A vestimenta está mais adequada

Romero; Swerts, Jaliens, Moisander e Pocognoli; Demy de Zeeuw, David Mendes da Silva, Schaars e Martens; El Hamdaoui e Dembélé (Ari). No banco, Louis van Gaal. Exibindo uma solidez admirável – tanto que conseguiu longa invencibilidade na Eredivisie -, esta foi a base do time que levou o AZ de volta a um cenário que ele só conhecera em 1980/81: o de campeão holandês.
Pode-se dizer que o título nacional conseguido há três temporadas foi o ponto alto da história dos Alkmaarders. Afinal de contas, o clube contava com o poderoso patrocínio do banco DSB, comandado por Dirk Scheringa, que vinha a ser também o presidente do AZ. Com um bom estádio, uma estrutura financeira garantida e um time que esbanjava entrosamento, dava para supor uma campanha honrosa na Liga dos Campeões. No mínimo – havia até quem pensasse em vaga nas oitavas de final…
Tudo isso começou a ruir quando Van Gaal, que desde 2005 cuidara pacientemente da montagem do time, foi para o Bayern de Munique. Se bem que a saída do treinador era até esperada: afinal, era sua intenção manifesta. De mais a mais, Ronald Koeman tinha estofo para continuar o bom trabalho. Só que ninguém contava com a quebra do DSB. Resultado: patrocínio perdido, time afetado pela crise interna, campanha risível na LC, Koeman demitido ainda em 2009… só restou contratar Dick Advocaat como interino, para juntar os cacos. E até uma vaga na Liga Europa foi conseguida, no final das contas, apenas para manter as coisas andando.
Corta para 2011, na Eredivisie atual. A sétima rodada marcou uma feliz coincidência: os quatro primeiros colocados se enfrentariam em partidas diretas. Ajax e Twente prometiam fazer um bom jogo, mas a partida na Amsterdam ArenA acabou sendo “estudada” demais, truncada demais. E o empate em 1 a 1 do último sábado deixou uma espécie de anticlímax. Ou não. Porque AZ e Feyenoord poderiam tomar a liderança, em caso de vitória, no jogo disputado em Alkmaar, no domingo.
E o jogo foi bom. Tendo aberto o placar, com Bakkal, o Feyenoord parecia destinado a alcançar a liderança, como prêmio pelo começo tranquilo de temporada. Só que os anfitriões foram atrás, empataram e, a cinco minutos do fim, conseguiram a virada para 2 a 1. Assim como a ponta seria justa se fosse para o Stadionclub, foi justa a chegada dos Alkmaarders à liderança. E a justiça se deve pelo coroamento do processo de “volta” do clube a uma realidade mais normal, não anabolizada por mecenas, personagens de ponta no futebol ou coisas do gênero.
Tal retorno iniciou-se quando, ao final da problemática temporada 2009/10, Gertjan Verbeek foi contratado para comandar a equipe. Poucos treinadores eram mais apropriados. Verbeek tem revelado, nas últimas temporadas, habilidade para lidar com elencos modestos, em clubes médios. Provou isso no Heerenveen e no Heracles Almelo. Por outro lado, teve fracasso retumbante no Feyenoord, ao bater de frente com Makaay e Van Bronckhorst, entre outros.
E, já na Eredivisie passada, Verbeek começou a fazer a omelete com os ovos que estavam à sua disposição. Somando alguns talentos que andavam por ali – como Rasmus Elm, Johann Berg Gudmundsson e Kolbeinn Sigthórsson – a alguns remanescentes do título de 2009, como Romero e Schaars, o time voltou a ter um rendimento razoável. Nada brilhante, a campanha na Liga Europa não foi além da fase de grupos, mas suficiente para conseguir a quarta posição no Holandês.
Só que, para a temporada atual, Verbeek foi beneficiado por uma aliança de boas contratações com bons frutos vindos da base. Sim, Schaars, Sigthórsson e Romero sairam. Só que uma base já estava formada, com novas figuras. Algumas, já conhecidas, como Moisander e Klavan – ou mesmo Dirk Marcellis, que era tido como uma revelação da defesa na Holanda e, até agora, não emplacou. Outras, novatas, como os mencionados Elm e Gudmundsson.
E, finalmente, vieram as boas surpresas. Primeiro, entre os jovens. No gol, o costarriquenho Esteban Alvarado chegara credenciado pelas boas atuações no Mundial sub-20 de 2009, e já estava sendo mesmo preparado para substituir Romero. E vai fazendo isso com segurança. No meio-campo, Adam Maher, de 18 anos, já assumiu a titularidade, apresentando talento na armação.
E, finalmente, Altidore, o grande reforço. Para a sorte do AZ, ele tem apresentado muita vontade em campo. Não só isso: em sete jogos pela Eredivisie, o norte-americano já marcou três gols. Na Liga Europa, marcou duas vezes – uma contra Malmö, outra contra Metalist Kharkiv. Se não tinha grandes oportunidades no Villarreal, “Jozy” pode ter encontrado em Alkmaar um bom lugar para se desenvolver e se firmar, de vez, como o próximo protagonista na seleção comandada por Jürgen Klinsmann.
Não bastasse a boa fase na Eredivisie, ainda há a Liga Europa. E o sorteio deu ao time a oportunidade de cair numa chave em que a vaga na segunda fase não é uma miragem. Algo que se prova com a primeira posição, após duas rodadas. E performances seguras: uma goleada e um empate, previsto nos planos.
Todas essas mudanças revelam que, hoje, o AZ já não é um time com grandes aspirações, como pensou ser nos tempos de Van Gaal. No entanto, sua realidade normal sempre foi mais ou menos essa, ao longo de sua história. E é assim que o clube retorna a uma situação mais tranquila.



