Virada espetacular no Principado

Ter uma vantagem de três gols no começo do segundo tempo seria uma garantia confortável para se lidar, ainda mais quando a equipe atua em casa. Tal teoria teria sua validade se falássemos de outro clube, mas quando se trata do Monaco… Bom, o time do principado conseguiu a incrível façanha de tomar uma virada de quatro gols do Bordeaux em quase 40 minutos de jogo. A torcida monegasca ainda não acredita no que ocorreu diante de seus olhos. Pior para o treinador Ricardo Gomes, mais uma vez com seu futuro ameaçado no ASM.
O estádio Louis II parece mesmo ser uma segunda casa para os girondinos. Na temporada passada, os Marine et Blanc impuseram uma estrondosa goleada de 6 a 0 sobre o Monaco. Para o Bordeaux, a chance de reencontrar um anfitrião tão bondoso traria também a chance de se isolar na vice-liderança, pois Olympique de Marselha e Paris Saint-Germain haviam tropeçado pouco antes.
Após o pontapé inicial dado pelo tenista Novat Djokovic, os monegascos deram a impressão de pouco se importar com o alto número de desfalques. No total, o Monaco estava sem um time inteiro: sete jogadores estavam machucados e outros quatro, suspensos. O time da casa contou com uma grande atuação de Pino e a apatia do Bordeaux no primeiro tempo para ir para os vestiários com um 2 a 0 no placar. Se o colombiano brilhava, Gourcuff estava bastante apagado, daí a extrema falta de pressão dos visitantes.
Mais uma vez, Laurent Blanc mudou os rumos da partida. No intervalo, o treinador tirou Fernando Menegazzo e Traoré para a entrada de Chamakh e Jussiê. Ao colocar dois jogadores de vocação ofensiva, ele teria ao menos a chance de revidar. Pino quase estragou os planos de Blanc ao limpar três marcadores e servir com açúcar para Licata fazer o terceiro. A partir de então, a experiência do elenco girondino prevaleceu diante da juventude do ASM, ainda verde para não esmorecer diante da primeira dificuldade.
O gol marcado por Chamakh, três minutos após o Monaco fazer o terceiro, reacendeu as esperanças dos visitantes. A pressão exercida pelo Bordeaux fez a defesa dos donos da casa aos poucos ruir, mesmo com uma vantagem confortável pela frente. O marroquino ainda deixaria sua marca de novo, coroando uma atuação destacada e uma resposta aos críticos por desperdiçar muitas chances de gol. Isso sem contar com Cavenaghi, autor do gol da virada em sua única oportunidade no confronto.
Outro mandante que terminou o turno de mal com a torcida foi o Olympique de Marselha. Para variar, a equipe segue com seus altos e baixos no Vélodrome e foi derrotado de forma categórica por 3 a 0 para o Nancy. O ASNL não vencia na casa do adversário havia 22 anos. Além do sabor do fiasco, o OM caiu para a quinta posição, viu o Lyon abrir uma vantagem de seis pontos e deixou um clima de insegurança para o início do returno.
Eric Gerets montou sua dupla de ataque com Valbuena e Koné, com um estilo de jogo rápido e envolvente. No entanto, como sempre, faltou maior poder de definição para os marselheses. O Nancy, voltado para os contra-ataques, aproveitou bem suas subidas ao ataque e terminou o primeiro tempo com um justo 2 a 0. Para acabar de vez com a moral do OM, Ziani errou feio e deu o terceiro gol de presente para Dia. Abatidos, os donos da casa tiveram poucas forças para reagir.
O duelo serviu para mostrar como o Olympique de Marselha necessita de uma referência em seu ataque. Sem Niang, machucado, o setor se tornou um território sem dono, pois quem foi escalado por ali não deu conta do recado até agora. Quando Ben Arfa está em seus dias de fazer tudo errado, como contra o Nancy, o OM se torna quase inofensivo. Janeiro está aí, e a abertura da janela de transferências deve ser muito bem aproveitada pelos marselheses para evitar novos vexames.
Despedida anunciada
O sorteio dos confrontos das oitavas-de-final da Liga dos Campeões reservou ao Lyon a porta da saída. Embora tenha fugido dos ingleses, sobrou para o heptacampeão da Ligue 1 um reencontro com o Barcelona, líder isolado da Liga Espanhola com dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado. Com Messi e seus colegas de ataque inspirados, os blaugranas entram com todas as condições possíveis para confiar na passagem para as quartas-de-final.
Na edição passada da LC, o Lyon enfrentou outro peso-pesado nas oitavas: o Manchester United. Se daquela vez ainda se podia argumentar que o segundo lugar na chave era o limite para a equipe (o Barcelona terminou em primeiro), hoje o OL colhe os frutos de suas limitações. A derrota por 3 a 2 em pleno Gerland para o Bayern de Munique revelou como o atual elenco consegue ser inferior ao da última temporada – uma característica da qual os lioneses costumavam se orgulhar até então.
E exatamente o ponto fraco do Lyon coincide com a força do Barça. Enquanto a defesa lionesa sofre com as diversas ausências de importantes jogadores, o ataque do time catalão está tinindo, muito graças à vocação ofensiva do treinador Pep Guardiola. A velocidade de Messi e as intensas trocas de passe não mudam mesmo quando há variação nos seus componentes – Eto’o, Henry, Bojan, Iniesta… Isso sem contar na boa forma de Xavi, com assistências primorosas.
Em 2007/08, na fase de grupos, o Barcelona passeou no Camp Nou e ganhou por 3 a 0. Em Gerland, houve um empate por 2 a 2, que colocou o Lyon em seu devido lugar. Para o novo embate, mesmo com a recuperação de Bodmer, Réveillère e Clerc, a defesa do OL não será páreo para os blaugranas. Nem mesmo Benzema será capaz de evitar outro ano perdido para o clube, cuja provável eliminação suscitará a seguinte questão: o que falta aos lioneses para se dar bem na LC?


