Holanda

Agora dá para acreditar

Na semana passada, esta coluna repercutiu a campanha publicitária lançada pela KBVB, a federação de futebol belga, na qual antigos ídolos do futebol do país incentivam o torcedor a apoiar a seleção na briga recém-iniciada pela classificação para a Copa de 2010. Se a campanha funcionou ou não, é outra história. Mas é inegável que as duas primeiras rodadas das eliminatórias para o Mundial provaram que os Diabos Vermelhos têm, sim, potencial para brigar com Turquia e Bósnia pela segunda vaga do grupo 5.

Pode-se dizer até que a sorte ajudou os comandados de Rene Vandereycken. Afinal, a estréia do último sábado, contra a Estônia, em Liège, mostrou os erros que precisavam de retificação para a importante partida de quarta, contra os turcos, no Sükrü Saraçoglu de Istambul. Erros que residiam, principalmente, na defesa. A dupla Van Buyten-Simons, embora experiente, mostrou-se desentrosada e lenta para acompanhar os estonianos. E a atuação de Kompany, deslocado para a lateral-direita, não foi melhor. Daí o suadouro passado pelo time, que teve de correr atrás de um incômodo empate por um gol durante o jogo.

Entretanto, se a defesa esteve mal, o desempenho do meio-campo foi digno de elogios. Ainda que lotado num 4-5-1 que tornou o ataque quase inócuo – muito embora Mirallas tenha entrado na fogueira, substituindo à última hora o machucado Dembélé na escalação -, cada meia sabia muito bem o que fazia em campo. Fellaini e Vertonghen formam uma dupla de cabeças-de-área que, cada vez mais, se solidifica como titular; e Axel Witsel foi considerado o melhor em campo no sábado.

Mas quem salvou a Bélgica foram os dois meias de frente: nos últimos quinze minutos de jogo, Steven Defour e Wesley Sonck (este, jogando mais recuado) fizeram um gol cada e garantiram um 3 a 1 que possibilitava mais sossego. Mas a defesa ainda faria das suas: no último minuto, Andres Oper fez o segundo gol estoniano e trouxe um pouco mais de tensão.

Mudanças na retaguarda faziam-se necessárias para Istambul, sem dúvida. E elas vieram. Sobrou para Van Buyten, que ficaria o jogo todo no banco, dando lugar à dupla Kompany-Simons. Além disso, mesmo com o esquema mudado para um 4-4-2, em que Dembélé voltou ao ataque e permitiu o avanço de Sonck, Defour teria de auxiliar Fellaini e Vertonghen na marcação, deixando Witsel isolado na armação de jogadas. Obviamente, o novo esquema empobreceu as jogadas de ataque contra o time de Fatih Terim.

Mas, ao mesmo tempo, impediu que Arda Turan e Semih Senturk tivessem liberdade para perturbar a área belga. Parecia que só uma bola parada poderia abrir o placar. E ela veio para os belgas: aos 31 do 1º tempo, Vertonghen cobrou falta na cabeça de Wesley Sonck, que, livre, cabeceou para as redes de Volkan e, de quebra, entrou para a lista dos dez maiores artilheiros da história da seleção belga (20 gols, empatado com Anoul e Vandenbergh). A Turquia, desde então, se lançou ao ataque e chegou algumas vezes, mas parou na boa performance de Stijnen, no gol, que foi confirmada em defesa de cabeçada à queima-roupa de Arda Turan, no fim da etapa.

No intervalo, Vandereycken, tentando assegurar a vantagem, tirou Defour e colocou o mais defensivo Mudingayi. Poderia ter dado certo, mas deu errado: a mudança chamou mais a Turquia para o ataque, sem que o ataque belga resolvesse as coisas. Mesmo assim, a defesa continuou bem e só um pênalti polêmico, em que a bola foi na mão de Witsel, possibilitou que o empate viesse, pelos pés de Emre Belozoglu, a dezesseis minutos do fim. A igualdade causou certa frustração entre os jogadores. Porém, a Bélgica mostrou que, consertando os problemas, tem um time bom o suficiente para desafiar turcos e bósnios. E a oportunidade definitiva para mostrar isso será na rodada de outubro, quando, após um refresco contra os armênios, chegará o desafio contra a Espanha.

Com preocupações, sem problemas

Era para o amistoso contra a Austrália ser meramente uma ocasião de fazer os ajustes finais antes da estréia nas Eliminatórias, contra a Macedônia. E Bert van Marwijk até tomou uma decisão louvável, ao escalar o time: entre Kuyt, que preza mais pelo esforço, e Robben, pouco confiável fisicamente, o treinador da Holanda preferiu Babel, que tem características de atacante, mas pode muito bem partir do meio-campo, onde foi escalado junto a Van der Vaart e Van Persie. E foi exatamente em uma jogada individual, pela esquerda, que o atacante do Liverpool pôde fazer o cruzamento que Huntelaar escorou para fazer 1 a 0.

Mas, no minuto final do primeiro tempo, o amistoso ficou complicado. Heitinga fez um recuo de bola lento demais para Stekelenburg, na área. Tão lento que permitiu a Josh Kennedy chegar na frente do goleiro do Ajax, que teve como única alternativa cometer o pênalti. Não só “Stekel” fez a falta, como entrou para a história pela porta dos fundos, como o primeiro goleiro a ser expulso de campo na história da Oranje. A substituição que se fez necessária – Timmer substituiu Huntelaar – prejudicou o ataque holandês. Viduka, que não era culpado de nada, cobrou o penal e empatou.

Dali por diante, Van Marwijk decidiu priorizar a defesa, para salvar um empate que já seria decepcionante. Conseguia, até porque a Austrália não conseguia encaixar seus ataques. Até que um cruzamento de Wilkshire foi na cabeça de Kennedy, que escorou bem. O 2 a 1 sofrido em casa não estava nos planos de Van Marwijk e causou certa preocupação para o duelo em Skopje.

Mas os macedônios não ofereceram a menor resistência ao time, que foi escalado com Robben (que, só para não perder o costume, machucou-se novamente) e com Stekelenburg – que só cumprirá punição no amistoso contra a Suécia. O primeiro tempo terminou sem gols, mas Heitinga tratou de espantar o perigo de uma zebra, abrindo o placar logo nos primeiros segundos da segunda etapa, de cabeça. No estilo pouco brilhante, mas eficiente, Van der Vaart, após passe de Van Bommel, chutou e ampliou o placar.

Aí a preocupação voltou: novamente a defesa holandesa deu algumas panes, que desembocaram no pênalti cometido por Huntelaar sobre Naumovski, convertido por Pandev. O 2 a 1 final provou que a Holanda, em princípio, não terá problemas nas Eliminatórias. Mas tem preocupações com a defesa, já que nenhum dos zagueiros é acima de qualquer suspeita.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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