Altos e baixos

Estava difícil, o jogo. Bem difícil. No primeiro tempo, mesmo na Crystal Arena, o Racing Genk não conseguira trazer muito perigo ao Zulte Waregem. Pior: já na etapa complementar, aos 21 minutos, Thomas Matton colocou o Essevee na frente. Aí, o atual campeão da Jupiler League se fortaleceu. Foi atrás e, afinal, conseguiu a virada: Vossen marcou, aos 30, e o defensor Torben Joneleit virou, aos 38. Tudo isso… para outro defensor, Rémi Maréval, empatar novamente, aos 42 minutos, salvando um ponto para os visitantes.
O frustrante empate exemplifica bem o que tem sido esse começo de temporada para o Genk. É uma equipe que ainda tem capacidades para fazer uma campanha satisfatória. A maioria dos jogadores que conquistou o título em 2010/11 ainda está no elenco. O esquema tático também não sofreu grandes alterações. Os resultados até são compreensíveis, na quarta rodada de um torneio que ainda terá mais 26, em sua fase de classificação.
No entanto, as dificuldades estão em número bem maior, agora. Para princípio de conversa, houve a contratação de Courtois, pelo Chelsea. Mas o grande golpe, até agora, veio com a saída repentina de Franky Vercauteren rumo ao Al Jazira. Perder, de modo imprevisto, o tecnico que ajudou o time a partir com solidez rumo à conquista da última temporada tem sido um impacto forte. Pois é: tem sido, no presente.
Porque o clube ainda não assegurou um substituto para Vercauteren. E, enquanto possíveis nomes são cogitados (a maioria de holandeses, sendo Henk ten Cate o favorito, enquanto Mario Been corre por fora – bem como Laszlo Bölöni), a dupla Pierre Denier-Hans Visser não consegue fazer o time engrenar. Tal irregularidade se nota pelo desempenho na Jupiler League: apenas uma vitória e dois empates até agora, o que resulta no nono lugar. E a única derrota ainda teve características bizarras: o 3 a 2 sofrido para o Cercle Brugge só teve gols para o Genk por “obra e graça” do defensor Denis Viane, dos Verdes-e-Negros, que fez dois gols contra.
Só que garantir a vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões, algo que se pensava simples, foi ainda mais difícil. Na última partida de Franky Vercauteren à frente da equipe, o Maccabi Haifa, adversário supostamente mais frágil, dominou completamente a partida. Fazia 2 a 0 em Ramat Gan, e mais poderia ter feito, antes de Elianiv Barda diminuir, no segundo tempo, minorando a dificuldade para reverter o péssimo resultado, no jogo de volta, em casa.
E continuou sendo difícil na Crystal Arena. Num final de primeiro tempo frenético, com três gols em seis minutos (Vossen abriu o placar aos 35, Eyal Golasa empatou para os israelenses aos 37, e Thomas Buffel recolocou o Genk na frente aos 41), o time continuou tendo dificuldades para conter os adversários. Precisou jogar 120 minutos insistindo, e tendo de definir a vaga nos pênaltis, mesmo com um a mais no final da prorrogação. E aí apareceu um sinal promissor: o húngaro Laszlo Köteles, que ocupou a vaga de Courtois no gol, defendeu as cobranças de Golasa e Vladimir Dvalishvili. E o Racing Genk atingiu seu objetivo: após dois anos, o futebol belga voltou a ter um representante na fase de grupos da Liga dos Campeões.
O que não significou que o time pode se aliviar. Porque o sorteio dos grupos foi cruel, reservando Chelsea, Valencia e Bayer Leverkusen como adversários. Portanto, convém ao Racing Genk achar rapidamente um rumo. Caso contrário, além de ser o saco de pancadas do Grupo E da Liga, pode ser tarde demais para reagir em termos domésticos.
Melhorou um pouco, bem pouco
O que o Ajax esperava do sorteio dos grupos da Liga dos Campeões era simples: não ter uma chave tão dura quanto a da temporada passada, com adversários de tradição ainda maior, como Milan e Real Madrid. Pois bem, há uma notícia boa e uma ruim para os Godenzonen. A boa é que, agora, sonhar com uma eventual classificação às oitavas de final da LC é um pouco mais possível.
A ruim é que a melhora foi milimétrica. Porque o Real Madrid, novamente, está no caminho – e, assim como em 2010/11, parece fadado até a ser líder do Grupo D. Caberá aos Ajacieden disputar uma vaga nas oitavas com o Lyon. E é certo que os lioneses já não têm um time tão hegemônico assim na França. Mas, bem ou mal, a equipe de Rémi Garde tem muito mais experiência do que o jovem elenco dos Amsterdammers. E, mais habituada à Liga dos Campeões, tem superioridade na disputa.
A esperança reside no fato de que os Gones ainda estão penando com a irregularidade, neste início de temporada. Ou seja, imaginar partidas equilibradas, tanto na Amsterdam ArenA quanto no Gerland, não é irreal. Agora, como bem disse Frank de Boer após o sorteio, “será um trabalho duríssimo”. Caso o Ajax fracasse, restará esperar que o Dínamo Zagreb decida aprontar contra os adversários



