A Copa de 2010 começa agora

Após a rodada de amistosos do dia 20, que passou quase despercebida devido às Olimpíadas, as seleções européias voltam definitivamente ao trabalho, para a primeira rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010. Como sói acontecer, Bélgica e Holanda também voltam a campo. Os Diabos Vermelhos começam a tentativa de volta a uma Copa no sábado, 6, diante da Estônia, em Liège, enquanto a Oranje aproveitará o fim de semana e a parada nos campeonatos nacionais para um amistoso em Eindhoven, também no sábado, contra a Austrália, e só na quarta-feira estreará na fase de qualificação, frente à Macedônia, em Skopje.
No time holandês, as mudanças que ocorreram já eram previsíveis: Boulahrouz, que não jogou o amistoso contra a Rússia por estar contundido, retorna à lateral-direita. Babel, que, em princípio, teria integrado o grupo que disputou a Eurocopa, foi convocado por Bert van Marwijk quando ainda estava servindo à seleção olímpica e volta à seleção principal. A única perda foi Engelaar: o volante do Schalke 04 até foi convocado para as Eliminatórias, mas uma lesão no joelho impediu que ele regressasse à posição que conquistou pouco antes da Euro.
Mesmo com essas “novidades”, no entanto, Van Marwijk não deve colocar o time em algo muito diferente do 4-2-3-1 que tão certo deu no continental de seleções. Mesmo com a volta de Boulahrouz, a defesa laranja no amistoso e nas Eliminatórias será a mesma que atuou contra os russos, começando por Stekelenburg, no gol. John Heitinga agradou e ganhou nova chance na lateral-direita, juntando-se à dupla de zaga formada por Ooijer e Mathijsen e, pela esquerda, o capitão Van Bronckhorst.
Na cabeça-de-área, a ausência de Engelaar torna um pouco mais difícil a saída de bola para o ataque, mas a ausência pode ser útil. Afinal de contas, a dupla formada por Mark van Bommel e Nigel de Jong já mostrou-se forte e combativa na marcação, sendo por isso elogiada pelo treinador após o empate em um gol no amistoso contra os russos. Além disso, mesmo sendo um jogador bastante temperamental – algo demonstrado por sua expulsão já na segunda partida do Bayern de Munique na Bundesliga -, Van Bommel traz uma experiência que não pode ser descartada.
Já o meio-campo sofreu perda considerável com a baixa forçada de Sneijder, cuja lesão nos ligamentos do joelho o deixará de fora dos campos até o fim do ano. O meia do Real Madrid não foi eleito um dos melhores jogadores da Eurocopa à toa: além de auxiliar na marcação, provou ser um meia rapidíssimo no trabalho ofensivo. A tarefa de pensar o jogo ficará, por enquanto, com seu novo colega de clube Rafael van der Vaart.
O ex-meia do Hamburgo, porém, caracteriza-se por ter um pouco mais de cadência nisso, o que pode prejudicar o letal contra-ataque holandês. A rapidez, portanto, ficará nos lados, a cargo de Robin van Persie e Arjen Robben, dois jogadores que têm de provar que não são meras “opções de segundo tempo” e que podem superar as contusões renitentes que volta e meia os atrapalham.
O ataque será, talvez, o setor que mais precise de aperfeiçoamento daqui até o fim das Eliminatórias. Com a aposentadoria de Van Nistelrooy, a princípio, Huntelaar vira o novo homem de referência na área. Porém, o atacante do Ajax terá de mostrar logo a frieza nas finalizações que o tornaram o 3º colocado na briga pela Chuteira de Ouro da última temporada européia. E, para que “Hunter” consiga brilhar, valerá muito, algumas vezes, a ajuda do reserva Dirk Kuyt.
O atacante do Liverpool terá a tarefa de ajudar na marcação à saída de bola adversária, além de correr muito pelo ataque para abrir espaços. Nada com que ele já não esteja acostumado: afinal de contas, faz papel muito semelhante para ajudar as performances de Fernando Torres nos Reds. Caso o entrosamento continue e as mudanças dêem certo, a Holanda vira o time a ser batido no grupo 9 das Eliminatórias européias, por mais que Escócia e até Noruega possam atrapalhar.
Bélgica: eles merecem crédito
Do lado belga, a derrota no amistoso para a Alemanha diminuiu um pouco mais a moral dos comandados de Rene Vandereycken, bem como a confiança da torcida na seleção. O cenário de ausência, desde a Copa de 2002, de torneios importantes, e a queda no ranking da FIFA – em junho de 2007, a Bélgica caiu para sua pior posição desde a fundação do ranking, um 71º lugar – só fazem ampliar o quadro de desconfiança. A KBVB, federação belga, apelou, então, para a publicidade: o princípio das eliminatórias para 2010 marcou o início da campanha “I Believe”, em que lendas como Paul van Himst, Ceulemans, Gerets, Franky van der Elst, Scifo e Luc Nilis emprestaram suas imagens para tentar mobilizar os torcedores a acreditar que os Diabos Vermelhos podem acabar com o jejum de aparições no futebol internacional.
E, a bem da verdade, o time não é tão ruim assim. A provável formação que estreará contra a Estônia tem experiência em sua espinha dorsal. Daniel van Buyten e Vincent Kompany formam uma dupla de zaga bem afinada; Timmy Simons ganhou a companhia de Marouane Fellaini na cabeça-de-área; Gaby Mudingayi e Steven Defour podem ser úteis na armação para o ataque, que vem sendo renovado com as presenças de Moussa Dembélé, Kevin Mirallas e Stein Huysegems, potenciais companheiros de ataque para Wesley Sonck. Como se vê, boa parte dos jogadores atuou na boa campanha nos Jogos de Pequim, que terminou com um 4º lugar honroso.
E o time que foi comandado por Jean-François de Sart é exatamente o sinal de que uma boa geração de jogadores pode estar aparecendo, num momento valioso. Depende da utilização que Vandereycken fará deles. Evidentemente, será demais tentar brigar, no grupo 5 das Eliminatórias, com uma Espanha de moral turbinado pelo título europeu. Mas, quando o time entrar nos eixos, promete uma briga equilibrada com Turquia em busca de uma vaga na repescagem.
PSV com tudo
Os Boeren não podiam imaginar melhor começo de Eredivisie. Na partida contra o Utrecht, quase tudo funcionou às mil maravilhas para o time de Huub Stevens. Principalmente Nordin Amrabat, cujo entrosamento com Danny Koevermans – autor de dois gols – deu esperanças aos torcedores. Bastou, então, outra boa atuação, de Ibrahim Afellay (dois gols), aliada a um dia terrível do zagueiro Francis Dickoh, e estava desenhada a goleada que se concretizou: 5 a 1.
Mas o melhor veio com a atuação dos rivais. Primeiro, um Ajax tíbio, que teve péssima atuação em Tilburg e não ofereceu resistência ao Willem II, que aplicou 2 a 1, de virada, e ainda viu, no fim do jogo, a expulsão de Evander Sno. O Feyenoord chegou a dar esperanças: contra o Heracles Almelo, fez 1 a 0 logo no primeiro minuto, em cabeçada do zagueiro brasileiro André Bahia. Mas outra expulsão selou o destino dos Rotterdammers: com 30 minutos de jogo, Jonathan de Guzman deu um cotovelaço em Kwame Quansah e recebeu o vermelho diretamente. A falta do volante enfraqueceu a marcação do time de Gertjan Verbeek, que viu, oito minutos depois, o empate do Heracles, que faria 3 a 1 no segundo tempo. Talvez a solução dos problemas do Feyenoord está na volta de vários contundidos que assistiram ao jogo em Almelo, como Tim Vincken, Ron Vlaar e Roy Makaay.



