Vamos brincar de CM

Você tem dinheiro a perder de vista e não sabe bem o que fazer com ele? O Qatar Sports Investment te dá uma preciosa dica: gaste os tubos para contratar jogadores de primeiro nível, monte uma seleção e saia por aí ganhando títulos em qualquer lugar do planeta. O QSI faz do Paris Saint-Germain seu Championship Manager (o bom e velho CM para os fanáticos por jogos) da vida real e se prepara para massacrar quem estiver em sua frente.
O PSG já havia contratado um atacante de qualidade há pouco tempo, mas a sede do grupo qatariano (e o fundo do bolso) parece não ter fim. Como se não bastasse trazer Ezequiel Lavezzi para dar maior profundidade ao setor ofensivo da equipe, eis que o time da capital apenas traz Zlatan Ibrahimovic para ter alguém com forte presença de área. No meio desta euforia no mercado, Kevin Gameiro já sabe que ficará de lado.
Para consertar os problemas crônicos da defesa parisiense, nada melhor do que contratar um dos melhores zagueiros do futebol europeu. A rapa no Milan continuou e Thiago Silva chega para dar um jeito no confuso sistema defensivo da equipe. Para se reforçar com a dupla, o QSI nem se importou em desembolsar € 65 milhões – uma quantia absurda quando se fala em futebol francês.
E o desejo de montar um dream team ainda não acabou. Os catarianos ainda acham que o time precisa de um cérebro no meio-campo para conduzir um grupo repleto de estrelas. O rumor em torno de Kaká se fortalece e, como se sabe, dinheiro não é problema. Pouco importa se, mesmo com um time milionário, o PSG perdeu o título da Ligue 1 para um Montpellier que não gastou um décimo do investido pelos novos-ricos. Ganhar o Campeonato Francês se tornou um objetivo pequeno para o QSI.
Carlo Ancelotti terá uma dura missão para esta temporada. Além de gerir a debandada natural que se avizinha, o treinador precisa de muito tato para convencer os atletas remanescentes a cumprir papel de coadjuvantes, mesmo quando eles têm qualidade e importância comprovadas. O discurso do italiano já segue a linha do “vale mais jogar dez partidas da Liga dos Campeões do que 30 em uma liga menor”, ou “é melhor entrar em campo em 35 partidas por um clube grande do que 55 por um pequeno”.
Para o futebol francês, o PSG se torna uma ameaça – e não falo apenas da óbvia disputa por títulos. A não ser que algum outro investidor se disponha a assumir o comando de um clube da Ligue 1, há sério risco de a Ligue 1 se tornar algo monótono e previsível. As chances de surgir um Montpellier que se disponha a quebrar esta rotina se tornam cada vez mais complicadas.
Por outro lado, as chegadas de Ibrahimovic e Thiago Silva atraem os holofotes para um campeonato que cumpre papel secundário dentro do futebol europeu. A consequência é simples: o maior interesse e exposição do campeonato dão argumentos para negociar os direitos de transmissão da Ligue 1 por um valor mais interessante. A quantia seria melhor ainda se houvesse a garantia de uma concorrência real ao PSG, algo que, ao menos na teoria, parece não existir nos dias atuais.
Concorrência se mexe como pode
Fazer frente a este Paris Saint-Germain poderoso se torna uma missão mais árdua a cada semana. Sem dinheiro ou com recursos bem mais modestos, os candidatos a encarar o time da capital se apequenam quando comparados ao novo gigante. O Lyon, por exemplo, simboliza bem a situação dos demais integrantes da Ligue 1 e que tentarão impedir a passagem do rolo compressor parisiense.
Na última temporada, o OL enxugou sua folha salarial e preparou um elenco com vários jogadores advindos de suas categorias de base. O Lyon oscilou demais, teve uma queda acentuada de produção na parte final da Ligue 1 e ficou fora da Liga dos Campeões. O presidente Jean-Michel Aulas demonstrou tranquilidade ao falar das mudanças que espera na equipe para 2012/13, mas adotando um discurso dos mais humildes.
Enquanto o PSG está deitado em notas de euros, Aulas acredita que pode encarar os rivais com uma “arma” poderosa. “Lisandro López e Gourcuff estão em boa forma e espero, enfim, que ambos possam jogar juntos por um bom tempo”, disse o presidente do OL. Sim, ele aposta em um atacante que se mata em campo para criar alguma jogada (já que a bola não chega com qualidade até ele) e em um meia que até agora se mostrou incapaz de se livrar de problemas físicos e até mesmo técnicos.
A ordem em Gerland continua sendo a da economia. Nada de gastos excessivos e de planos exorbitantes. Para colocar a mão no bolso na hora de contratar alguém, o clube precisará fazer caixa com a negociação de um de seus atletas. Será bem-vindo quem chegar por empréstimo e por um salário razoável. A mira aponta exatamente para o principal inimigo. O Lyon deseja aproveitar os descontentes no PSG e fazer uma proposta a Mamadou Sakho e Clément Chantôme, mas sem loucuras financeiras.
No Olympique de Marselha, a grande novidade até agora está no banco de reservas, com a chegada do treinador Elie Baup para o lugar de Didier Deschamps. Em campo, o único reforço até o momento é Florian Raspentino, atacante de 23 anos que estava no Nantes. Em outras palavras, o OM ainda aparece como um pixel dentro da imagem de alta resolução desenhada pelo PSG.


