Uma dupla do barulho
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A França concluiu sua preparação para a Eurocopa-2012 com uma goleada de 4 a 0 sobre a Estônia, resultado que dá aos Bleus a confiança necessária para começar o torneio continental com boas esperanças. Se a suada vitória contra a Islândia de virada (3 a 2) havia deixado dúvidas, os triunfos sobre sérvios e estonianos ajudaram a superá-las com respostas convincentes.
Sempre haverá aquele que levantará a mão para apregoar a fragilidade de um adversário como a Estônia. Deve-se lembrar que o rival não se classificou para a Euro por pouco (os estonianos foram eliminados na repescagem). O mais importante, porém, era ajeitar a equipe e aprimorar seu equilíbrio, objetivo plenamente cumprido pelos comandados de Laurent Blanc.
A partida em Le Mans serviu principalmente para reforçar o posicionamento ofensivo dos franceses. Assim como contra a Sérvia, o 4-3-3 montado por Blanc se mostrou eficiente, muito por conta do excelente entendimento entre Ribéry e Benzema. A jogada do golaço que abriu o placar mostra como ambos fazem uma parceria letal quando estão mais próximos, algo que não ocorria antes.
Os dois novamente apareceram na jogada do terceiro gol, marcado por Benzema – que encerrou um jejum de nove meses sem marcar pelos Bleus. Ribéry, que já havia marcado dois gols nos amistosos anteriores, voltou a mostrar seu poder de decisão também com assistências e bons passes. A evolução de ambos passa pelo reposicionamento do ataque francês. Méritos para Blanc, que resolveu o problema do isolamento do atacante do Real Madrid e melhorou todo o rendimento do time.
Ribéry vinha se arrastando como uma sombra nos últimos jogos pela seleção francesa, com sua posição de titular até contestada. Com o esquema mais descentralizado, ele pode, enfim, sentir-se mais à vontade em campo. Se Nasri ainda oscila em suas atuações e ainda não oferece uma opção tão interessante de jogo pela direita, o jogador do Bayern de Munique reencontra a confiança perdida há algum tempo.
Na defesa, Mexès deu mais argumentos para seus críticos. Por conta de uma falha do zagueiro no começo da partida, a Estônia teve uma boa oportunidade para abrir o placar. O erro não abala sequer um fio de cabelo de Blanc, convicto de que o jogador tem lugar cativo entre os titulares. Evra, de volta à equipe após ir mal contra a Islândia, teve atuação mediana; não seria surpresa ver Clichy entre os onze na estreia da Euro contra a Inglaterra.
Com uma invencibilidade de 21 partidas e uma equipe que se entende cada vez melhor em campo, a França viaja para a Ucrânia com a confiança que lhe faltou em sua fase final de preparação para a Copa do Mundo-2010. Com uma estreia tão complicada, nada melhor do que ver dois de seus principais jogadores recuperarem a boa fase com a camisa azul. Desta vez, dá para se esperar algo de bom vindo dos Bleus.
Velório
Os franceses quase nem se importaram com sua despedida, feita pela porta dos fundos. Para a Eurocopa-2012, ele foi descartado e poucos cogitam seu retorno tão cedo. O esquema 4-2-3-1, bastante utilizado durante as eliminatórias do torneio continental, parece fazer parte do passado dos Bleus. O enterro desta formação foi acelerado com o corte do meia Yoann Gourcuff da lista final para a Euro. Para o amistoso contra a Sérvia, Laurent Blanc mostrou qual deve ser a cara da França para a competição.
O treinador adotou um 4-3-3 que permite maior fluidez ao ataque dos Bleus. No meio-campo, M’Vila, Cabaye e Malouda deram boa sustentação ofensiva, necessária para que Ribéry e Nasri (mais aberto pela ponta) pudessem apoiar Benzema, agora não tão isolado na frente como no esquema anterior. Ao menos nestes últimos jogos de preparação antes da estreia na Euro-12, Blanc conseguiu montar uma equipe capaz de sobreviver sem a figura daquele meia centralizado e distribuidor de jogadas. A vitória por 2 a 0 teve como prêmio uma equipe organizada em campo.
Quando o time está sem a bola, logo o esquema se transforma e passa a ser um 4-1-4-1, com o recuo dos ponteiros para auxiliar a marcação. Tanto contra a Sérvia como contra a Estônia, o automatismo funcionou e o bloco defensivo dos Bleus se mostrou bem compacto, transmitindo a segurança necessária para a defesa e com a eficiência desejada no combate ao ataque adversário. Tudo funcionou de maneira adequada.
Na defesa, Blanc está cada vez mais inclinado a optar por Gaël Clichy na lateral esquerda. Após a atuação decepcionante de Patrice Evra contra a Islândia (em seu setor, nasceram os dois gols dos rivais), o treinador achou melhor observar como Clichy se sairia. Titular contra a Sérvia, ele se deu bem tanto nas subidas ao ataque (foi de um cruzamento dele que nasceu o primeiro gol francês) como na marcação. A obediência tática faz do jogador do Manchester City o favorito para ficar com a vaga entre os onze.
No miolo da zaga, Blanc nem pensa em mexer na dupla formada por Mexès e Rami. Laurent Koscielny, porém, teve uma atuação segura diante dos sérvios e passou a confiança necessária caso haja alguma necessidade de substituir algum dos dois. O zagueiro ganhou a maioria das jogadas diante dos atacantes sérvios e, como grata surpresa, teve qualidade no passe para iniciar as jogadas da equipe sem pressa.
Recuado para o meio-campo, Malouda dá sinais de que se reencontrou na seleção. Se a velocidade não é a mesma dos seus melhores tempos, ele compensou com seu posicionamento quase sempre adequado. Além disso, Malouda não quis inventar: jogou o simples, mas não que isso signifique toques burocráticos de lado. Premiado com um gol, o jogador mostra que ainda pode ser muito útil aos Bleus, fortalecido por sua experiência em competições de grande porte.
Há não muito tempo, era preciso levar um travesseiro para acompanhar um jogo da França tamanha a sonolência provocada pela falta de oportunidades. O amistoso contra a Sérvia foi diferente: houve maior movimentação entre os elementos ofensivos, trocas de passes mais frequentes e sem burocracia e, mais importante, finalizações. Alguém pode levantar a bandeira de que é fácil atacar a Sérvia; porém, Estados Unidos e Bélgica foram adversários até inferiores aos sérvios e os Bleus pouco incomodaram nos amistosos anteriores. Os franceses deixam uma boa impressão e chegam para a Eurocopa confiantes, mas sem exagero.