França

Uma derrota categórica

Em seus dois últimos amistosos contra equipes de respeito, a França havia passado de forma categórica por Espanha e Portugal. Contra o Brasil, porém, os Bleus não repetiram as mesmas boas atuações e levaram a virada em pleno Stade de France. A derrota por 3 a 1 em casa feez jus a quem esteve melhor em campo, dominou as ações e foi superior em todos os estágios do jogo. No entanto, também não dá para fazer uma caça às bruxas e achar que todo o trabalho foi pelo ralo depois deste revés.

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Para começar, ficou muito nítido como o meio-campo francês sofre sem seus dois pilares. A ausência de Pogba e Cabaye transformou o setor da solidez no combate e nas boas alternativas de ligação com o ataque em um deserto de ideias. O trio formado por Sissoko, Schneiderlin e Matuidi penou diante dos brasileiros, permitindo os espaços necessários para que Oscar, Willian e Neymar fizessem o que bem entendessem.

Além da perda irreparável de peso no meio-campo, a dupla de zaga teve um nível de desempenho bem distinto entre seus elementos. Varane, é verdade, abriu o placar para os donos da casa, mas esteve em uma jornada infeliz. E era de se esperar uma dificuldade bem maior por parte de Sakho, que retornava após se recuperar de uma lesão. Pois foi o defensor do Liverpool quem segurou as pontas e cobriu as brechas dadas por seu companheiro na medida do possível.

Na Copa do Mundo, a dupla deu segurança a um setor muito criticado até então. Na última vez na qual atuaram juntos, há seis meses, mais uma vez foram muito bem na vitória sobre a Espanha. Varane demonstrava pouca serenidade, com falhas no posicionamento e marcação ora firme, ora frouxa demais. Parecia que quem havia ficado um longo período afastado dos gramados era ele. Mas a falta de pegada do meio-campo contribuiu de forma decisiva para a defesa ficar sobrecarregada e, como se espera nesses casos, alguma hora ela iria ruir.

Em processo de reconstrução, a seleção comandada por Dunga tenta se recuperar do trauma da Copa do Mundo e talvez tenha feito seu melhor jogo desde aquele 7 a 1. Domínio técnico, maturidade tática e uma solidez defensiva, sem contar o bom nível de talento individual, deixaram a França nas cordas. Ter sofrido o primeiro gol do jogo foi quase um acidente. Os Bleus sentiam muita dificuldade para criar e quase se limitavam a atuar nos 30 metros de seu campo defensivo.

A euforia do gol de Varane foi efêmera. Os franceses logo permitiram de novo que o Brasil tivesse a posse de bola e a fizessem rolar de um lado ao outro com velocidade e criatividade. Vale ressaltar que os laterais Evra e Sagna tiveram pesadelos com os avanços de Neymar e Willian. Sobrou para Mandanda impedir uma vitória ainda mais acachapante dos visitantes, tamanha a facilidade encontrada pelo Brasil para chegar à meta azul.

O ataque francês praticamente não foi percebido em campo. Mais uma vez, Griezmann ficou devendo ao começar uma partida como titular. Benzema ainda tentou se esforçar, mas ficou apenas nas boas intenções. Valbuena procurou cair pelos flancos, sem sucesso na missão de abrir espaços na defesa brasileira. Fekir, que poderia ser uma alternativa interessante para dar mais vida a um ataque válido, teve apenas uns 20 minutos para mostrar serviço.

Deschamps talvez tenha percebido tarde demais que a formação escolhida para este amistoso não deu liga. Teria sido melhor testar mais cedo nomes como Kondogbia, Zouma e o próprio Fekir, até mesmo para mostrar aos jovens o que eles vão encontrar se quiserem mesmo se firmar entre os Bleus. São nesses testes contra rivais de renome (embora o Brasil tenha uma dependência extrema em torno de Neymar) que se mede o caráter de um jogador. Quem encara sem tremer, fica. Quem se omite, perde pontos. Que contra a Dinamarca os medalhões se recuperem, mas a molecada também tenha seu espaço.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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