Holanda

63 finalizações, reviravoltas, oito gols: Feyenoord 4×4 NEC foi o multiverso da loucura na Copa da Holanda

O Feyenoord perdia do NEC por dois gols até os 44 do segundo tempo, mas forçou o empate nos acréscimos e fez uma insana prorrogação de quatro gols, até selar a classificação pela Copa da Holanda nos penais

A Copa da Holanda ofereceu nesta quarta-feira uma das partidas mais malucas dos últimos anos. Afinal, não houve qualquer lógica ao longo dos 120 minutos entre Feyenoord e NEC Nijmegen em Roterdã. Os líderes da Eredivisie, apesar de tudo, conseguiram avançar às quartas de final com altas doses de insanidade. O NEC vencia no Estádio de Kuip por dois gols de vantagem até os 44 do segundo tempo, quando o Stadionclub reagiu e empatou agonizantemente por 2 a 2. Já na prorrogação, as duas equipes marcaram mais quatro gols, dois deles nos cinco minutos finais, em placar de 4 a 4. Era um ato heroico do NEC, com um jogador a menos durante os 30 minutos extras. Foi somente nos pênaltis que o time de Arne Slot prevaleceu, em vitória apertada por 5 a 3. Igor Paixão fez o gol que forçou a prorrogação aos 47 do segundo tempo e ainda converteu a penalidade derradeira, que determinou a passagem. A noite terminou com 63 finalizações, 50 delas só do Feyenoord, com uma coleção invejável de 23 defesas do goleiro Mattijs Branderhorst.

O primeiro tempo já seria bastante atípico em Roterdã. O Feyenoord teve mais posse e mais finalizações, 11 no total, mas a eficiência esteve do lado do NEC. Os visitantes anotaram logo de cara os dois primeiros gols. Calvin Verdonk abriu o placar aos 33 minutos, numa recomposição lenta da defesa adversária. Já o segundo, aos 45, surgiu em mais um cochilo da defesa que Pedro Marques não perdoou.

O segundo tempo se tornou um bombardeio do Feyenoord. Foram assombrosas 23 finalizações, cerca de uma a cada dois minutos. O goleiro Mattijs Branderhorst salvava o NEC como podia e realizou dez defesas ao longo da segunda etapa. Porém, nos minutos finais, a reação do Stadionclub se iniciou. Philippe Sandler meteu a mão na bola na área e foi expulso aos 44, antes que Orkun Kökçü anotasse de pênalti o primeiro gol dos anfitriões. Já nos acréscimos, em meio à pressa, o Feyenoord assinalou o segundo numa cabeçada de Igor Paixão aos 47.

Era natural esperar que o Feyenoord dominasse a prorrogação, com um jogador a mais. De fato, o bombardeio não cessou. Mas o NEC seguiu lutando com dez homens e retomou a vantagem aos seis minutos, com Jordy Bruijn num contra-ataque. Pelo menos o empate não demorou, dois minutos depois, graças a uma cabeçada de Santiago Giménez – na segunda assistência de Javairô Dilrosun. O Stadionclub terminou o primeiro tempo extra com nove finalizações, numa frequência ainda maior, e seis defesas de Branderhorst.

Nos 15 minutos finais, seriam outros sete arremates do Feyenoord no alvo e quatro defesas do goleiro. Mas as redes balançaram para a virada aos 11 minutos, quando o inspirado Dilrosun entortou a marcação e anotou um golaço com o chute na gaveta, indefensável. Missão cumprida? Não quando Bruijn reapareceu dois minutos depois e empatou de novo ao NEC, após cruzamento na área. Os 120 minutos terminavam com assombrosas 50 finalizações do Feyenoord, 27 no alvo. O NEC teve 13 arremates, seis no alvo, quatro nas redes.

Somente nos pênaltis é que o Feyenoord pôde finalmente comemorar. Branderhorst desta vez não teve chances e todos os cobradores do time converteram. O NEC, por sua vez, falhou quando Ilias Bronkhorst parou no goleiro Timon Wellenreuther no quarto tiro da equipe. Logo depois, coube a Igor Paixão fechar os trabalhos e botar o Stadionclub na próxima fase.

Utrecht, Heerenveen e PSV são outros times da primeira divisão que se classificaram. O De Graafschap avança como representante da segunda e a grande surpresa é o Spakenburg, da terceirona. Twente x Ajax e ADO Den Haag x Go Ahead Eagles fecharão as oitavas de final nesta quinta-feira.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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