Holanda

A crise não dá trégua ao Feyenoord

A temporada 2008/09 só poderia ser melhor para o Feyenoord. Pelo menos era o pensamento de um clube maltratado pelo fato de só haver obtido a vaga na Copa da UEFA por meio de um 6º lugar na Eredivisie passada. Nem mesmo a contratação de veteranos confiáveis, como Makaay e o ídolo Van Bronckhorst, e o regresso de Bert van Marwijk, técnico da última grande conquista dos alvirrubros de Roterdã (Copa da UEFA 2001/02) conseguira, na temporada anterior, mais do que um título da Copa da Holanda.

Que nada. Após quatro rodadas passadas da Eredivisie, o time de Roterdã figura num melancólico 14º lugar, só tendo demonstrado certa força na goleada por 5 a 0 contra o Volendam – o que não quer dizer quase nada, uma vez que o Volendam parece estar destinado a voltar para a Eerste Divisie de onde veio. O único momento em que a vontade do time pareceu convencer foi justamente o De Klassieker contra o Ajax, quando houve força suficiente para buscar o empate duas vezes. Mas as desilusões dão o tom, por enquanto: duas derrotas por 3 a 1, para Heracles Almelo e para o Groningen – este, por ora, líder do Campeonato Holandês.

Nada bom para um time que vê a última conquista do título nacional (Eredivisie 1998/99) virar uma foto amarelada na parede, cada vez mais. Fora o suadouro passado contra o Kalmar FF, na primeira fase da Copa da UEFA, solucionado somente pelo novato Wijnaldum e por um gol contra, que decidiram o 2 a 1 fora de casa que classificou o time. Poderia ter virado um vexame histórico. Justamente em 2008, ano do centenário do clube.

São vários os fatores que explicam as más campanhas sucessivas do Feyenoord, nos últimos tempos. O primeiro, mais imediato, reside nas contusões que vitimam vários jogadores importantes do time. Roy Makaay só agora retorna mais constantemente aos jogos, após trazer de Pequim, onde atuou com a seleção olímpica holandesa, uma pequena fratura no pé. Outro atacante, Tim Vincken, também está machucado. A lista ainda inclui Slory, Luigi Bruins, Van Bronckhorst, Landzaat e, agora, Timmer, lesionado contra o Groningen e fora da partida de volta contra o Kalmar FF.

Quando os contundidos retornam, a falta de ritmo pode ter como conseqüência determinados atos que têm prejudicado muito o time de Gertjan Verbeek na Eredivisie. Tome-se como exemplo duas expulsões que ocorreram no primeiro tempo das partidas: a de Jonathan de Guzman, mandado para fora contra o Heracles Almelo, aos 31 minutos da primeira etapa, após uma cotovelada em Quansah , quando o time vencia por 1 a 0. Ou a ainda pior expulsão de Kevin Hofland contra o Groningen, com apenas dez minutos de jogo. Aliás, pela falta de ritmo de ambos, De Cler e Hofland fizeram da esquerda o principal setor para as jogadas de ataque do Ajax, quando do clássico entre ambos.

A partir dessas contusões, Verbeek vê-se obrigado a colocar em campo jogadores mais jovens. Tanto que, contra o Groningen, fora Van Bronckhorst, nenhum dos três outros meias (Fer, Biseswar e Wijnaldum) possuía mais de 25 anos de idade. E aí mora outro problema: os jogadores jovens do clube não conseguem estourar. Tanto o lateral-direito Greene como o zagueiro Tiendalli, passando até por um jogador que, saído do Feyenoord para um grande europeu, não conseguiu se firmar neste grande – no caso, Drenthe, no Real Madrid. E, dentro desse assunto, o zagueiro Ron Vlaar é um capítulo à parte.

Na temporada passada, Vlaar quebrou o nariz. Depois de recuperado, em setembro de 2007, na partida contra o Roda JC, uma dividida com Yulu-Matondo resultou no rompimento dos ligamentos de seu joelho. Após quase um ano de recuperação, ele parecia pronto para voltar, aos poucos. Já começava a participar dos treinamentos. E, num deles, o joelho novamente pôs tudo a perder: o mesmo ligamento rompeu-se novamente. Mais seis meses fora para um zagueiro que surgiu muito bem no AZ Alkmaar – chegou a ser cotado para ir à Copa de 2006 -, mas que vê as contusões perigosamente freqüentes. E Vlaar já não é mais uma promessa, com 23 anos.

O cenário interno do clube não é muito alentador. O Feyenoord ainda se ressente dos problemas financeiros causados pela péssima administração do ex-presidente Jorien van den Herik, que renunciou há dois anos. Desde 1992 na presidência, Van den Herik já fora investigado, desde 1998, pelo FIOD (espécie de Conselho Fiscal holandês) por supostas fraudes e sonegações fiscais, na compra de jogadores como o australiano Aurelio Vidmar e o ganês Christian Gyan.

Além disso, caíra em desgraça com a torcida ao fim da temporada 2005/06, com a venda de jogadores populares, como Kalou (Chelsea), Kuyt (Liverpool) e Charisteas (vendido justamente para o rival Ajax). Um relatório surgido de um grupo de notáveis do Feyenoord indicava a saída de Jorien como melhor atitude. E não deu outra, mesmo com a absolvição das acusações. Mas o cenário continua assustador. Tanto que o habitualmente discreto Wim Jansen, lenda do clube pelos doze anos jogando lá, desde 1968, decidiu deixar o confortável cargo de diretor técnico para virar auxiliar de Verbeek. E os problemas que o patrocinador anda enfrentando não ajudam muito (ler mais nas Curtas da coluna).

Não está tudo perdido, obviamente. Timmer mostra que, mesmo com 36 anos às costas, ainda é dos melhores goleiros holandeses; Tomasson permanece fazendo gols e sendo útil como referência no ataque; Wijnaldum, Biseswar e Fer dão esperanças à torcida, sempre apaixonada. Mas uma melhora do Feyenoord urge. Caso contrário, PSV e Ajax passarão à frente como a maior rivalidade holandesa.

Agora só um lidera

A sorte vinha sendo grande amiga do Anderlecht na Jupiler League. Mas, justamente num duelo “de seis pontos”, em que os Mauves enfrentariam o Standard Liège com quem dividiam a liderança do Campeonato Belga (além do Excelsior Mouscron), foi o time de Laszlo Bölöni que conseguiu um bom resultado nos últimos minutos. Aliás, no último minuto. Foi exatamente aos 45 do 2º que Milan Jovanovic virou a partida para os Rouches. Restava ao Standard, então, torcer para que o Excelsior não conseguisse voltar a vencer, contra o Genk.

Foi exatamente o que aconteceu: os antes invictos Hurlus conheceram a primeira derrota na temporada, também um 2 a 1 de virada, além de perderem Custovic, expulso a seis minutos do fim. Assim, Anderlecht e Mouscron continuam dividindo uma posição. Só que é o segundo lugar. A ponta voltou a ser exclusiva dos Liègeois.

Não deixa de ser merecido. Afinal, o Standard é, hoje, um time bem montado por Bölöni, além de contar com dois dos melhores belgas na atualidade (Witsel e Defour), ter bons atacantes e não temer muito os adversários, por mais fortes que sejam. Exemplo foi o empate em dois gols arrancado contra o Everton, na partida de ida da primeira fase da Copa da UEFA. Resta ver se o time conseguirá equilibrar-se entre dois campeonatos importantes, bem como sobreviver a perdas quase certas na próxima temporada de transferências. O Anderlecht, por sua vez, tem mais um jogo de seis pontos contra o Excelsior. E torce para que a sorte esteja com ele novamente.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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