Holanda

A grande chance

Há vezes em que a coluna é publicada, e as circunstâncias se encarregam de fazer do autor dela um bobo. Encarregam-se, enfim, de esfregar-lhe na cara o que ele sempre esquece: no fundo, entende tanto de futebol quanto o torcedor que o lê. Não é tão superior e imperial como se acredita, às vezes. Mas há vezes, também, em que o futebol prefere sorrir ao cidadão que dedica uma hora semanal para escrever sobre ele.

Foi o que o titular desta coluna viveu, ao acompanhar a quarta rodada do hexagonal pelo titulo do Campeonato Belga. Porque ela, novamente, mudou os destinos dos clubes que ainda disputam o prêmio máximo da Jupiler League. E um deles merece ainda mais atenção: o Club Brugge. Os Blauw-en-Zwart viveram, na quarta rodada, um cenário de sonhos. E podem chegar, neste final de semana, a um cenário que há muito não viviam: à liderança da liga, num momento decisivo dela.

Porque o Anderlecht, que prometia confirmar o favoritismo pelas boa vitória conseguida sobre o Gent, novamente frustrou a torcida. Em pleno Parc Astrid, permitiu a vitória do Racing Genk, por 3 a 1 – em ótimo dia de Kevin de Bruyne, que justificou a contratação pelo Chelsea, ao ser o homem a pensar todas as ações do meio-campo. Colaborou para isso o bom dia que viveram em campo Vanden Borre, em suas últimas apresentações com a camisa do Genk, e Jelle Vossen. 

O Brugge, então, aproveitou. Jogou de modo seguro, fez 1 a 0 contra o Gent, e voltou a diminuir a diferença em relação aos Mauves para um ponto. É exatamente essa segurança que o time apresenta, em muitos momentos (não em todos, sempre bom lembrar), que pode ajudá-lo a conseguir a sonhada vitória sobre o arquirrival, no Jan Breydel, às 13h (horário de Brasília) do domingo.

De certo modo, aliás, foi exatamente essa vontade de apresentar mais regularidade em campo que guiou os ajustes feitos pelo clube na temporada. Para começo de conversa, foi por ela que Christoph Daum substituiu Adrie Koster no comando da equipe, de modo a armar esquemas que pudessem deixar a defesa mais segura.

Como foi para melhorar a confiabilidade no gol que Bojan Jorgacevic, há algumas temporadas lembrado como dos bons goleiros a atuar na Jupiler League, foi tirado do Gent. E, pelo menos até agora, o sérvio sai a contento. Na lateral esquerda, o espanhol Jordi Figueras também assumiu a posição para não mais perdê-la. Paralelamente, o holandês Ryan Donk segue sendo um dos pilares da base, seja qual for o parceiro no miolo: Högli ou Carl Hoefkens.

Mas de nada adiantaria se o pessoal da frente não trabalhasse. E alguns deles se destacam. Que o diga o israelense Lior Refaelov: com capacidade para jogar na armação ou mais recuado, o israelense se apresenta como um dos melhores jogadores da temporada na Bélgica (talvez só não seja o melhor por haver Jovanovic e Suárez, no Anderlecht). Refaelov joga, às vezes, solucionando a irregularidade que Vadis Odjidja-Ofoe apresenta. Sua ausência eventual contra o Anderlecht, por lesão, deverá ser sentida.

No ataque, o destaque do Club Brugge é a alternância de nomes que podem resolver. Sempre que um finalizador não funciona, outro aparece para ajudar. Pode ser Joseph Akpala. Ou Bjorn Vleminckx. Ou o colombiano Carlos Bacca. Ou Mushaga Bakenga. Enfim, embora não haja um jogador que possa ser chamado de “homem-gol” na equipe de Daum, os gols saem. E nem precisam ser muitos: dos 34 jogos que o Club fez na temporada da Jupiler League, por nove vezes o placar do triunfo foi de 1 a 0.

Pode ser mais conservador. Mas é assim que o Club Brugge supera as adversidades. E é assim que chega, esperando que, desta vez, a roda da fortuna que tem sido a fase decisiva do campeonato não gire a favor do rival Anderlecht. 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo