Holanda

A escolha de Guus Til por assinar com o PSV é mais um golpe duro contra o Feyenoord

Guus Til estava emprestado pelo Spartak Moscou e, quando tinha proposta para seguir no Feyenoord, optou por assinar em definitivo com o PSV

Quando o Feyenoord se mostrava pronto para ascender e disputar novamente o título da Eredivisie, o mercado de transferências corta a empolgação da torcida diante das perdas sofridas. E uma delas acaba sendo mais dolorosa, por reforçar a concorrência. Guus Til foi um dos principais destaques do Stadionclub em 2021/22, com muitos gols. O meia estava emprestado pelo Spartak Moscou e a diretoria em Roterdã buscava a compra definitiva. O acerto, porém, veio com o PSV. Nesta segunda-feira, os Boeren anunciaram a contratação do armador de 24 anos por €3 milhões, em assinatura até 2026. Uma pechincha que dói fundo no De Kuip.

Til é mais uma revelação da ótima base do AZ. Teve duas boas temporadas com o clube, até buscar novos rumos e acertar com o Spartak Moscou por €18 milhões. O alto investimento num jogador de 20 anos se sugeria como uma aposta interessante, mas o meia não rendeu no Campeonato Russo. Depois, seria emprestado ao Freiburg e mal jogou. O retorno aos Países Baixos em 2021/22 era uma tentativa de reencontrar o seu melhor futebol, depois de seguidas frustrações.

A passagem de Guus Til pelo Feyenoord, então, saiu melhor que a encomenda. Ele conseguiu superar seus números dos tempos de AZ. O meia teve um desempenho excelente na Eredivisie, com 15 gols e participação intensa na campanha. Não se deu tão bem na Conference League, rendendo mais nas preliminares, mas também foi parte integrante do time que alcançou a final. Seu moral estava lá no alto e até voltou a figurar nas convocações da seleção. A permanência em Roterdã parecia lógica, até pela forma como se encaixou de imediato na equipe de Arne Slot.

Quando a continuidade no Feyenoord parecia bem possível, Guus Til balançou com a proposta do PSV. O meia continuaria na Eredivisie, mas com a chance de disputar a Champions League com os Boeren. Iniciaria um novo projeto, agora comandado por Ruud van Nistelrooy, e poderia ocupar uma posição de destaque na armação, suplantando Mario Götze. Foi sua escolha do ponto de vista esportivo. Pelo valor pago na transferência, o Feyenoord também poderia ter chegado a um acordo com o Spartak. Prevaleceu a vontade do jogador.

“Fiquei muito orgulhoso quando o PSV se interessou por mim. Eles procuram construir algo bonito e me ofereceram a estabilidade que eu procurava. Mal posso esperar para começar a trabalhar”, declarou Til, ao site do PSV. “Grandes clubes de Bélgica e Países Baixos estavam de olho em mim. O PSV queria fechar um contrato permanente e decidi vir para Eindhoven, depois de uma conversa convincente com o técnico Ruud van Nistelrooy. Ele me disse que tinha plena confiança que eu estaria pronto para dar esse passo e compartilhou as ambições do clube comigo. Isso me convenceu e estou satisfeito por vir aqui para ganhar títulos”.

Em suas redes sociais, Guus Til até escreveu uma mensagem de despedida ao Feyenoord. Nada recebido tão positivamente, já que a torcida sente sua decisão como uma traição. Aliás, é a segunda punhalada que o Stadionclub recebe em cerca de um ano. No início da temporada passada, a transferência de Steven Berghuis para o Ajax igualmente incomodou bastante. Curiosamente, são dois jogadores da mesma faixa do campo.

O Feyenoord também perdeu Tyrell Malacia, vendido para o Manchester United. Enquanto isso, Cyriel Dessers (Genk) e Reiss Nelson (Arsenal) retornaram após o período emprestados ao Stadionclub. O técnico Arne Slot fala de sete reforços, mesmo com a chegada do centroavante Danilo Pereira ao final de seu contrato com o Ajax. Do outro lado, o PSV faz várias trocas. Mario Götze, Ritsu Doan e Eran Zahavi estão entre as principais perdas. Em compensação, a lista de adições é encabeçada por Luuk de Jong, Walter Benítez e Xavi Simons. Um saldo positivo para ambicionar melhores perspectivas com Van Nistelrooy.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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