França

Troca de comando

A passagem de Guy Roux pelo Lens durou pouco mais de dois meses. O treinador, conhecido por ter ficado mais de 40 anos à frente do Auxerre, contrariou este princípio de longevidade para se tornar o primeiro técnico a deixar o cargo nesta temporada na Ligue 1. Sem dúvida, trata-se de uma decepção para os Sang et Or, que tanto batalharam para convencê-lo a sair da aposentadoria e voltar a comandar uma equipe.

Como justificativa para sua permanência-relâmpago no Lens, Roux alegou já não ter mais aquela energia dos tempos de AJA. Seus problemas de saúde o impediam de trabalhar como realmente gostaria à beira do gramado. Se nos treinos ele não tinha tantos desgaste, durante as partidas da Ligue 1 logo ele percebeu que não conseguiria orientar seus jogadores de forma eficiente.

O técnico superou problemas cardíacos, como a ponte de safena realizada em 2001, para continuar sua carreira. No entanto, como precisava de repouso e de tranqüilidade para se recuperar, decidiu se retirar. Ao aceitar o convite do Lens, Roux pensava estar 100%, mas percebeu que não seria tão fácil assim. O nervosismo, os gritos e o desgaste tão comuns em um jogo lhe faziam mal.

Embora não tenha tido muito tempo para moldar o Lens da sua maneira, Roux já deixou uma grande lição. Ao peitar a Liga de Futebol Profissional, que pelo seu regulamento o impediria de exercer sua profissão por ter ultrapassado a idade-limite, o treinador deu provas de sabedoria. Aos 68 anos (três acima do estipulado pela LFP), ele não só derrubou um preconceito como abriu espaço para uma discussão de extrema importância.

Em um país com um aumento constante da população da chamada ‘terceira idade’, seria no mínimo incompreensível limitar o acesso ao trabalho de pessoas com plenas condições para tanto, em qualquer área. Um debate que ganhou contornos nacionais, ao envolver diversos setores sociais e políticos. O recado de Roux estava dado, e a LFP, de forma sensata, voltou atrás em sua polêmica decisão e lhe permitiu trabalhar em paz.

Não dá para querer crucificar o técnico e julgar sua decisão de retornar precipitada. Ele só poderia saber realmente de suas condições sentado no banco de reservas de algum clube. Se a resposta foi negativa, ele pôde ao menos fazer o elenco do Lens se refazer do duro golpe de perder a vaga na Liga dos Campeões nas últimas rodadas da Ligue 1 passada e deixou bases bem montadas para seu sucessor, Jean-Pierre Papin. Além de trabalhar o lado emocional do grupo, indicou bons reforços ao clube, como Akalé e Kalou, com quem já havia trabalhado no AJA.

O ex-jogador, candidato a assumir o cargo antes da chegada de Roux, terá sua primeira experiência em um clube da primeira divisão. Papin levou o Strasbourg de volta à Ligue 1 e pega um elenco mais ou menos lapidado por seu antecessor. JPP logo fez questão de deixar de lado o choque causado pela saída do antigo treinador para trabalhar. Os primeiros resultados foram vistos na goleada por 5 a 1 sobre o Young Boys, no jogo de volta da segunda fase preliminar da Copa Uefa.

Papin esteve longe de despertar grandes paixões no Strasbourg. Em seu antigo clube, ele colecionou algumas críticas por suas estratégias um tanto quanto conservadoras e que não mantinham o mesmo equilíbrio entre os setores do time. Se conseguir tirar o Lens das últimas colocações e levá-lo às cinco primeiras colocações, como ele mesmo afirmou quando questionado sobre o potencial do elenco, JPP demonstrará maior maturidade. Com jogadores de qualidade principalmente no setor ofensivo, os Sang et Or dificilmente adotariam um esquema mais cauteloso de jogo. Pelo menos a torcida pensa dessa forma e espera que a equipe reaja com um estilo de atuar voltado para o ataque.

Em recuperação

Aos poucos o Lyon dá sinais de vida na Ligue 1. Para um time que, no primeiro turno da Ligue 1 passada não deu chances para seus adversários, sofrer duas derrotas logo nas primeiras rodadas do campeonato deixou dúvidas quanto à recuperação da equipe. Basta lembrar que o OL apresentou uma grande queda de desempenho na reta final do campeonato anterior, devido a diversos problemas internos e o desânimo causado pela eliminação prematura na Liga dos Campeões.

Para melhorar um pouco os ânimos após as derrotas para Toulouse e Lorient, nada melhor do que ganhar um dérbi. O triunfo por 1 a 0 sobre o Saint-Etienne trouxe um pouco mais de segurança a um elenco devastado por problemas com contusões. Para o confronto com o Sochaux, o OL teve ainda a baixa de Juninho Pernambucano, ausente por problemas musculares. Apesar das facilidades dadas pelo time da casa (que tem sido uma mãe para os adversários em Bonal), os lioneses sentiram a falta de criatividade em seu meio-campo.

Os Leões se aproveitaram dessa fragilidade para partir para cima. Embora deixassem o primeiro tempo com um empate por 1 a 1, os donos da casa tiveram ocasiões suficientes diante de Vercoutre para sair com uma vantagem até confortável. Fábio Santos teve uma atuação discreta, o que contribuiu para a desorganização do Lyon em campo. Mesmo com seu tradicional 4-3-3, o time não conseguiu se impor e ofereceu espaços demais pelas laterais, principalmente no lado direito, muito bem explorado por Birsa.

Perrin percebeu essa falha e tratou de consertá-la na volta dos vestiários. Com Toulalan e Källström, os lioneses finalmente encontraram um certo equilíbrio – mas sem que isso significasse um amplo domínio. Uma certa retração do Sochaux também ajudou os visitantes. Enquanto Benzema se mostrou eficiente na área e não deixa a torcida morrer de saudades de Fred, Vercoutre dá calafrios com suas saídas nada seguras do gol em cruzamentos e lances de bola parada.

Com tantos problemas, a versão do Lyon neste início de 2007/08 precisa de muitos ajustes ainda para se tornar a mesma máquina das rodadas inicias da última Ligue 1. Perrin, como mostrou no intervalo do jogo contra o Sochaux, demonstrou saber amenizar os defeitos da equipe, mas ele sabe que o OL pode render muito mais do que isso. Com a aproximação da fase de grupos da LC, na qual o time caiu em um grupo bem complicado, ajustar a linha fina será de grande valia para evitar um vexame ainda maior.

O Monaco, que na temporada passada não foi lá grande coisa, mostra uma outra cara sob o comando de Ricardo Gomes. Contra um perigoso Lille, os monegascos conseguiram se segurar na defesa, sobretudo graças a uma boa atuação de Modesto. O setor defensivo do ASM, uma das preocupações da equipe até agora vem dando conta do recado. O treinador brasileiro conseguiu organizar esta parte da equipe e fazê-la ser eficiente.

Se atrás as coisas vão bem, no meio-campo e no ataque elas estão melhores. Com um inspirado Menez e uma dupla de frente bem entrosada, os monegascos criam chances suficientes para marcar. Koller, mais fixo na área, e Piquionne, pelos lados, exibem uma complementaridade de estilos impressionante. Com o tcheco como ponto de referência, fica mais fácil ter com quem jogar quando se puxa um contra-ataque – uma das especialidades do Monaco até aqui. De forma simples, o clube do principado se organizou em campo. Exatamente por isso, chegou à liderança da Ligue 1.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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