À procura da felicidade

Já se passaram 15 rodadas na Jupiler League. O que equivale a dizer que a fase regular do Campeonato Belga está em sua metade. Ou seja, já é possível tirar algumas
conclusões. A principal delas: tudo segue parecido com o que se viu em 2010/11. O Anderlecht se impõe, como líder, demonstrando força com vitórias e espírito de
reação – como na rodada passada, ao virar um jogo que perdia por 2 a 0 para o Zulte Waregem, fazendo três gols entre os 39 e os 44 minutos do segundo tempo.
Outras semelhanças são o fato de que o Club Brugge vai acompanhando o arquirrival, na terceira posição, procurando não perder distância. Há o Standard, com atuações
ligeiramente irregulares, mas mantendo-se entre os seis lugares reservados à disputa do título, no hexagonal da segunda fase. Há a presença de clubes pequenos – os da
vez são Cercle Brugge e Kortrijk. No entanto, a semelhança que mais chama atenção é na vice-liderança da fase de pontos corridos. Lá está o Gent.
E tal semelhança chama atenção porque o Gent é, junto de Anderlecht e Club Brugge, um dos únicos clubes a ter estado em todos os hexagonais pelo título desde que tal
fórmula de disputa foi implantada. E os Búfalos não participaram delas apenas para cumprir tabela: foram vice-campeões em 2009/10. E chegaram à quinta colocação na
temporada passada. Atualmente, continuam fazendo uma boa campanha, com atuações seguras. Como na última rodada, quando fizeram 2 a 0 no Racing Genk, atual campeão.
Impressiona tambem o fato do time se manter em cima, mesmo com mudanças no elenco. A última delas foi no gol: o sérvio Bojan Jorgacevic, titular há quatro anos, tivera
seu contrato encerrado há um mês. E, em desacertos com a diretoria, foi adquirido pelo Club Brugge, que andava desconfiado do jovem Colin Coosemans, e estava com o
reserva Vladan Kujovic debaixo das três traves. Tendo chegado e virado titular imediatamente na Jupiler League, Jorgacevic só não jogou na espetacular virada dos
Azuis-e-Negros contra o Maribor, pela Liga Europa, porque sua transferência se deu fora da janela de inverno.
Ao Gent, então, restou colocar o reserva Frank Boeckx – que, por ter lesionado a cabeça, deu espaço ao jovem holandês Sergio Padt contra o Racing Genk. Na linha
defensiva, formada geralmente por quatro homens, as mudanças continuam: gente experiente, como o esloveno Suler, tem frequentado o banco de reservas, ao passo que
contratações recentes são titulares, como o brasileiro Rafinha (surgido no Campinas, jogou a maior parte da carreira na Finlândia) e o espanhol Melli. E jovens começam a
entrar nos jogos pouco a pouco, como o atacante Hannes van der Brugghe.
Finalmente, os técnicos mudaram a cada temporada. Não por vontade própria, é bom que se diga. Michel Preud'homme, o técnico no vice de 2009/10, até queria ficar, mas o
Twente conseguiu dobrá-lo. Depois, Francky Dury, vindo do Zulte Waregem e comandante na última temporada, sucedeu Jean-François de Sart no comando da seleção belga sub-
21. Agora, treinar o Gent fica a cargo do norueguês Trond Sollied, que já treinara a equipe em outras oportunidades.
No entanto, há os titulares que passaram por todas essas mudanças. Como os meias Tim Smolders e Bernd Thijs, e os atacantes Elimane Coulibaly e Yassine El Ghanassy.
Foram personagens no titulo da Copa da Bélgica em 2009/10. Que foi até um feito, já que levou o time a participar da última Liga Europa. Mas é pouco, diante do que o
Gent sonha, para, enfim, ser visto como o time organizado e sólido que se destaca ano após ano na Bélgica.



