0 NEC (12ª rodada) e ADO Den Haag 3×0 NEC (27ª rodada)
Principal jogador: Youssef El-Akchaoui e Dani Fernandez (defensores)
Decepção: Collins John (atacante)
Artilheiro: Lasse Schöne e Youssef El-Akchaoui, ambos com 6 gols
Copa nacional: Eliminado nas quartas-de-final, pelo Heerenveen
Competição continental: Copa Uefa (eliminado nos 16avos-de-final, pelo Hamburg)
Nota da temporada: 6
Fim de uma era. O casamento entre Mario Been e os Nijmegenaren, que durou três sólidos anos, teve de chegar ao fim, já que Been não resistiu ao chamado do Feyenoord, seu clube do coração. Sem dúvida, o fato do treinador anunciar que deixaria a equipe, antes ainda do fim da Eredivisie, foi fundamental para que o time caísse de produção exatamente quando não podia cair: na fase final da liga, quando cada ponto significava muito, rumo aos play-offs.
E o NEC bem merecia sonhar com a repetição desta temporada, quando retornou à Copa Uefa. Se Mario Been teve um mérito, nos três anos passados em De Goffert, é o de ter conseguido fazer um time absolutamente coeso. Que, pouco a pouco, revelava gente merecedora de espaço em vitrines maiores, como Wisgerhof, já no Twente. Ou que recuperava refugos, como Dani Fernandez, encostado no Feyenoord e voltando por cima ao Stadionclub. Ou que tinha valores bons para o cenário interno, como Gábor Babos, um dos melhores goleiros da Eredivisie. Poderia ter sido melhor. Mas o trabalho de Mario Been deixa frutos. Que Dwight Lodeweges, o sucessor, saiba aproveitá-los.
Vitesse
Colocação final: 10º colocado, 43 pontos em 34 partidas
Técnico: Hans Westerhof (até 17ª rodada) e Theo Bos
Maior vitória: Vitesse 6×1 Utrecht (32ª rodada)
Maior derrota: Vitesse 0x4 Groningen (1ª rodada) e Utrecht 4×0 Vitesse (12ª rodada)
Principal jogador: Ricky van Wolfswinkel (atacante)
Decepção: Julian Jenner (meia)
Artilheiro: Ricky van Wolfswinkel (8 gols)
Copa nacional: Eliminado na terceira fase, pelo Lienden
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 5,5
Se havia um clube com todos os motivos para temer o rebaixamento, ao fim do primeiro turno, este era o aurinegro de Arnhem. Mesmo contando com um elenco razoável, até com atletas que passaram pelas convocações da seleção (como Sprockel e Velthuizen), o ambiente no Gelredome era bastante turbulento. Até por detalhes como as infelizes declarações de Hans Westerhof, afirmando que Sansoni e Sprockel não eram talentosos o bastante para jogar a Eredivisie. Enfim, o fim do turno mostrava um mafuá só.
Mas veio a pausa de inverno e, das trevas, fez-se a luz. Westerhof, com perda de sintonia total com o elenco, saiu, veio Theo Bos, com grande história no clube como jogador (lá atuou pelos 15 anos de sua carreira) e, com calma, foi realinhando o elenco. Atletas que estavam devendo, como Nicky Hofs, passaram a render mais. Contratações de risco, como Lasse Nilsson, emprestado pelo Saint-Etienne, deram certo. E, finalmente, houve a explosão do talentoso Van Wolfswinkel. O time se reergueu e logo afastou o fantasma da queda. Mais: goleou com categoria o Ajax e quase estragou a festa do título preparada para o AZ, ao vencer os Alkmaarders em pleno DSB Stadion. Caso a lição de prevenção tenha sido aprendida, o Vitesse tem um futuro mais otimista pela frente.
Utrecht
Colocação final: 9º colocado, 44 pontos em 34 partidas
Técnico: Wim van Hanegem (até 16ª rodada), Ton du Chatinier
Maior vitória: Utrecht 1×5 PSV (1ª rodada)
Maior derrota: Vitesse 6×1 Utrecht (32ª rodada)
Principal jogador: Cedric van der Gun (meio-campista)
Decepção: Vito Wormgoor (defensor)
Artilheiro: Cedric van der Gun (10 gols)
Copa nacional: Eliminado na segunda fase, pelo Ajax
Competição continental: nenhuma
Nota da temporada: 6
Mais um clube holandês onde os problemas internos trataram de minar as chances de chegar a algum lugar. A equipe tinha talentos: Michel Vorm, Barry Maguire, Tom Caluwé, Gregoor van Dijk, o próprio Van der Gun. Além do mais, o clube dá estrutura suficiente para que uma vaga em competições continentais seja alcançável. E tudo isso estava sob o comando de Wim van Hanegem, querido na Holanda.
Só que o presidente Jan-Willem van Dop pôs os pés pelas mãos. Demitiu toda a comissão técnica montada por “De Kromme”, montando uma nova, com a anuência do diretor técnico, Ton du Chatinier. Van Hanegem aguentou o ligeiro desafio à sua autoridade, mas não por muito tempo. Du Chatinier assumiu o cargo, e até levou o barco com competência, ainda que sofresse com problemas burocráticos (leia-se falta de diploma de treinador pela federação dos técnicos profissionais). Mas o trabalho teve de ser reiniciado. Ainda assim, quase uma vaga na Liga Europa foi obtida. Quem sabe em 2009/10, agora com os ânimos mais serenados e com Du Chatinier se concentrando apenas em treinar os Utregs, já que Foeke Booy vem para ser diretor técnico.
NAC Breda
Colocação final: 8º colocado, 45 pontos em 34 jogos
Técnico: Robert Maaskant
Maior vitória: Roda JC 0x3 NAC Breda (3ª rodada), NAC Breda 3×0 Heracles Almelo (11ª rodada) e Vitesse 0x3 NAC Breda (27ª rodada)
Maior derrota: Sparta Rotterdam 4×0 NAC Breda (13ª rodada), ADO Den Haag 4×0 NAC Breda (14ª rodada) e Heracles 4×0 NAC Breda (31ª rodada)
Principal jogador: Matthew Amoah (atacante)
Decepção:
Artilheiro: Matthew Amoah (12 gols)
Copa nacional: Eliminado nas semifinais, pelo Twente
Competição continental: Copa Intertoto (eliminado pelo Rosenborg)
Nota da temporada: 7
Os Bredase davam a impressão, no início da Eredivisie, de que tinham cacife para fazer parte do grupo que, ao longo do torneio, ficou só com AZ e Twente. Isto é, das equipes médias que brigariam de igual para igual com o Trio de Ferro. Afinal de contas, Robert Maaskant conseguiu tornar um elenco cheio de jogadores que já sofriam com a desconfiança que vitima os chamados “refugos” (como Boukhari e Reuser) novamente forte. Isso, aliado à competência mostrada pelos que em Breda já estavam (como Amoah) e a boas surpresas – o goleiro Ten Rouwelaar, por exemplo.
Só que o time foi muito irregular, ao longo das 34 rodadas. E isso colaborou para que o título, ou mesmo uma vaga direta na Liga Europa, fossem possibilidades afastadas, no fim. Mas Maaskant conseguiu outro mérito: o de focar o time na disputa do play-off. Bem pensado e melhor feito. Nas partidas decisivas, a equipe mostrou raça (como no jogo de ida da decisão, ao empatar no último minuto, jogando em casa) e habilidade (como nos 4 a 0 impiedosos e categóricos sobre o Feyenoord. Em pleno De Kuip) em doses equilibradas. O que culminou no triunfo final sobre o Groningen, no Euroborg. E na vaga na Liga Europa. Agora, o time pode provar se é capaz de mais coisas.



