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Wijnaldum: “No PSG, parece que a obsessão por vencer a Champions toma conta de você”

Wijnaldum falou sobre a obsessão do PSG pela Champions League, elogiou Pochettino e expressou ressentimento com parte da torcida do Liverpool pela maneira como foi tratado em seus últimos meses no clube

Que o principal objetivo do Paris Saint-Germain é conquistar a Champions League não se caracteriza como uma surpresa para quem acompanha o futebol europeu, mas segundo Georginio Wijnaldum, um dos reforços de um mercado dos mais ativos do clube parisiense, a busca pela inédita taça atinge o nível de obsessão no Parque dos Príncipes.

Após cinco anos como uma importante peça do meio-campo do Liverpool, pelo qual conquistou a Premier League, a Champions League e o Mundial de Clubes, Wijnaldum não chegou a um acordo com a diretoria vermelha para renovar o seu contrato e se mudou para Paris, ao lado de jogadores como Sergio Ramos, Gianluigi Donnarumma e Achraf Hakimi, para se juntar a Neymar e Kylian Mbappé na cruzada pela coroa europeia.

“Você sente o quanto este clube quer vencer a Champions League. Parece uma obsessão que simplesmente toma conta de você”, afirmou, em entrevista ao Guardian. “Mas eu também estou obcecado por ganhar a Champions League porque eu vi o quanto é legal e esse é mais ainda o caso agora que estou aqui. Eu tenho que dizer que a liga também. Há uma obsessão aqui para ganhar todos os títulos e ser o melhor time do mundo”.

Quando foi campeão europeu, Wijnaldum teve um papel decisivo no jogo mais marcante do título do Liverpool ao sair do banco de reservas depois do intervalo contra o Barcelona, em Anfield, e marcar dois gols em três minutos na goleada por 4 a 0 que colocou os Reds na final – após derrota por 3 a 0 no Camp Nou. E ele conta que havia recebido instruções para ficar mais recuado, ajudando na saída de bola, mas decidiu ignorá-las para entrar na área.

“Klopp provavelmente falou comigo (durante o intervalo), mas eu estava tão bravo (por não ter sido escalado) que não o ouvi. O único momento que ouvi foi quando o treino da manhã parou e ele disse: ‘Gini, você tem que estar pronto porque eu preciso de você quando você entrar’. Quando eu entrei, Pep Lijnders (auxiliar técnico) me disse que, na construção, eu tinha que recuar para fazer uma linha de três e pegar a bola, com os alas mais avançados”.

“Na minha cabeça, eu disse ‘não, não, não, não vou fazer isso, vou tentar jogar na frente e fazer gols’. Eu estava tão bravo que eu queria fazer meu próprio jogo e, no fim, ajudou”, disse.

Wijnaldum teve uma bonita passagem pelo Liverpool, que terminou com aplausos em pé de quase 10 mil torcedores em Anfield na última rodada da Premier League, contra o Crystal Palace, no retorno do público aos estádios após um longo tempo de portões fechados por causa da pandemia, e uma guarda de honra dos seus companheiros, reconhecendo toda a contribuição que o holandês deu ao sucesso dos Reds desde que se transferiu do Newcastle.

Mas também há ressentimento pela maneira como as negociações para renovar o contrato terminaram, com a diretoria do Liverpool não querendo sancionar o salário ou o tempo de contrato que ele queria, e principalmente com torcedores nas redes sociais que o culpavam pelos maus resultados porque supostamente já estava certo que ele não ficaria mais no clube.

Embora seja sempre difícil quantificar o quanto uma onda de críticas nas redes sociais realmente representa o sentimento da torcida, e Wijnaldum faz questão de deixar claro que, entre os fãs que iam ao estádio sempre se sentiu amado, foi algo que manchou os seus últimos meses como jogador do Liverpool.

Depois do jogo contra o Palace, afirmou que “teria amado” continuar sendo jogador do Liverpool, mas que “infelizmente as coisas andaram de maneira diferente” e indicou que a culpa pela sua renovação reside na alta cúpula do clube comprado pela Fenway Sports Group, do empresário John Henry, em 2010, que tem uma política de não dar contratos longos e salários altos para jogadores acima de 30 anos.

“Foi bonito no fim e, por semanas depois, eu pensei sobre aquilo. Nem todo jogador que vai embora tem aquilo. (Mas) houve um momento em que não me senti amado e querido. Não pelos meus colegas, não pelas pessoas em Melwood (centro de treinamento). Por eles… eu posso dizer que todos me amam e eu os amo. Não era naquele lado das coisas. Mais no outro lado”, disse.

“E tenho que dizer que também havia as redes sociais. Quando as coisas deram errado, eu era o jogador que eles culpavam – que eu queria sair. Todo dia nos treinos e nos jogos, eu dei tudo que tinha por um final feliz porque, durante os anos, o Liverpool significou muito para mim e por causa da maneira como os torcedores no estádio me trataram”.

“Sentia que os torcedores no estádio e os torcedores nas redes sociais eram diferentes. Os torcedores no estádio sempre me apoiaram. Mesmo quando retornaram (após as interrupções da pandemia), já sabendo que eu sairia, eles me apoiaram até o fim e me deram uma grande despedida”.

“Nas redes sociais, se perdíamos, eu era o culpado. Houve um momento em que eu pensei: ‘wow, se eles soubessem o que eu estou fazendo para ficar em forma e jogar todos os jogos’. Outros jogadores poderiam dizer: ‘ok, não estou bem’. Você tem jogadores que fazem isso no último ano: ‘não vou jogar porque é um risco’. Eu fiz o oposto”.

“Eu nem sempre joguei bem, mas, após cada jogo, posso olhar no espelho e dizer: ‘eu dei tudo que tinha, treinei duro para melhorar’. Mesmo com os fisioterapeutas… eu tive o melhor tratamento que poderia ter. Eu não me lembro de um dia de folga porque eu joguei tantas vezes e basicamente era muito para o corpo, mas eu fiz tudo que podia para ficar em forma”, disse o jogador que atuou nas 38 rodadas da última Premier League, 34 delas como titular.

“Houve uma reportagem de que o Liverpool havia feito uma proposta e eu não aceitei porque eu queria mais dinheiro e os torcedores agiram como se fosse: ‘ok, ele não recebeu a proposta, então ele não dá o seu melhor nos jogos’. Então os resultados não eram bons e tudo parecia que era contra mim. Alguns momentos foram como: ‘wow, eu de novo?’. É um coletivo. Mas meus companheiros nunca me passaram essa sensação de que eu os decepcionei ou que eu não ligava ou algo assim. Com o time, foi tudo bem”, fez questão de acrescentar.

Isso agora é passado. Wijnaldum parece empolgado com o novo capítulo da sua carreira sob o comando de um técnico que ele admira bastante. “Eu fui para a casa de Pochettino e ele me mostrou em um vídeo como estava treinando com os jogadores para melhorá-los e é isso que o torna um bom treinador. Ele não fica ocupado apenas com o time, mas também em melhorar o indivíduo”, explicou.

“Quando meu empresário ligou e disse que Pochettino queria conversar comigo, pensei: ‘Por que ele quer falar comigo? Eu já sei como ele trabalha’. Mas era para me contar sobre o projeto do PSG e estou feliz de fazer parte dele”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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