Holanda

Adeus anunciado

A saída de Marco van Basten da direção da seleção holandesa após a Eurocopa-2008 já era um fato esperado. O crédito do ex-atacante foi se esvaindo rapidamente após a queda diante de Portugal nas oitavas-de-final da Copa do Mundo. A classificação para o Europeu veio sem brilho, com uma série de vitórias apertadas sobre seleções fracas.

Van Basten mostrou ainda dificuldades no relacionamento interpessoal, indispondo-se com jogadores – razão pela qual Ruud van Nistelrooy passou um tempo afastado e Mark van Bommel se recusou a voltar enquanto o treinador estivesse no cargo. Nunca houve sinais de harmonia e estabilidade no elenco. Não havia clima para a renovação de contrato, algo que já estava claro desde que a KNVB adiou para o fim das eliminatórias a definição.

O que não se esperava, no entanto, era o anúncio tão prematuro da separação. Agora, a Oranje ruma à Eurocopa com um treinador que já sabe que não estará no cargo na próxima temporada. Não é que Van Basten ligará o botão da indiferença, mas é inevitável que os noticiários passem a discutir a corrida pela sucessão, uma distração desnecessária a este ponto.

A opção óbvia para as eliminatórias do Mundial de 2010 seria Frank Rijkaard, que levou o Barcelona a dois títulos espanhóis e um europeu. Quando Rijkaard esteve à frente da Oranje, entre 1998 e 2000, não tinha experiência prévia como treinador. Ainda assim, chegou à semifinal da Eurocopa apresentando um futebol interessante. Hoje Rijkaard está mais maduro, e gerenciar egos estaria longe de ser um problema – quem consegue fazer isso no estelar Barcelona, faz em qualquer lugar.

O problema é que Rijkaard ainda estará sob contrato com o Barcelona, a não ser que o clube tenha planos diferentes e o demita. Não é uma hipótese pouco plausível, especialmente se o Barça terminar a segunda temporada consecutiva sem um troféu, mas é difícil depender apenas dela.

Nomes como o de Guus Hiddink e Dick Advocaat, ambos ex-técnicos da Oranje, também são freqüentemente citados em discussões de torcedores. No entanto, ambos estão bem na Rússia e vêm tendo sucesso – Hiddink classificou a seleção nacional para a Eurocopa, e Advocaat foi campeão com o Zenit – e não pensam em sair. Advocaat recusou a seleção australiana por causa de um novo contrato milionário oferecido pelo clube de São Petersburgo.

Os nomes que restam não chegam a empolgar. Co Adriaanse, atualmente no Al Sadd, do Qatar, Bert van Marwijk, do Feyenoord, e Fred Rutten, do Twente, são alguns dos nomes levantados pela imprensa. Todos eles na mesma situação de Rijkaard, ou seja, sob contrato com os clubes. Até por isso, Martin Jol, sem time desde que deixou o Tottenham Hotspur, corre por fora. Aparentemente, Jol seria o nome para o Ajax na próxima temporada, mas para esta posição ele passa a ter a concorrência justamente de Van Basten. Já o retorno de Louis van Gaal foi descartado pelo técnico do AZ. Ele disse que não foi procurado e não espera ser.

A Oranje pode, no fim das contas, pensar em uma solução interna. Afinal, Foppe de Haan levou a seleção sub-21 ao bicampeonato europeu da categoria (2006/2007). Seria o homem ideal para conduzir a transição de uma ótima geração de jogadores para a seleção principal. Experiência não lhe falta, considerando os 19 anos que passou à frente do Heerenveen, com direito a um vice-campeonato da Eredivisie e a conseqüente classificação para a Liga dos Campeões, em 1999.

O empecilho para a promoção de De Haan é o compromisso marcado para agosto, quando a Holanda disputa os Jogos Olímpicos de Pequim. Se ele assumir a seleção principal, imagina-se que ele deva abrir mão da Jong Oranje – já que deixar um auxiliar como interino no provável único amistoso antes das eliminatórias da Copa não passaria uma boa mensagem sobre o planejamento.

Em meio a tudo isso, a Holanda tem uma difícil Eurocopa para planejar. O sorteio, como imaginado em função da traiçoeira posição de cabeça-de-chave, foi terrível para a Oranje, que enfrentará Itália e França, finalistas do último Mundial, e a Romênia, que esteve no mesmo grupo holandês nas eliminatórias e terminou em primeiro lugar. É possível se classificar e arrancar para o título? Sim. Mas o cenário atual sugere uma eliminação na primeira fase.

CURTAS

– Já são conhecidos os adversários da Holanda nos amistosos de preparação: Croácia, 6/2, em Rijeka; Áustria, 26/3, em Viena; Ucrânia, 29/5, em Roterdã; Dinamarca, 29/5, em Eindhoven; País de Gales, 1º/6, em Roterdã.
– Fim melancólico para o PSV na Liga dos Campeões. Não teria adiantado vencer a Internazionale, já que o Fenerbahçe se classificou com a vitória sobre o CSKA Moscou, mas perder em casa para o time italiano, já classificado e recheado de reservas, mostrou que hoje o clube de Eindhoven não está à altura da principal competição do continente. Que venha a Copa Uefa.
– A única boa notícia da semana para o PSV foi a renovação de contrato do goleiro Gomes. O brasileiro assinou até 2013. Nas semanas anteriores, Salcido e Afellay também haviam firmado novos compromissos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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