França

Vitinha é um reforço condizente com as mudanças de direção que o PSG prometeu

A primeira contratação do PSG sob a administração de Luis Campos é um jovem cheio de potencial - e não uma super-estrela

O Paris Saint-Germain prometeu que começará a montar o seu time de uma maneira mais coerente, com foco em um jogo coletivo, sem simplesmente acumular estrelas, e a primeira contratação da nova administração, comandada por Luis Campos, parece seguir essa linha. Nesta quinta-feira, o campeão francês anunciou o meia Vitinha, 22 anos, com contrato até 2027.

Durante o projeto anterior, o meio-campo foi o setor mais negligenciado pelo PSG. Houve poucos grandes investimentos. Geralmente jogadores mais estabelecidos em fim de contrato ou oportunidades de mercado, como Ander Herrera, Georginio Wijnaldum, Idrissa Gueye, Danilo Pereira e Rafinha. Vitinha é um talento em desenvolvimento que ainda não fez 100 jogos em times principais e não custou barato.

O Porto anunciou que o PSG acionou a cláusula de rescisão do garoto e pagará € 40 milhões. Esse valor torna Vitinha o terceiro meia mais caro comprado pelos parisienses, sem contar a inflação, empatado com Leandro Paredes. O segundo colocado é Javier Pastore, que foi contratado por € 42 milhões em 2011, e o líder é Ángel Di María – que dá até para debater se realmente é meia ou atacante -, trazido por cerca de € 60 milhões em 2015.

Ou seja, nos últimos sete anos, esta é apenas a segunda vez que o PSG paga mais de € 40 milhões por um meio-campista, o que no mercado atual nem é um valor tão alto assim. Mas mais do que a posição em si ou o dinheiro (porque é plenamente possível montar um time sem gastar os tubos), a mudança de perfil mais clara está na preferência por potencial e encaixe em vez de pura fama.

Vitinha tem potencial, mas o clube terá que desenvolvê-lo para fazer o reforço valer a pena. Ele é um meia central passador, que não acumula gols e assistências, mas executa um bom trabalho defensivo, dita o ritmo da posse de bola e abre as jogadas. Se não dá o último passe do gol, às vezes dá o penúltimo ou o antepenúltimo, tantas vezes mais importante. Em certos aspectos, parece com Marco Verratti, o principal jogador do meio-campo do Paris Saint-Germain há muitos anos.

Ele foi formado nas categorias de base do Porto. Depois de algumas chances no time principal, foi emprestado ao Wolverhampton, destino favorito de todos os portugueses do mundo, na temporada 2020/21, mas ficou muito pouco tempo em campo – cerca de 500 minutos na Premier League. Retornou ainda como reserva, mas foi ganhando espaço no time de Sergio Conceição a partir de setembro. Terminou titular e um dos destaques do título português.

Foi o primeiro reforço e a segunda movimentação do PSG no mercado, que havia confirmado a permanência do lateral Nuno Mendes, emprestado pelo Sporting na última temporada. A troca de Mauricio Pochettino por Christophe Galtier ainda não foi oficializada e muito foco está em saídas. O Le Parisien lista dez jogadores colocados na lista de transferências (Kurzawa, Diallo, Herrera, Gueye, Icardi, Rico, Kehrer, Paredes, Pereira e Draxler). O jornal El País também publicou que Neymar foi informado que não está nos planos – mas seria uma operação bem mais complicada.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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