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Ajax reabre Campeonato Holandês pensando na defesa

É mentiroso dizer que os clubes holandeses se mexeram muito nesta primeira quinzena de janeiro. O campeonato do país voltará sem grandes alterações em elencos. Nem nos clubes ameaçados de rebaixamento isso ocorreu: o Dordrecht contratou apenas um atacante, enquanto o NAC Breda resumiu-se aos reforços do técnico Robert Maaskant e do zagueiro Dirk Marcellis, encostado no AZ. Que dirá, então, em equipes com situação tranquila na tabela da Eredivisie, voltando de intertemporadas razoáveis.

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MEMÓRIA: “Mestre do passe”, Bergkamp é eleito o melhor holandês dos últimos 25 anos
RECORDE: Além do Coritiba, o Real Madrid deveria mirar também o recorde do Ajax de Cruyff

O Ajax é um dos times nessa situação: treinou calmamente por 15 dias em Doha, no Catar. Fez tudo que outros grandes europeus fazem nessa situação: aproveitou o sol, os hotéis luxuosos, promoveu um pouco o nome e a fama do clube (até sobrou camiseta presenteada a Novak Djokovic, disputando um aberto de tênis na capital catariana)… e quando precisou, realizou um jogo amistoso, vencendo sem problemas o Schalke 04, por 2 a 0, no último sábado.

Mas a equipe reestreia a sério nesta sexta em que o Campeonato Holandês será reaberto, contra o Groningen, abrindo a 18ª rodada, primeira do returno. E o segundo colocado sabe que precisa resolver um problema herdado de 2014: as incertezas de sua defesa. Não que elas sejam gigantes. Todavia, podem ser a diferença entre perder terreno para o PSV, líder da competição, e aproveitar oportunidades possíveis para aumentar a possibilidade do pentacampeonato nacional – repita-se, feito inédito no futebol holandês.

Nem foi na liga que Frank de Boer atinou para tal problema, mas nas oitavas de final da Copa da Holanda. A goleada de 4 a 0 para o Vitesse, na Amsterdam Arena, representou a terceira vez que o Ajax sofreu um revés desse tamanho desde 1956 (antes, fizeram 4 a 0 em Amsterdã o Real Madrid, na Liga dos Campeões 2010/11, e o PSV, pelo Holandês 2004/05). E a atuação tétrica da defesa teve a maior parcela de responsabilidade nisso tudo. Em nenhum momento Joël Veltman e Nick Viergever (a dupla de zaga da partida) se entenderam.

Colaborou para isso também a má atuação de Thulani Serero e Stefano Denswil, os dois volantes escalados. E Denswil foi o bode expiatório da eliminação: marcando de modo frouxo e desastroso nos raros avanços (a certa altura, numa falta, arriscou uma cobrança cruzada… e mandou a bola quase na lateral oposta), o zagueiro foi despachado para o Club Brugge assim que a oferta do clube belga chegou à mesa da diretoria, já nos primeiros dias de 2015.

E tal transferência afetou até os planos de outro zagueiro. Embora não tenha alcançado o nível de imponência que Jan Vertonghen tinha em seus últimos tempos de Eredivisie, Niklas Moisander já tinha nível suficiente para atrair algumas propostas de clubes do exterior. Como o contrato do zagueiro finlandês se encerra no meio do ano, sua saída do Ajax nesta janela de transferências era dada como certa, até para o clube não perdê-lo de graça. Dois clubes eram cogitados como principais concorrentes: Everton e Hertha Berlim.

Isso, até os 4 a 0 das oitavas de final da Copa da Holanda – nos quais Moisander não jogou. Denswil foi negociado, e isso “forçou” Moisander a abandonar os planos de transferência. Durante a intertemporada, Frank de Boer confirmou que o finlandês terá importância no time durante o returno: “Ele é uma peça estável, em campo e fora dele. Não acho que PSV e Feyenoord desperdiçarão tantos pontos quanto na temporada passada, Então, precisaremos estar equilibrados, e por isso precisamos de Niklas”.

Só que o capitão Moisander ainda terá de encontrar o equilíbrio com um parceiro de zaga momentâneo. No amistoso contra o Schalke 04, Veltman saiu de campo com poucos minutos. Diagnóstico: distensão no músculo posterior da coxa, que o tirará dos campos por algumas semanas. E Mike van der Hoorn, reserva que ganhou novo ânimo ao entrar e marcar um dos gols da vitória tardia contra o Excelsior, no último jogo do Ajax pela Eredivisie em 2014, fará a dupla com Moisander.

Frank de Boer mostrou-se otimista: “Estou confiante, acho que eles formam uma boa dupla. Têm qualidade para fazerem um bom papel”. Como o ataque do Ajax não dá muitos problemas – Milik cresceu no fim de 2014, Sigthórsson já se recupera de lesão, Fischer já voltou aos treinos após o grave problema muscular que teve, Kishna deve renovar contrato -, é bom cuidar de uma defesa que sofre um gol por jogo. Até porque a sequência inicial deste segundo turno (Groningen e Feyenoord, em casa; AZ, fora; e Vitesse, em casa) é difícil o bastante para ajudar a dizer se o Ajax pode sonhar com o penta.

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