Ajuda bem vinda
Jordy Clasie. Ricardo van Rhijn. Bruno Martins Indi. Tim Krul. São alguns nomes que Louis van Gaal colocou na seleção da Holanda, desde a sua volta – bem, Krul já estava lá ainda com Bert van Marwijk, mas só tornou-se titular com o novo técnico. Todos eles tiveram passagens pela seleção sub-21 da Holanda, nos últimos dois anos – é, até Clasie e Van Rhijn, ao contrário do que o colunista dissera, erro pelo qual ele pede desculpas.
Pois bem, e pode haver mais jovens pela frente. Tudo porque a Jong Oranje (“Laranja jovem”, apelido dado ao time sub-21) está às portas do retorno ao Europeu da categoria. Nesta quinta, em Senec, o time venceu a Eslováquia por 2 a 0, nos play-offs das eliminatórias, disputados entre os primeiros colocados dos grupos de qualificação, até que restem os sete que se juntarão ao anfitrião da fase final – no caso de 2013, Israel.
Um retorno ao principal campeonato europeu de seleções de base seria altamente útil. Não só para a seleção comandada por Cor Pot, mas também para a equipe de cima. Afinal, dentro do projeto de Van Gaal, rejuvenescer a Oranje é item de primeira necessidade. E o time de Cor Pot já tem certas peças que podem ser muito úteis ao time adulto. Aliás, já vêm sendo.
Tome-se, por exemplo, o goleiro Jeroen Zoet. Emprestado pelo PSV ao RKC, ele já é um dos grandes destaques dos Católicos, nas duas temporadas em que lá esteve. Titular da Jong Oranje, Zoet já recebeu o seu prêmio: após a lesão no cotovelo que forçou o corte de Krul antes do jogo contra a Hungria, pelas eliminatórias da Copa de 2014, foi convocado às pressas, para ser o terceiro goleiro da equipe. Indicativo do que pode acontecer num futuro próximo.
Outro exemplo é Leroy Fer. O meio-campista jogou sete das oito partidas da Jong Oranje nas eliminatórias para o Europeu sub-21. Mais do que isso: não só fora convocado para a primeira rodada da qualificação para 2014, como iniciara a temporada com tudo, sendo o grande destaque do Twente. A lesão nos meniscos que o tirou de combate interrompeu tudo isso, mas é lícito supor que Fer deverá retornar ao nível que alcançara tão logo volte aos campos.
Ainda há Jordy Clasie, que não foi convocado por Van Gaal, com os retornos de Van der Vaart e Afellay, mas que retornou para a Jong Oranje nas partidas contra a Eslováquia, sendo titular absoluto, até pelo respaldo ganho com as duas partidas pelas eliminatórias da Copa. Outro meia que deverá ganhar chances na Oranje sem demora é Adam Maher. Eleito melhor jogador jovem da última Eredivisie, Maher é daqueles armadores que podem auxiliar muito o time de Van Gaal. E deve-se prestar atenção ao zagueiro Bram Nuytinck: recém-chegado ao Anderlecht, ele tem um espírito de liderança natural, presença forte na área e, vá lá, um pouco mais de habilidade do que os últimos zagueiros vistos na Holanda.
Mas a ajuda que a equipe sub-21 pode trazer para a categoria superior, em forma de mais jogadores que possam ser experimentados, deve ser relativizada. Um dos exemplos está no próprio time que agora tenta a classificação: o atacante Género Zeefuik é o artilheiro holandês nas eliminatórias, com oito gols em seis jogos. Nem por isso é sensação na Holanda: saído das categorias de base do PSV, já passou por Omniworld, Dordrecht e NEC – em todos, emprestado – e, agora, Groningen, em definitivo. Nunca passou perto de ser uma revelação, daquelas disputadas a tapa por gigantes europeus. E mesmo o meia Marco van Ginkel, autor dos dois gols no 2 a 0 contra a Eslováquia, ainda está no Vitesse.
Só que o grande exemplo de como a fronteira entre a revelação que virará destaque mundial e o jogador que nunca passará perto de ser o que prometeu um dia está na Jong Oranje bicampeã europeia sub-21, em 2006/07. De todos aqueles jogadores que trouxeram ao país os primeiros títulos na categoria, o único que conseguiu corresponder as expectativas (e, ainda assim, aos trancos e barrancos) foi Huntelaar, artilheiro e melhor jogador na edição de 2006.
De resto, às vezes, os atletas tiveram dificuldades no caminho, e só agora conseguem evoluir – caso de Vlaar e do goleiro Kenneth Vermeer, campeões em 2006, convocados por Van Gaal para as partidas contra Andorra e Romênia, pelas eliminatórias da Copa. Ou então, até conseguem espaços em centros maiores da Europa, são convocados aqui e ali, mas não explodem de fato (aqui, os exemplos são Emanuelson, titular em 2007, Schaars, capitão em 2006, e Babel).
E, finalmente, os grandes exemplos de foguetes molhados. Aqui, o que há de gente que prometeu muito e não disse a que veio é uma enormidade. Para não ocupar muito espaço, fiquemos em um nome: Royston Drenthe, trazido pelo Real Madrid com pompa e circunstância, após ser eleito o melhor jogador do Europeu sub-21 de 2007, e sem clube, atualmente, após fracassar em Chamartín, e nos empréstimos para Hércules e Everton.
Portanto, Van Gaal deve ter o discernimento necessário para separar o joio do trigo. E, claro, a Jong Oranje deve se esforçar para ratificar as expectativas e se garantir no Europeu sub-21 de 2013, na próxima segunda, em Nijmegen. Pois só assim a Holanda continuará fazendo jus à fama de grande reveladora de talentos: apostando mais na qualidade do que na quantidade.
Enquanto isso, no centro de treinamento de Noordwijk…
Nos treinamentos para as partidas contra andorranos e romenos, mais um exemplo de como a juventude começa a dominar a equipe holandesa, pouco a pouco. Louis van Gaal tinha de escolher um outro capitão para a Oranje, já que Sneijder está contundido. Van der Vaart, de volta? Quem sabe Huntelaar? Ou até Stekelenburg, que continua como titular, aproveitando que Tim Krul ainda se recupera de lesão?
Nenhum deles: a escolha recaiu sobre Kevin Strootman. Com 22 anos e 242 dias, o meio-campista do PSV será o capitão mais jovem do time holandês desde 9 de setembro de 1987, quando Van Basten capitaneou a seleção, em um amistoso contra a Bélgica, tendo 22 anos e 313 dias. Evidentemente, é só uma circunstância. Até porque Sneijder começou a assumir a postura de capitão, de fato e de direito: mesmo sem condições de jogo, o meia esteve presente nos treinamentos, procurando se entrosar com os novatos e apresentá-los ao ambiente de seleção.
No entanto, o fato de Strootman ganhar a braçadeira de capitão é mais um símbolo de que os tempos estão mudando. Bem como a titularidade de Van Rhijn, na lateral direita (com retorno de Van der Wiel e tudo), e de Martins Indi, na esquerda, substituindo o lesionado Willems. Óbvio, há certos pontos onde é melhor apostar no conhecido: no ataque, Huntelaar deverá ser escalado, enquanto Van der Vaart tem tudo para ser o “camisa 10”, em jogos onde receberá condecorações da UEFA, como mais um jogador a ter superado a marca das 100 partidas por uma seleção. E, no miolo de zaga, Heitinga e Vlaar serão titulares.
Ainda assim, o sinal está lá: a juventude começa a tomar conta da Oranje. Os veteranos que se cuidem.



