Corinthians conquista hexa da Libertadores diante de novo momento do futebol feminino no continente
Alvinegro segue empilhando títulos e fazendo história, mas atualmente tem mais obstáculos a superar do que nunca
O equilíbrio guiou a final da Libertadores Feminina entre Corinthians e Deportivo de Cali neste sábado (19). O duelo, que terminou com a vitória das brasileiras por 5 a 3 nos pênaltis após um 0 a 0 no tempo regulamentar, teve novamente o alvinegro fazendo história ao ser hexacampeão e se tornar o único time, entre equipes masculinas e femininas, a colecionar três taças consecutivas.
Na conquista e hegemonia na América do Sul, as Brabas do Timão enfrentaram um jogo duro e viram as colombianas crescerem na partida enquanto as alvinegras não conseguiram ser efetivas, em uma virada de chave sofrida na segunda etapa.
O resultado pode trazer diferentes significados, inclusive do novo momento vivido pelo futebol feminino no continente. Desde 2017, o Corinthians somou cinco títulos, ficando sem a taça apenas nos anos de 2018 (conquistada pelo Atlético Huila); em 2020 pela Ferroviária e em 2022 pelo Palmeiras.
Mas mesmo nos momentos mais desafiadores, o Corinthians seguiu empilhando títulos. O cenário de 2025, no entanto, trouxe uma nova perspectiva. Se antes as vitórias eram discrepantes, hoje, a equipe comandada por Lucas Piccinato chegou à última partida da Libertadores passando por duas decisões seguidas nos pênaltis.
A primeira contra um velho conhecido e tradicional equipe do futebol feminino, a Ferroviária, dona de duas taças e que ficou na terceira colocação nesta edição. As equipes brasileiras brigaram pela vaga nos pênaltis após o empate das Guerreiras Grenás na reta final da partida. Roteiro que se repetiu na final, com a decisão nas penalidades.
As reviravoltas nos momentos finais da partida, tanto contra a Ferroviária quanto contra o Deportivo Cali, mostraram que o Corinthians tem ao seu lado a experiência mental de anos no mais alto nível do futebol feminino, que acabaram sendo determinantes quando faltou fôlego ou poder de fogo ao alvinegro.
Nesse encontro continental, foi possível ampliar os horizontes e reforçar que temos bem próximo de nós países mostrando a sua potência. Com os contrastes entre veteranas brasileiras medalhistas olímpicas e vencedoras de outros tantos títulos e, por outro lado, uma nova geração de colombianas, por exemplo, famintas por mostrar o seu potencial.
Para além do próprio Deportivo Cali, Colo-Colo, Boca Juniors, Independiente del Valle reforçaram para a própria competição a tese de que o futebol de mulheres no continente está cada vez mais equilibrado e competitivo, o que mostra à Conmebol de que o básico precisa ser feito, oferecendo melhores condições e estruturas de jogo.
O pênalti decisivo que culminou na conquista alvinegra também é simbólico por isso, já que saiu dos pés de Jhonson (20 anos), uma das joias da nova geração. Ao mesmo tempo, ao lado da jovem atacante, a veterana Gabi Zanotti (40 anos) construiu o caminho na trajetória de mais um título, conquistando a artilharia da competição com seis gols.

Mas esse título terá uma importância ainda maior para impulsionar o importante trabalho referenciado do Corinthians. Agora, as Brabas avançam para um novo passo, em um novo momento, justamente quando completarão 10 anos da reativação do departamento de futebol feminino, em um trabalho que serve de modelo para a modalidade: a disputa inédita da Copa das Campeãs, o novo torneio da Fifa que reunirá os seis campeões continentais de clubes no início de 2026.
Polêmica e gol anulado do Corinthians pelo VAR
O primeiro tempo teve um início equilibrado e chegou a ser truncado com uma disputa intensa no meio-campo. A primeira chance do Corinthians aconteceu aos 13 minutos, quando Érika, em uma cabeçada firme, exigiu defesa da goleira Agudelo.
A arqueira do Deportivo de Cali voltou a brilhar aos 21, após chute forte de Duda Sampaio de fora da área. Depois dos 20 minutos, as Brabas conseguiram manteve a posse de bola e o controle do jogo e não chegaram a assustar a equipe colombiana até o fim da etapa inicial.
Mas ainda nos minutos finais, o Corinthians chegou a marcar com Érika após rebote dentro da área. O gol, no entanto, foi anulado pelo VAR, que identificou Vic Albuquerque em posição de impedimento em um lance confuso.
Na segunda etapa, o jogo foi mais truncado do que o normal, até para uma tensa final continental. Fato é que as colombianas cresceram no jogo e obrigaram o setor defensivo do Corinthians a trabalhar, com ótimas intervenções da goleira Nicole e até uma bola tirada em cima da linha por Jaque, aos 34 minutos, garantindo a igualdade no tempo regulamentar.



