Holanda

A Bélgica que dá certo

A Bélgica vive de decepções na Liga dos Campeões há algum tempo. Só o Anderlecht tem duas para contar: em 2009/10, foi facilmente destroçado pelo Lyon na terceira fase preliminar. E, na temporada seguinte, após correr atrás do empate contra o Partizan, no mesmo estágio, jogou a vaga na fase de grupos fora, com participação horrível na disputa de pênaltis.

E o Racing Genk não parecia capaz de mudar o cenário nesta Liga dos Campeões, pelo grupo forte que pegou. Não o fez. Não deu vexames (duros, mesmo, só os 5 a 0 para o Chelsea e os 7 a 0 para o Valencia) quanto outros times da fase de grupos, mas nunca pôde sonhar nem mesmo com a vaga na Liga Europa. Mas tudo bem. Afinal, a representação belga faz por merecer elogios na segunda competição de clubes europeus.

É verdade que, nele, os clubes belgas já costumam enfrentar um cenário mais amistoso. Basta lembrar que, há duas temporadas, Anderlecht e Standard conseguiram chegar às quartas de final. Mas passar à segunda fase com o brilhantismo atual é raro: todos os representantes do país terminaram com a primeira posição de seus grupos. O Anderlecht foi o único time a vencer seus seis jogos, entre os 48 da fase de grupos. E, dentro dos Mauves, Matías Suárez foi o destaque, sendo o principal goleador, com sete bolas nas redes.

Aliás, a classificação foi muito bem vinda para o time de Ariël Jacobs. Se faz uma ótima temporada, as últimas rodadas do Campeonato Belga demonstraram uma queda perigosa no time. A vitória contra o Zulte Waregem já havia sido conseguida a duríssimas penas. Na 16ª rodada, a equipe do Parc Astrid não superou o esforço do OH Leuven para segurar o 0 a 0. E, na 17ª, veio a terceira derrota da temporada – 2 a 1 para o Mechelen. Pela falta de ritmo, o time titular voltou a ser escalado por Ariël Jacobs, mesmo com classificação assegurada.

Deu certo. Porque o meio-campo anda bastante seguro na temporada, com Sacha Kljestan e Lucas Biglia cuidando bem da marcação e possibilitando que o brasileiro Fernando Canesin arme as jogadas. No ataque, Jovanovic faz o serviço sujo: com sua maior experiência, abre caminho para que Suárez possa continuar marcando gols. Tudo isso diminui as inseguranças que a defesa vive, atualmente – no gol, Silvio Proto enfrenta má fase.

Já o Standard vai comprovando que continua num nível razoável, embora não se aproxime do time do bicampeonato de há algumas temporadas. José Riga conseguiu formar uma base compacta, que sabe se esforçar para que Mohamed Tchité, o único protagonista, consiga se destacar. Alguns reforços também ajudaram os Rouches. Como William Vainqueur, no meio-campo.

E o Club Brugge conseguiu se recompor. Surpreendendo a coluna, os Azuis e Negros evoluíram no aspecto que levou Adrie Koster a ser demitido: a fragilidade defensiva. Sob Christoph Daum, o time de Bruges é extremamente conservador – mas também mais confiável. Na Jupiler League, desde que o treinador alemão chegou, na 14ª rodada, são quatro vitórias seguidas. Todas por 1 a 0. Já significa ter a vice-liderança, dois pontos atrás do Anderlecht. E, na Liga Europa, significou eliminar os perigos surgidos após a derrota para o Birmingham, classificando-se com um empate e a incrível virada contra o Maribor.

“Mas a Holanda terá quatro representantes na segunda fase!” Sim, terá. Mas, se PSV e Twente foram bem em seus grupos, o mesmo não se pode dizer do AZ – que até vinha tranquilo, mas correu alguns riscos nas duas últimas rodadas. E, para o Ajax, a Liga Europa não serve de consolo, após a eliminação traumática. Por isso, os belgas estão em superioridade. E sonham em continuar representando dignamente o país na Liga Europa.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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