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África do Sul derrota Marrocos e conquista título inédito da Copa Africana de Nações Feminina

As Banyana-Banyana dominaram as anfitriãs e venceram com louvor para sair da fila

É o ano dos campeões inéditos na África. Meses depois da histórica conquista de Senegal na Copa Africana de Nações, foi a vez da África do Sul levantar seu caneco na edição feminina do torneio. Diante das anfitriãs de Marrocos as Banyana-Banyana superaram a derrota em 2018 e triunfaram pelo placar de 2 a 1 no estádio Príncipe Moullay Abdellah, em Rabat.

Criada em 1991, a CAN feminina teve 14 edições e apenas três equipes campeãs. Disputada a cada dois anos, tem na Nigéria sua maior potência com uma diferença abissal para as demais: as Águias faturaram 11 vezes o troféu, e até a tarde de ontem, apenas a Guiné Equatorial conseguira interromper a hegemonia nigeriana, em duas ocasiões (2008 e 2012).

Curiosamente, as duas taças da Guiné foram conquistadas justamente em cima da África do Sul, que alcançou em 2022 a sua sexta decisão. Cinco vezes vice, a seleção auriverde se preparou muito bem para fazer uma grande participação neste ano. Líder do grupo C, se impôs e venceu Nigéria, Burundi e Botsuana como prova de força. O duelo direto contra as Águias, diga-se, mostrou quão sério as Banyana-Banyana entraram para subverter a lógica de sempre nadar, nadar e morrer na praia. A vitória por 2 a 1 deu fôlego para o restante da competição.

No mata-mata, a atacante Jermaine Seoposenwe decidiu contra a Tunísia e garantiu a vaga nas semifinais pelo placar mínimo, marcando muito cedo para que a sua equipe administrasse o resultado. O ponto mais sofrido, no entanto, veio no duelo seguinte, contra a Zâmbia: o gol da classificação foi mais do que dramático, saindo apenas no minuto 94, quando a partida se encaminhava para a prorrogação. Linda Motlhalo, apelidada carinhosamente de “Ronaldinho de Randfontein” foi o nome do jogo, marcando de pênalti para devolver a África do Sul à decisão e repetindo o roteiro da edição de 2018. Em 2020, o torneio foi cancelado devido à pandemia de covid-19.

Do outro lado da chave, as meninas de Marrocos fizeram a sua parte enquanto anfitriãs: lideraram o grupo com 100% de aproveitamento e derrubaram Botsuana e Nigéria (nos pênaltis) para buscar o troféu na cidade de Rabat. A África conheceria uma campeã inédita de qualquer forma, e a final, que teve excelente público, parecia destinada a cair no colo das marroquinas.

Massacre das Banyana-Banyana: obsessão pela taça inédita

Mas não foi isso que aconteceu quando a bola rolou: desde o começo, a África do Sul levou mais perigo, desafiando a defesa de Marrocos com finalizações e jogadas de velocidade. Em uma delas, Hanane Aït El Haj evitou o primeiro gol nos minutos iniciais tirando uma bola quase em cima da linha. Muito mais produtiva e criando chances, a equipe visitante martelou até que finalmente tirasse o zero do placar: no minuto 63, Seoposenwe disparou com a bola até a linha de fundo e, trazendo consigo a marcação, rolou para trás. Esperta e no lugar certo, Hilda Magaia teve tempo de ocupar o buraco na zaga e finalizar rasteiro para vencer a arqueira Khadija Er-Rmichi.

A pressão mudou de lado apenas por dois lances. Em mais um contragolpe rápido, as sul-africanas praticamente decidiram o confronto. A estrela de Magaia brilhou outra vez, agora com falha da zagueira Nesryne El Chad, que tentou matar uma bola no peito para sair jogando, mas subestimou a velocidade da bola e foi alcançada por Magaia, que vinha na sua cola desde o início do lance. A camisa 8 não titubeou e tocou por cima de Er-Rmichi. Com pouco mais de 20 minutos de jogo, até havia tempo para uma reação das locais, mas a estrutura emocional do time de Reynald Pedros havia ido para o espaço.

Na marca do minuto 80, a esperança renasceu para a equipe mandante: Fatima Tagnaout entrou na área e acionou Rosella Ayane, completamente livre de marcação, apenas tocar para a rede. O estádio pulsou para tentar dar uma energia extra para as marroquinas. A África do Sul, com o gol, se fechou e não permitiu uma nova chance para que as rivais empatassem. Em campo, a sensação de alívio se mesclou com a euforia de um título que há muito tempo era buscado pelas Banyana-Banyana.

O torneio também elucidou as classificadas do continente africano para a Copa do Mundo de 2023, na Austrália/Nova Zelândia: Zâmbia, Nigéria, Marrocos e África do Sul, semifinalistas, ocuparão as quatro vagas previstas para a CAF. As marroquinas serão as primeiras representantes árabes no Mundial do ano que vem.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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