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Quando fui a primeira técnica mulher da Premier League e virei amiga do Mourinho

Nós convocamos e vocês enviaram as suas histórias e sagas sobre FM. Como são muitas, temos que selecionar para poder publicar. A primeira será a história da Lissa, mas teremos muitas outras e continuamos abertos a receber a sua história. Aproveite e comente!

Por Lissa Capeleto

Em Junho de 2014 me tornei a primeira mulher a ser técnica de um time da Premier League, no meu time de coração, o Liverpool. Queria fazer o time atual jogar como o da temporada passada, queria sentir aquela mesma pressão e garra que o time sentia e passar nervoso, como eu passava na vida real. Queria uma tática que fosse a minha cara, e a cara do Liverpool, que valorizasse um futebol rápido, energético, que pressionasse o outro time e criasse muitas chances. Isso sem perder a posse de bola. Eu queria aquela patrola que era o Liverpool de 2013, fazendo dois gols em 15 minutos no começo da partida sem deixar o adversário respirar. Eu já tinha decidido a formação que eu queria: três zagueiros, um volante, um meia armador, dois wingers, dois meias ofensivos e um atacante. Poderia me deixar vulnerável pelas laterais, mas eu estava disposta a confiar nos meus defensores.

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Não mexi muito no time, porque sou muito apegada a quase todo mundo, e porque depois de tantas contratações na temporada passada, não tava sobrando muito dinheiro. Mas eu queria contratar alguém que tivesse nome, empolgasse o público e se encaixasse no meu estilo de jogo veloz e prafrentex. Decidi pelo Marco Reus pra jogar como winger na esquerda. Essa contratação dele foi bem emocionante, já que foi concluida no último dia da janela de transferências, depois de duas semanas de atraso nas negociações por falta de dinheiro e brigas com a diretoria. Mas tudo deu certo no final, e ele veio para o Liverpool, apesar de estar lesionado e poder jogar apenas em setembro. Gastei uma grana FEDERAL, 36 milhões de libras, mais o salário exorbitante pra ele poder vir para o time. Vender o José Enrique e o Fabio Borini não ajudou muito. E essas foram as únicas alterações no time, fora algumas mudanças no staff para melhorar o departamento de fisioterapia e trazer mais alguns técnicos.

Começamos a pré-temporada com uma série de amistosos recheados de gols. Nosso melhor resultado foi um bizarro 9-2 contra o chinês Renhe. Mas uma série de lesões em jogadores como Lallana, por três semanas, Coutinho, por sete e Mignolet, por cinco semanas, acabaram zoando LEGAL a nossa estréia na Premier, e nosso início de temporada. Caras, meu time começou bem mal. Minha tática deu errado, pois nos deixou expostos e apesar de conseguir muitas chances, a bola simplesmente não estava entrando. A arte imita a vida e meu Liverpool teve um início de temporada tão desastroso quanto o do Rodgers esse ano.

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Saímos da Champions ainda na fase de grupos, ficando em último em um grupinho meio médio, com o Atlético de Madrid, o Bayer Leverkusen e o grande Steaua (ha). Saímos também da Capital One Cup no segundo jogo, contra um Reading safado (but who cares, joguei com os reservas mesmo). Status: Lovren estava tendo um desempenho sofrível, Balotelli não conseguia acertar o gol de jeito algum, Sturridge estava em um nível MUITO abaixo do seu esperado e o Reus não tinha encontrado ainda seu lugar no time. As coisas não estavam encaixando e eu ainda tinha que me preocupar com lesões. Estávamos nós lá na meiúca da tabela, fora da Champions, demorando pra fazer todas as peças se encaixarem (oi, Liverpool da vida real!).

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Meu fundo do poço foi a nossa derrota de 4 a 0 para o Swansea, com uma performance TERRÍVEL de todo mundo envolvido. Esse resultado me fez parar de jogar por três dias. Mas voltei determinada a arrumar essa bagunça que eu criei. Passei três horas ajustando minha tática principal e mais duas adaptadas pra quando eu precisasse fazer gol desesperadamente, e pra quando eu precisasse retrancar ou jogar com meu time reserva. Todas tem instruções individuais para todos os jogadores e pelo menos dois possíveis reservas em cada posição. Sério, gente, foram três horas de dor de cabeça, mas eu cheguei em um resultado que me deixou bem feliz e que eu acreditava piamente que ia mudar o rumo da nossa temporada, sem comprometer minha visão para o time. Continuei na mesma formação, mudando a mentalidade, os papéis e as instruções de cada jogador, e passei as responsabilidades do cronograma de treinos pra mim. Isso foi no começo de dezembro.

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Nosso primeiro jogo com essa tática e instruções específicas ia ser contra o Manchester United. Em Anfield. Acredito que os screenshots falem por si. Não existe um nome pra um hat-trick de cinco gols, existe? Pois foi o que o Sturridge fez. Bueno, devo dizer que depois desse jogo as coisas deram uma virada impressionante. Nem imaginam o orgulho que eu senti dos meus meninos passeando pelo campo. Dá pra ver pelos resultados que o time se encaixou bonito, e na virada do ano o clima no vestiário estava bem diferente.

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Então José Mourinho apareceu na minha vida. Até então, meu único jogo contra o Chelsea tinha acabado em um desastroso 4-2. O Mourinho não me respeitava e na imprensa estava pouco se lixando para mim e para o meu time. Não éramos uma ameaça e ele tinha completa razão. Até a FA Cup começar. O primeiro jogo foi dia 4 de janeiro contra o Aston Villa, em casa. 3-0. O próximo, contra o Cardiff, 20 dias depois, também em casa. 2-0.

E aí o sorteio resolveu me ferrar gostoso e me tira o Chelsea. E o jogo ia ser em Stamford Bridge. “Cagou”, pensei eu. Precisávamos chegar pelo menos nas semi finais pra agradar a diretoria e agora nosso próximo adversário era o motherfucking Chelsea. Estava esperando levar uma coça federal, mas acabamos empatando em 2-2. Fazer isso lá em Londres foi LUCRO pra mim. Nesse momento minha relação com o José Mourinho começou a estremecer. Rolou um leve bate boca pelos jornais e ele fez declarações bem feiosas sobre mim. No perfil dele constava que ele me achava incompetente. Ele estava na minha lista de pessoas que menos gostavam de mim. Triste hein. Pra melhorar, o Reus se machucou e não poderia jogar o Replay.

Antes do segundo jogo, rasguei seda na direção do Mourinho, falando da minha admiração por ele e como estava honrada de jogar contra o seu time. O que é verdade. E ele retrucou dizendo que preferia que os elogios tivessem vindo de alguém que ele respeitasse mais. OUCH.

Pois bem, no replay a gente ia jogar em casa e por isso deixei o time bem prafrentex. Queria pressionar cedo e jogar menos na retranca, diferente do que eu tinha jogado no primeiro jogo. Depois de um primeiro tempo apertado, que terminou sem gols, puxei a orelha do pessoal e aproveitei pra pedir pro time pressionar mais. Eles conseguiram, aos 66 minutos, desencantar aquela partida com um lindo gol do Sterling. Esse mesmo Sterling dibrou todo mundo e ganhou um pênalti que o Gerrard converteu, nem 10 minutos depois. Firmino conseguiu diminuir aos 83 e eles vieram com tudo para cima, com umas 2 chances absurdas que foram parar no Mignolet, e me deixaram com o coração na boca. Resumo do jogo: Dominamos. 61% de posse, 26 chutes a 8. 2 a 1.

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No fim do jogo me perguntaram se eu estava feliz. Eu não estava só feliz, estava radiante, óbvio! Mourinho ficou um pouco chateado com isso. Disse que perder para o Liverpool já era ruim,e ficava pior ter que me ouvir falando tanto sobre a vitória. Deixava tudo mais irritante, dizia ele. Mas nesse mesmo dia entrei no perfil do Mourinho e lá dizia: “Relação com você: Acredita que vocês deveriam ser amigos”. CONQUISTEI O HOMEM COM MEU FUTEBOL. Capeleto e Mourinho BFFs. Voei na FA Cup depois disso, me classificando para a final. Mais sobre isso depois.

Enquanto isso, fizemos uma campanha linda pela Europa League, diferentemente da Premier, em que as coisas iam meio mal. Depois daquele começo péssimo nos recuperamos, mas a gente estava preso no 5o lugar, atrás do Everton. O campeonato já estava praticamente fechado com o Tottenham em primeiro. Perdemos feio para o United (oi, Liverpool da vida real!) em Old Trafford. Mas ganhamos bonito do Chelsea em casa. Mourinho parou de me odiar e passou a me respeitar. Tomamos drinks juntos. Van Gaal não vai com a minha cara.

Nosso jogo contra o Tottenham, que estava para ser campeão, foi com o time mais reservão, pois eu precisava preservar uma rapazeada pra Europa e pra FA Cup, já que iríamos enfrentar o Shakhtar e o United. Foi um chocolate que acabou 6 a 1, e esse resultado quase abalou meus queridos, que ficaram muito chateados. Tottenham se consagrou campeão nesse dia, 3 rodadas antes do final do campeonato. Eu tinha praticamente desistido das minhas chances de me classificar pra Champions através da Premier, achando que a Europa me classificaria, quando percebi que o jogo não tinha atualizado essa regra.

#chatiada

Apesar disso, esse foi nosso único resultado ruim no meio de uma fase incrível. Sterling se ergueu ao status de Star Player, e estava voando nos campos, junto com o Coutinho. Reus até ficou de coadjuvante diante de tanta habilidade. Posso dizer que minha tática vingou, e com uma fase tão boa, resolvi investir com tudo nas 3 competições e arriscar mesmo, porque nessa hora eu acreditei que a gente conseguiria realizar mais do que eu tinha imaginado. Na Europa League, fomos muito bem em todos os jogos, até a final contra o Roma, que acabamos perdendo por 2-1. É, não deu.

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Enquanto isso na Premier, o Everton continuava em quarto lugar, numa campanha surpreendente. A gente precisava ganhar todos os jogos, incluindo um contra eles mesmos, um Merseyside Derby valendo uma chance pra talvez se classificar pra Champions. E ganhamos, em um jogo tenso pra caramba, e mesmo assim eles estavam na minha frente. Mas isso significava que a corrida não tinha acabado pra mim. E nem podia acabar, porque nessa altura do campeonato eu tinha dois jogadores pedindo pra sair porque queriam estar em um time que jogasse a Champions. Um deles sendo o Jordan Henderson, meu futuro capitão. Ou seja, eu não tinha muita escolha: eu simplesmente PRECISAVA classificar. O último jogo da temporada foi contra o QPR, em casa, e ia acontecer ao mesmo tempo que Everton contra Chelsea. Eu estava dois pontos atrás. Precisava ganhar e precisava que o Everton perdesse. Eles perderam. Eu ganhei. Classificamos para a Champions num final de temporada dramático, com um ponto de diferença!

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Três dias depois, jogamos pela final da FA Cup contra o Arsenal em Wembley. Um Arsenal que, como na vida real, lutava contra lesões e estava com o time desfalcado. Arsenal esse que não tinha se classificado para a Champions League. Wenger se arriscou muito escalando uns novatos adolescentes da base pra começar o jogo, além de outros nomes duvidosos. Bom pra mim. Porque meu time estava jogando a essência do futebol que eu tinha imaginado depois que eu acertei a tática, o resumo de tudo que eu queria como técnica. Foi a consagração de um time que eu ralei pra acertar. E o resultado foi uma patrolagem geral. 5-1. Atropelamos o Arsenal em Wembley, e eu pude ter a honra de ver o Gerrard levantar a taça da FA antes de sair do Liverpool. E também deu tempo de ver o Wenger ser demitido do Arsenal por causa dessa cagada magistral.

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E essa é a minha história do FM15 🙂 Agora estou continuando essa temporada, e quero chegar perto do título em meu segundo ano. Apesar da saída do Gerrard, que há de ser bastante emocionante, vamos prosperar, tenho certeza disso.

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