Holanda

A burrice campeia em Bruges

É raro se ver um jogo que termina com o placar de 5 a 4. Mas, geralmente, quando ele ocorre, o que se imagina é que foi uma partida altamente equilibrada, cheia de alternativas. Sim, com as defesas sendo um tanto atrapalhadas demais. Ainda assim, a imagem feita certamente resultará numa partida animada, em que qualquer uma das equipes poderia ter vencido. Logo, decisões tomadas a partir de tal contenda são, quase sempre, perigosas, porque são tomadas no calor do momento.

Pois foi o que aconteceu no Club Brugge. Os Azuis-e-Negros apresentam, na atual temporada, um time com capacidades há muito não vistas por aqueles lados. Certo, desde que chegou do Ajax, em 2009 (trabalhava nas categorias de base dos Ajacieden), o holandês já conseguira dar uma cara mais definida ao time – que, por tabela, passou a apresentar mais esforço em campo. Mas somente na atual temporada é que Koster conseguiu ganhar uma base capaz de recuperar o título belga. E, de quebra, até conseguiu boas atuações na Liga Europa, até agora. Algo até surpreendente, para um time que perdeu Perisic, o principal destaque em 2010/11.

Só que, na 11ª rodada da Jupiler League, houve o jogo contra o Racing Genk. A vitória era até importante, uma vez que o Brugge fora derrotado nos acréscimos pelo Birmingham, em casa, pela Liga Europa (2 a 1), e também caíra para o Kortrijk, perdendo a vice-liderança do Campeonato Belga. Ainda assim, continuava na disputa pela posição de perseguidor principal do Anderlecht, junto do Gent e do rival citadino, o Cercle Brugge.

E ia dando tudo certo, pois o Brugge conseguia a vitória por 4 a 2, em casa. Isso, aos 21 minutos do segundo tempo. Assim, a equipe tratou de relaxar e tentar manter a vitória. Deu-se mal, muito mal: guiado por um Kevin de Bruyne abençoado, marcando dois gols, o Genk partiu rumo à incrível virada para 5 a 4. Que marcou uma boa semana, incluindo um empate contra o Chelsea, pela Liga dos Campeões.

Para o Club Brugge, claro, ficou um tom de indisfarçável frustração. Compreensível, mas também superável: os resultados da rodada na Jupiler League fizeram com que o time caísse para a quarta posição, mas um ponto atrás de Gent e Cercle Brugge – sendo que a equipe já venceu o Gent, por 2 a 0. Ou seja, voltar à vice-liderança é um cenário altamente possível, e até provável.

Não foi o que pensou a diretoria. Que, numa decisão discutível, demitiu Koster já no domingo. Pior: sem dar justificativas imediatas. Tudo bem, elas vieram na quinta, por meio do diretor geral do clube, Vincent Mannaert, que falou a respeito de um “problema estrutural” na defesa, expresso em resultados como o empate com o Sint-Truiden, sofrido após uma vantagem de 3 a 0, ou a derrota para o Racing Genk. Não ter conseguido solucionar o problema foi fatal para Koster.

A tarefa de comandar o time na Liga Europa, contra o Birmingham, ficou a cargo do auxiliar Rudi Verkempinck. E, por enquanto, só se fala em candidatos ao cargo, sendo Steve McClaren o nome mais mencionado. A julgar pelo resultado na Inglaterra, o problema que teria custado o cargo a Adrie Koster não foi resolvido: uma vantagem de 2 a 0 foi novamente desperdiçada e transformada num empate.

A demissão de Adrie Koster é uma prova de como a burrice e a precipitação podem colocar em risco uma boa temporada, como a que o Club Brugge faz. Continuando com atitudes assim, acabar com o jejum de seis anos sem títulos nacionais não será algo tão fácil.

Sinais invertidos em Amsterdã

 

Quando a temporada 2010/11 se iniciou, a expectativa do Ajax era confirmar o status de favorito na Eredivisie, e tentar uma performance honrosa, pelo menos, na Liga dos Campeões. No entanto, o caminho dos Ajacieden tem sido diferente. Na liga holandesa, a equipe de Frank de Boer ainda peleja para retomar a briga pelo título; no torneio continental, a classificação às oitavas de final é uma possibilidade, não mais um sonho.

Sim, houve a goleada por 4 a 0 sobre o Roda JC, na última rodada do campeonato nacional. Só que ela interrompeu uma péssima sequência de seis jogos sem vitória. Já na Liga dos Campeões, o time cumpriu a tarefa contra o Dinamo Zagreb, vencendo facilmente na Croácia (2 a 0) e na Amsterdam ArenA (4 a 0). E sonha em poder desafiar o Lyon, adversário direto pela vaga nas oitavas de final, no jogo da próxima rodada, no Gerland, na França.

Aliás, pode-se dizer que Christian Eriksen é um símbolo dessa mudança de rumos do Ajax. Apontado há muito tempo como revelação para logo surgir num grande europeu, o meio-campista dinamarquês não vem apresentando atuações tão fundamentais na Eredivisie, em que pese a boa atuação contra o Roda, com um gol e duas assistências. Na Liga dos Campeões, Eriksen tem assumido o destaque que lhe é dado: foi o grande jogador na goleada contra o Dinamo Zagreb.

O jovem de 19 anos já é o principal destaque da equipe de Frank de Boer. O que se espera é que passe a assumir o protagonismo nas duas frentes, de modo a fazer o Ajax não só sobreviver ao inverno na Liga dos Campeões, como também a trazê-lo de volta à disputa da ponta no Holandês.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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