Holanda

A melhor pior semana

22 de fevereiro de 2006. O Ajax enfrenta a Internazionale, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, no jogo de ida. E, na Amsterdam ArenA, o time comandado por Danny Blind começa com tudo contra os interistas: faz 2 a 0 em quatro minutos do primeiro tempo (Huntelaar abre o placar, aos 16, e Mauro Rosales amplia, aos 20). Paralelamente, na Eredivisie, os Godenzonen ainda estão na disputa do título. O sonho de ir às quartas de final da Liga dos Campeões continua.

Porém, ele seria diminuído ainda naquele 22 de fevereiro. A Inter de Roberto Mancini consegue empatar no segundo tempo, com Stankovic e Julio Cruz, para garantir o lugar nas quartas, no jogo de volta, com um 1 a 0 no Giuseppe Meazza. E, na Eredivisie, o time acaba sendo sobrepujado por AZ e Feyenoord, terminando a liga em quarto lugar – só conseguindo a vaga na Liga dos Campeões pelos play-offs.

Todo este preâmbulo retrospectivo mostrou a última vez em que o Ajax experimentou a sensação de ser um clube de ponta na Holanda – e fez papel digno numa competição europeia. Pelo menos, até esta última semana. Sim, a temporada está no começo. Mas o time da estação Bijlmer Arena, enfim, ganhou motivos para justa comemoração. Afinal de contas, está ativo, após três rodadas, na disputa da liderança da Eredivisie – e, enfim, alcançou o que não lhe vinha há cinco anos: a sonhada (e lucrativa) fase de grupos da Liga dos Campeões.

Tudo isso coincide com um fato: o de que o time experimentou uma ascensão sob o comando de Martin Jol, ainda que aos trancos e barrancos. E começa a ter os frutos nesta temporada. Prova disso foi o jogo contra o Roda JC, pela terceira rodada da Eredivisie. Luis Suárez e El Hamdaoui exibiram grande capacidade de jogar juntos, no ataque. Paralelamente, o meio-campo continuou satisfatório, com Siem de Jong cuidando da armação de jogadas. E a defesa deu menos motivos para temor. Resultado: uma categórica goleada por 4 a 0, com direito a marca histórica (mais nas curtas).

Porém, ainda restava o desafio contra o Dynamo Kiev, pelo jogo de volta dos play-offs da LC. Havia a ajuda do fator casa. Havia? Na temporada 2006/07, na mesma fase de play-offs, o time vencera o Kobenhavn por 2 a 1, fora de casa – para perder por 2 a 0. Em plena Amsterdam ArenA. O mesmo estádio que sediaria a derrota para o Sparta Praga, por 1 a 0, no jogo de ida dos play-offs, na temporada 2007/08. O trauma era grande.

E, no primeiro tempo, até houve motivos para que a equipe se atemorizasse com a possibilidade de mais uma tragédia – não raro, as defesas de Stekelenburg impediram que o Dynamo Kiev abrisse o placar. Mas Luis Suárez – que, cada vez mais, credencia-se como um “homem-esquadra” no Ajax, já que nenhuma jogada de ataque acontece sem que ele interfira – apareceu novamente para ajudar. E abriu o placar, no fim do primeiro tempo.

Foi a senha para que o Ajax se tranquilizasse. Suárez e El Hamdaoui passaram a controlar as jogadas de ataque, sempre trazendo perigo. O segundo gol, do marroquino, até demorou, em boa triangulação envolvendo Suárez e Miralem Sulejmani. Porém, a mesma defesa que tanta preocupação ainda causa trouxe mais tensão ao resultado final: Vertonghen cometeu pênalti sobre Ninkovic, e Shevchenko converteu. Porém, o time de Martin Jol soube segurar a bola no campo de ataque, e, afinal, alcançou a vaga desejada.

A classificação ratificou a melhor semana do Ajax em anos. Mas a melhor semana ganhou, ao final dela, a pior notícia possível: dois dos rivais dos Ajacieden no grupo G são, simplesmente, Real Madrid e Milan. Duas equipes com tradição igual, ou até maior, na Liga dos Campeões. Que o Ajax fique na fase de grupos, parece ser provável. Afinal de contas, será difícil enfrentar um Milan que até pode estar mal – mas tem mais prática de Liga dos Campeões. E mais difícil conter um Real seco para conquistar a LC pela décima vez. Sem contar o Auxerre, que faz bom papel na França e estará sempre à espreita. Porém, o time de Martin Jol continua evoluindo. Quem sabe não esteja no caminho um feito ainda maior do que o de, simplesmente, estar na fase de grupos.

E ainda não era a hora…

Cleverson Gabriel Córdova. Ou, simplesmente, Cléo. Nome já conhecido do Partizan e de outras equipes. Coube a ele, com dois gols – completando nove, em sete partidas na temporada 2010/11 -, mostrar que a tarefa do Anderlecht seria mais difícil do que se pensava. Mesmo no Constant Vanden Stock, os Paars-wit teriam de mostrar que, afinal, eram uma equipe credenciada a estar na fase de grupos da Liga dos Campeões.

E a equipe mostrou. Com atuações soberbas de Romelu Lukaku, Matías Suárez e, principalmente, Guillaume Gillet, o time chegou ao empate. E, na prorrogação, alcançou mais vezes o ataque, dando trabalho a Radisa Ilic, o goleiro do time de Belgrado. No entanto, após conseguir reagir, chegar à decisão por pênaltis não deixava de ser um anti-clímax.

E o seria ainda mais. Não que Suárez tenha sido muito culpado de perder o pênalti – afinal, escorregou antes do chute. Mas, principalmente, com os chutes péssimos de Lucas Biglia e Mbark Boussoufa. Não adiantou Sylvio Proto defender dois chutes. Estava claro que o Anderlecht não estava pronto emocionalmente para avançar. Sorte do Partizan.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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