Holanda

Ajax vence duelo de nervos contra o PSV em Eindhoven e reassume a ponta do Holandês

Golaço de Mazraoui decidiu o confronto e confirmou freguesia dos Boeren na temporada da Eredivisie

PSV e Ajax não têm feito jogos exatamente muito parelhos nos últimos anos. O clássico que agita a Holanda frequentemente tem tido goleadas elásticas, sobretudo nesta temporada: na Johan Cruyff Schaal, vitória dos Boeren por 5 a 0. Mas o troco veio na Eredivisie, com 5 a 0 para os Godenzonen. Neste domingo (23), o jogo valia a liderança do Holandês e o Ajax levou a melhor por 2 a 1, em um belíssimo e parelho espetáculo.

O primeiro tempo foi movimentado o suficiente para manter os espectadores ligados na tela. Embora tivéssemos poucos gols, a ação fez jus a um bom clássico, como manda o figurino. Na Holanda, é proibido empatar em 0 a 0, por isso os dois times adotaram uma postura mais cautelosa, em especial o PSV, que jogava em casa e precisava manter a ponta da tabela se quisesse continuar sua caminhada rumo a mais um título.

A posição na classificação refletiu em campo: os Boeren criaram mais, só não conseguiram ficar com a bola, tônica de estilo do Ajax. A primeira etapa foi marcada por defesas de Joel Drommel e Remko Pasveer, nas duas metas. Por conta dessa tensão inerente ao duelo, faltou algum destaque dos jogadores de frente. Joey Veerman havia arriscado ao gol para defesa fácil de Pasveer e Steven Berghuis, de cara para Drommel, desperdiçou uma chance claríssima, acertando o travessão. Quando houve um atleta mais destacado de fato, foi necessária uma substituição por lesão.

Protagonismo breve

Esse foi o roteiro da tarde de Brian Brobbey, atacante que retorna ao Ajax após uma breve passagem pelo RB Leipzig. O jovem, promessa da base ajacieden não estava feliz no clube e procurou outros ares. Brobbey, no entanto, não se deu bem na sua adaptação ao futebol alemão e foi reintegrado ao time de Amsterdã na atual janela de transferências. Em sua reestreia, fez dois gols contra o Twente na vitória por 3 a 0.

Para o clássico desse domingo, Brobbey foi a principal esperança de Erik ten Hag para marcar gols, uma vez que seu artilheiro, Sebastian Haller, está disputando a Copa Africana de Nações com a Costa do Marfim. Brian teve 36 minutos em campo e cumpriu com seu papel: Dusan Tadic se movimentou pela esquerda, abriu espaço na defesa do PSV e cruzou para Brobbey subir e cabecear, sem chances para Drommel, aos 34′. Na queda, o atacante, que já estava mancando, caiu no chão e sinalizou que não tinha mais condição de jogar, sendo substituído pelo brasileiro Danilo.

O golpe foi duro ao PSV, que vinha tentando se fechar na zaga e não sofrer lances perigosos. A desvantagem forçou Roger Schmidt a colocar seu time mais adiantado. Em pouco tempo, a mudança surtiu efeito. Uma bola alçada na área em escanteio espirrou na defesa do Ajax e sobrou para Oliver Boscagli, que tentou surpreender Pasveer. O arqueiro ajacieden quase perdeu o tempo da bola, mas evitou o empate.

O brilho do ex-golden boy

Mario Götze tem em seu currículo um título de Copa do Mundo, marcando o gol decisivo. Ainda que sua carreira não tenha sido o que se esperava por conta de seu talento nos primeiros anos no Borussia Dortmund, o alemão tem muito recurso. Nessa sua nova fase pelo PSV, Götze precisava de grandes momentos para relembrar o que foi um dia. Nada melhor do que um clássico para reviver a genialidade de outrora.

Aos dez minutos da segunda etapa, Jurriën Timber saiu jogando mal e perdeu a bola para Cody Gakpo, que rapidamente acionou Joey Veerman. O meia do PSV viu a infiltração de Götze para o meio da área e jogou no alemão, que só cutucou no cantinho para deixar tudo igual. Foi o prêmio para quem tinha mais coragem e estava mais atento. Ao Ajax, só restou responder com a ofensiva de sempre.

Ryan Gravenberch e Antony testaram Drommel e indicaram o início da operação abafa na área dos mandantes. E aos 15, mais uma vez, Berghuis irritou sua torcida. Em uma bola que pipocava na área por uma espanada do zagueiro Leandro Obispo, o atacante teve tudo que precisava para pegar um rebote e marcar. Mas o ex-Feyenoord se precipitou e errou a bola, dando uma furada tenebrosa.

A falha de Obispo elevou a tensão do confronto, que com uma hora de bola rolando, alcançou seu ponto de maior intensidade. Götze reclamou de um braço solto de Edison Álvarez que acertou seu nariz. O meia saiu de campo para ser atendido por conta de um sangramento, mas a arbitragem não marcou falta e sequer puniu o mexicano pelo lance, que pareceu não ter sido intencional. Os dois se encontraram pouco tempo depois e trocaram alguns tapas carinhosos. Segue o jogo.

30 minutos à altura do clássico

Já dava para sentir que o jogo ficou aberto demais. Lesionado, Gravenberch se converteu em mais uma dor de cabeça para Ten Hag, que precisou tirar o volante para promover a entrada de Davy Klaassen. O Ajax ganhou um pouco mais o meio-campo e passou a testar mais a capacidade de Drommel. O espaço foi se abrindo até que Noussair Mazraoui achou o momento para uma verdadeira pintura: o lateral marroquino carregou e ajeitou para a perna esquerda, mandando uma bomba no ângulo. Um golaço para se lembrar por muitos anos.

A polêmica foi que Daley Blind começou o ataque evitando uma saída pela lateral. Após conferência no VAR, não ficou claro se a bola cruzou a linha ou não, o que manteve a decisão de campo pelo gol dos Godenzonen. Convenhamos: seria cruel anular um lance desses. Mazraoui pôde comemorar depois da revisão.

Restando seis minutos para o apito final, Dusan Tadic fez uma jogada característica no contragolpe do Ajax, carregando a bola e esperando o posicionamento de Timber, que apareceu de surpresa como atacante no lance. O sérvio soltou o passe na medida, mas Timber tremeu na hora de se consagrar e bateu em cima de Drommel.

Desesperado, Schmidt mexeu três vezes nos cinco minutos finais, promovendo mexidas mais ofensivas, com Bruma, Eran Zahavi e Yorbe Vertessen. Tudo pelo empate na hora H, para preservar a liderança. Os nove minutos de acréscimo concedidos pela arbitragem foram mais um ponto favorável ao PSV na busca pelo gol. Enquanto isso, o Ajax perdeu a vergonha de dar chutões para afastar a bola ou de fazer cera, como foi o caso de Lisandro Martínez, que rolou no campo e fingiu estar lesionado para ganhar tempo.

Berghuis de fato foi a maior decepção: o atacante desperdiçou outro lance interessante aos 52′, quando pegou um chute mascado e praticamente recuou para a defesa de Drommel. Apressado, o PSV apelou para os lançamentos, sem sucesso. Pipocando a bola de um lado para o outro, o time da casa bem que tentou, mas Bruma chutou pela rede do lado de fora no último lance.

A Eredivisie está apenas no início do segundo turno e a diferença entre Ajax e PSV na tabela é de dois pontos. Cedo para dizer quem é de fato favorito. Mas depois de um clássico com esse teste de nervos, é apropriado dizer que a vantagem psicológica é toda dos Ajacieden.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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